Livro: Liberta-me
Título original: Unravel me
Autor(a): Tahereh Mafi
Editora: Novo Conceito
Páginas: 444 
ISBN: 9788581632353
Sinopse: Liberta-me é o segundo livro da trilogia de Tahereh Mafi. Se no primeiro,Estilhaça-me, importava garantir a sobrevivência e fugir das atrocidades do Restabelecimento, em Liberta-me é possível sentir toda a sensibilidade e tristeza que emanam do coração da heroína, Juliette. Abandonada à própria sorte, impossibilitada de tocar qualquer ser humano, Juliette vai procurar entender os movimentos de seu coração, a maneira como seus sentimentos se confundem e até onde ela pode realmente ir para ter o controle de sua própria vida. Uma metáfora para a vida de jovens de todas as idades que também enfrentam uma espécie de distopia moderna, em que dúvidas e medos caminham lado a lado com a esperança, o desejo e o amor. A bela escrita de Tahereh Mafi está de volta ainda mais vigorosa e extasiante. 
 TRILOGIA "ESTILHAÇA-ME"
    1.  Estilhaça-me
    2.  Liberta-me 
    3.  Incendeia-me (previsão de lançamento para junho de 2014)

    No início de Liberta-me, deparamo-nos com a mudança abrupta que ocorreu na vida de Juliette. Ela agora vive no Ponto Ômega, o quartel-general da Resistência. Lá, depois de descobrir que não é a única com um dom – ainda que seja extremamente poderosa –, ela precisa aprender a lutar e aprimorar suas habilidades para derrotar o infame Restabelecimento. O grande problema de Juliette, todavia, é ela não parece pertencer a esse lugar. 
    Os outros habitantes do Ômega têm medo de quem ela é e do que pode fazer. Ela se sente deslocada, ainda que entre os seus, e tudo isso apenas piora quando Adam começa a ter estranhas reações ao seu toque – apesar de ele tentar esconder, Juliette acredita que o está machucando de algum modo. Ao mesmo tempo, ela tenta tirar Warner de sua mente, e esquecer o fato e os mistérios que circundam a última vez que ambos se viram. Warner é um dos comandantes do Restabelecimento e representa tudo o que ela deve odiar: qual o motivo, então, de Juliette sentir tal insistente fascinação por ele?
    Quando seu reencontro com Warner acontece de modo inesperado, é quase impossível para Juliette sequer imaginar desdobramento dos fatos. Agora ela deve aprender a dominar tanto sua mente como seus poderes, e, se isso não for feito em breve, ela pode não conseguir ser útil na grande batalha que se aproxima. 

    Li o volume inicial da série em apenas alguns dias, e é claro que fiquei extremamente ansiosa para a continuação da história. Acredito que a estória criada por Tahereh Mafi tinha todo o possível potencial para se tornar uma das melhores (se não a melhor) distopias adolescentes, e isso apesar do risco de seguir o mesmo caminho já trilhado por tantas: acabou que Liberta-me foi uma boa leitura, mas não exatamente o que eu esperava. 
    A narrativa continua sendo o ponto mais alto da série. O livro é narrado em primeira pessoa e, para aqueles que não conhecem, também possui frases riscadas, que mostram os pensamentos “ocultos” da personagem. É algo inovador e que pode ser um tanto incômodo até você se acostumar, contudo, fica claro depois de algumas páginas que foi uma maneira genial da autora de demonstrar os pensamentos que nem mesmo Juliette admite ter. 
    Depois do fim de Estilhaça-me, o primeiro livro da trilogia, eu honestamente esperava que as coisas melhorassem para a Juliette – é claro, eu estava enganada. Liberta-me é um livro cruel. Imagine um livro em que as probabilidades de tudo dar errado são enormes, e afirmo que tudo realmente se complica. São poucos os momentos nos quais podemos respirar em paz e ficar feliz com a leitura; ao mesmo tempo, é extremamente difícil largá-lo. 
     Tudo começa com Juliette: nesse livro, ainda sofremos e nos sensibilizamos com as dificuldades de sua vida. Contudo, acima disso tudo, torcemos para que ela se liberte. Se liberte daqueles que a veem como uma ameaça, da sociedade, e, principalmente, dela mesma. Juliette ainda é insegura demais, se sente culpada por tudo de ruim que acontece a sua volta, e seu medo de estragar tudo apenas complica sua vida. Além disso, uma guerra está chegando, e chega a ser (novamente!) um tanto irritante as dúvidas, indecisões e autodepreciação da personagem.
     É claro, não posso ser injusta. Mesmo que continue não sendo a maior fã da moça, é preciso deixar claro que há uma visível mudança positiva no comportamento de Juliette. Ela não é mais tão irracional como no primeiro livro – o amadurecimento dela é claro, e ela é muito mais independente do que jamais foi.
     Chego à parte preciso citar um dos meus grandes problemas com livro, contudo: o relacionamento dela com Adam. Eu torci fervorosamente pelo casal no volume anterior, e realmente acreditava que eles eram perfeitos um para o outro. O que acontece em Liberta-me, dessa forma, me deixou muito frustrada com o rumo que Tahereh Mafi resolveu dar para a estória. 
    O casal está muito mais distante, já que agora trabalha no Ômega. Isso seria compreensível, apesar de incômodo – contudo, toda a paixão, a química e o carinho que eles sentiam um pelo outro.. Simplesmente desaparece. Sim, você leu isso certo. O casal que era perfeito, se tornou chato e cheio de drama. Fica claro ao longo da leitura que Juliette só lembra que “ama” Adam quando o vê. E, é claro, a autora não se contentou em deixar tudo por isso mesmo.

     Porque, aí que entra Warner. Warner, o personagem louco, psicopata e o grande vilão do primeiro livro, acaba se tornando a única coisa interessante na obra inteira. E afirmo veementemente, eu nunca achei que diria isso. Todavia, Warner foi o personagem que, com sua complexidade e passado revelado (mas não justificado!), roubou a atenção em toda e qualquer cena que apareceu. E, no triângulo amoroso existente entre Warner/Juliette/Adam, o Adam tornou-se apenas um mero participante
    Fiquei um pouco chateada com isso, afinal, o primeiro livro é essencialmente focado no relacionamento de Juliette com Adam, e, sem motivo aparente, nada mais parece funcionar entre eles. Contudo, achei válida a maneira que a autora fez isso, sem deixar as coisas artificiais demais. Resumindo: mesmo não gostando do rumo que a história tomou, admiro a autora por fazer tudo parecer autêntico e gradual. 
     Em Estilhaça-me, fica claro que a autora investiu mais no romance do que na própria distopia, mesmo que essa faça algumas aparições. A grande mudança em Liberta-me é que, especialmente no início do livro, o foco da história é derrotar o governo opressor. Isso é deveras interessante, já que nos é mostrada uma perspectiva até agora inédita do mundo no qual os personagens vivem.

"(...) As más notícias não aceitam devolução depois de serem entregues."

     Ao final da leitura, nos é passada a impressão de que o andamento da guerra iminente dependerá muito das atitudes de Juliette, de sua habilidade de controlar o que a torna especial. Estou muito ansiosa para o próximo volume, que será o último da série, e que, aparentemente, promete uma evolução magnífica para a personagem. 
    O design interno do livro seguiu o exato mesmo estilo do primeiro, retratando muito bem a premissa da história. Sobre a capa (que gerou grande polêmica entre os leitores), acredito que a Editora Novo Conceito errou, sim, em tentar manter o “padrão”, e acabou com uma capa simplória demais para o livro. As páginas são amareladas, de boa qualidade, e durante a leitura não encontrei nenhum erro de revisão ou tradução. 
     Por fim, Tahereh Mafi conseguiu combinar sentimentos, metáforas e analogias para desenvolver uma história de modo magistral. Com uma quantidade imensa de tenacidade em cada passagem, Liberta-me não conseguiu superar o primeiro livro da série, mas trouxe elementos extremamente necessários para a trilogia. Mal posso esperar pela conclusão!

Primeiro parágrafo do livro:
''O mundo pode estar ensolarado hoje."
Melhor quote: 
"Assim, tenho de ficar me lembrando de que Warner e eu somos dois mundos diferentes. Somos sinônimos, mas não somos iguais. Sinônimos se conhecem como velhos colegas (...) que embora sejam parecidos, são completamente diferentes e, embora compartilhem certas características, um nunca poderá ser o outro. Porque uma noite tranquila não é igual a uma noite calma (...) porque a maneira como são usados em uma frase muda tudo."

             


9 Comentários

  1. Quanto mais eu vejo essas resenhas mais livros eu quero ler, rsrsr.
    http://mais-umlivronaestante.blogspot.com.br/

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  2. Oi :)

    Essa série já é uma das prioridades da minha lista, esperarei as jackets chegarem e começarei a leitura. Beijos!

    http://euvivolendo.blogspot.com.br/

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  3. Oi, tudo bom?
    Vim te fazer uma visitinha.
    Amo esses livros, estou bem ansiosa pelo lançamento do próximo
    Mesmo sem ter lançado ainda, ja esta na listinha..
    Te espero lá no blog.
    Bjs*-*
    Território das Garotas

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  4. Só li Estilhaça-me e amei a escrita da Tahereh!! Além disso, a autora é extremamente simpática! A capa ficou um tanto quanto esquisita, mas mesmo assim na época fui a favor de manter o padrão. Mas aí mudaram no último livro, e não adiantou nada essa capa feia... rs...

    Pena que Liberta-me não conseguiu superar o primeiro livro, mas mesmo assim estou mega curiosa pela leitura dele e pela de Incendeia-me também!! *-*

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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  5. Oi,

    Ainda não li nenhum dos livros, mas sou louca para ler essa trilogia, estou me aventurando por esse mundo distopico, aos poucos, acho super legal esa ideia da autora de colocar os pensamentos ocultos da Juliette riscados, acho que um charme na leitura, falando da capa pelo computador ela parece ser bem bonitinha, mas vi em alguns videos e não parece nem um pouco bonita, parece que perdeu a qualidade da imagem.

    Mayla
    http://meulivromeutudo.blogspot.com.br/

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  6. Oi Gabi, tudo bem?
    O gênero distopia tem me conquistado a cada dia, fico impressionada com a criatividade desses autores em usar um espaço que não existe para fazer criticas tão atuais e por vezes muito necessárias. Sempre tive curiosidade em ler essa trilogia, que pena que o segundo volume não lhe agradou tanto. Sabe, tenho que confessar que os vilões sempre chamam mais a minha atenção tanto nos livros quanto nos filmes, geralmente, são os melhores personagens. Então, quero conhecer esse Warner, risos...
    beijinhos.
    cila-leitora voraz
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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  7. Gabi!!!!!!!!!!
    Gostei do modo que vc descreveu o segundo livro, ele é meu preferido da série até agora! Em Estilhaça-me também torci por Adam, mais lendo o conto de Warner e depois liberta-me mudei totalmente de time! Warner para mim é o melhor personagem dessa saga, ele tem uma complexidade e um jeito que faz a gente querer entender e compreender ele!
    Parabéns pela resenha!
    Beijos
    Paulinha Juliana - Overdose Literária!

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  9. Amei sua resenha vou começar libertar me agora... Eu também amava a relação dela com Adam, mas depois que li destrua-me passei a gostar mais do Warner ❤❤❤

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