Depois de muita espera, finalmente temos a data de estreia para a adaptação cinematográfica do livro Para Todos os Garotos Que Já Amei! O filme foi adquirido pela Netflix e estará disponível na plataforma a partir de 17 de agosto! Para todos os garotos que já amei conta a história de Lara Jean, uma garota meio atrapalhada e ingênua, mas muito forte e romântica, que escreve cartas para os garotos por quem já se apaixonou. Mas tem um detalhe: nunca enviou nenhuma delas. Até que um dia essas cartas chegam misteriosamente aos respectivos destinatários, e a vida amorosa de Lara Jean ganha outro rumo.

O elenco conta com Lana Condor, de X-Men: Apocalipse, e John Corbett, de Casamento grego. Noah Centineo, de The Fosters, dará vida ao apaixonante Peter Kavinsky; Janel Parrish, de Pretty Little Liars, será Margot,; Israel Broussard, de Bling Ring: A gangue de Hollywood, vai interpretar Josh; e Anna Cathcart será Kitty, a caçulinha fofa da família Song.


   A plataforma de streaming Hulu anunciou que vai adaptar Quem é você, Alasca? para uma minissérie de oito episódios, ainda sem data de estreia prevista. Josh Schwartz, criador de Gossip Girl e The O.C., será o produtor executivo. O livro de John Green conta a história de Miles Halter, um adolescente cansado de sua vida sem graça. Em busca de um Grande Talvez, ele se matricula no internato Culver Creek, onde conhece Alasca Young. Inteligente, engraçada, enigmática e incrivelmente sexy, a menina vai arrastar Miles para seu labirinto e catapultá-lo sem misericórdia na direção do Grande Talvez. Depois de Alasca, nada mais será o mesmo.
   Quem é você, Alasca? foi lançado pela Intrínseca em 2014 e ganhou uma edição especial em 2015. Os fãs de Alasca também vão se apaixonar pelo livro mais recente de John Green, Tartarugas até lá embaixo, que também tem filme confirmado pela Fox. O primeiro livro do autor a ser adaptado para as telas foi A Culpa é das Estrelas, em 2014. O filme se tornou um fenômeno mundial e transformou Shailene Woodley e Ansel Elgort em grandes estrelas. Em 2015, Cidades de Papel teve estreia mundial no Brasil e contou com a presença do próprio John Green! Protagonizado por Nat Wolff e Cara Delevingne, o longa arrecadou 85,4 milhões de dólares no mundo todo.


Livro: Ainda Sou Eu 
Título Original: Still Me
Autor(a): Jojo Moyes
Editora: Intrínseca
Páginas: 398
ISBN: 978-85-510-0281-0
Sinopse: Sequência dos romances Como eu era antes de você e Depois de você, que arrebataram o coração de milhares de fãs, Ainda sou eu conta, pela perspectiva delicada e bem-humorada de Lou Clark, uma história comovente sobre escolhas, lealdade e esperança. Lou Clark chega em Nova York pronta para recomeçar a vida, confiante de que pode abraçar novas aventuras e manter seu relacionamento a distância. Ela é jogada no mundo dos super-ricos Gopnik - Leonard e a esposa bem mais nova, e um sem-fim de empregados e puxa-sacos. Lou está determinada a extrair o máximo dessa experiência, por isso se lança no trabalho e, antes que perceba, está inserida na alta sociedade nova-iorquina, onde conhece Joshua Ryan, um homem que traz consigo um sopro do passado de Lou. Enquanto tenta manter os dois lados de seu mundo unidos, ela tem que guardar segredos que não são seus e que podem mudar totalmente sua vida. E, quando a situação atinge um ponto crítico, ela precisa se perguntar: Quem é Louisa Clark? E como é possível reconciliar um coração dividido?

TRILOGIA "COMO EU ERA ANTES DE VOCÊ"
    2.  Depois de Você
    3.  Ainda Sou Eu

NOTA DA RESENHISTA: ANTES DE INICIAR ESSA RESENHA, QUERIA AVISAR QUE TERÃO PEQUENOS SPOILERS DOS LIVROS ANTERIORES. ISSO É NECESSÁRIO PARA QUE VOCÊS POSSAM COMPREENDER ALGUMAS COISAS.

Jojo Moyes nasceu em 1968 e cresceu em Londres. Estudou jornalismo e foi correspondente do The Independentpor dez anos. Publicou seu primeiro livro em 2002, e desde então dedica-se integralmente à carreira de escritora. Além de Como eu era antes de você, é escritora de A última carta de amor, A garota que você deixou para trás e Um mais um, todos publicados pela Intrínseca.

 Acompanhamos Louisa Clark em sua jornada nos livros Como Eu Era Antes de Você e Depois de Você. No inicio, tínhamos uma jovem que vivia no interior, estava muito envolvida em ajudar a família e por isso seus sonhos eram deixados de lado. Até que Lou vai trabalhar como cuidadora de Will Traynor, um jovem que ficou preso em uma cadeira de rodas por causa de um acidente de moto. Eles vão acabar se envolvendo e Will vai ensinar muito sobre a vida para Lou. O primeiro livro é triste, mas serve para Louisa dar uma chance para coisas novas.
   Depois da morte de Will, Jojo resolveu fazer uma continuação. Necessária? Sim, como a leitora voraz que sempre espera mais dos personagens, acho que a continuação foi para ajudar a personagem a seguir em frente. Essa foi a melhor decisão que Jojo fez em relação aos livros. Depois de Você é basicamente a história de Louisa depois de Will Traynor. Jojo vai trabalhar uma personagem que está em busca do seu "viva bem". Louisa vai descobrir um novo amor, novas possibilidades e perceber que a dor da perda sempre vai ser sentida, mas cabe a nós saber lidar com ela e seguir em frente com nossas vidas.
   Assim que fiquei sabendo da notícia de um terceiro livro fiquei muito animada e também na expectativa. Louisa viveria bem como Will queria? Ainda Sou Eu é um livro sobre recomeço, sobre seguir em frente apesar de tudo. Depois que terminei de ler esse livro pude perceber uma coisa: Jojo não escreveu para falar sobre Will, Jojo escreveu livros sobre Louisa Clark, para falar sobre Louisa. Em Ainda Sou Eu, Lou vai aceitar morar em Nova York para ser acompanhante de uma jovem que não é aceita pela alta sociedade. A missão de Lou é estar presente em todos os momentos da vida de Agnes e ajudar como uma amiga. Nossa protagonista deixa seu namorado, sua vida e família na Inglaterra para procurar um novo recomeço em NY. Lou, finalmente, vai em busca do seu “VIVA BEM”.

“Acho você ainda mais incrível. Além de todos os motivos pelos quais eu te amo, você é corajosa e forte, e acaba de me lembrar que... todos nós temos nossos obstáculos. Vou superar o meu. Mas te prometo uma coisa a você, Louisa Clark. Ninguém vai machucar você de novo.” 

   Quando li o primeiro livro não foi amor à primeira vista, juro que a escrita da autora demorou fluir, mas quando peguei o segundo tudo mudou. Depois de Você foi incrível. Incrível em todos os sentidos. Se eu esperava ser surpreendida com Ainda Sou Eu? É claro! O livro não só me surpreendeu, mas fez com que essa leitora que vos escreve se tornasse uma apaixonada por Jojo Moyes (uma das melhores que tenho em minha estante).
   Somos envolvidos com a narração de Louisa e sentimos com ela seus medos e ansiedades. Gostei de ter acompanhado ela em todas as fases dos livros anteriores, e nesse último livro foi emocionante ver Louisa batendo as assas e voando, sendo ousada, corajosa e continuando a ser otimista, atenciosa e dona de uma bondade incalculável. Assim como no segundo livro, esse teve um ritmo de leitura muito bom, devorei casa página sem perceber o tempo passar. Jojo continua com sua escrita detalhista e emocionante — podem se preparar para muitas lágrimas porque foi impossível não chorar vendo a evolução dessa personagem tão querida.
   Algo que me chamou muita atenção foi que a autora nunca deixou Will de lado, ele sempre estava presente. As cartas que ele deixou foram essenciais para o crescimento de Lou. Will Traynor nunca será esquecido por nenhum de nós, ele foi fundamental para Louisa se encontrar e viver bem. Fiquei muito feliz com algumas cenas dos livros anteriores que foram citadas — isso aqueceu meu coração de uma forma única.
   Me surpreendeu muito a forma com que Jojo trouxe reviravoltas para esse livro. Adicionar outros personagens para que de forma indireta ajudarem Lou foi maravilhoso. Vocês vão conhecer uma senhorinha rabugenta, teimosa e toda trabalhada nas roupas de época. Ela vai roubar nossos corações e também o de Louisa. Jojo também fez questão de trabalhar todos os personagens secundários e a família de Lou vai encontrar novas coisas para se envolver, onde cada um vai surpreender o leitor de uma maneira diferente. Dar sequência na vida de Lou foi a melhor escolha que Jojo fez, já disse e repito, pois os dois livros que foram publicados como continuação mereceram ser lançados. Lou era uma personagem que tinha muito a aprender e muito a mostrar para o leitor, Jojo percebeu isso e nos presenteou com mais dois livros maravilhosos. Garanto que ficarão felizes em ver a Louisa que está perdida no primeiro livro crescendo e se tornando a Louisa que Will sempre imaginou que seria neste último livro.

“Não tem quase nenhum dia aqui em que eu não sinta que ele estaria orgulhoso de mim.”


Para os amantes de "Veronika Decide Morrer" e "O Alquimista", a editora Paralela publicou neste mês o novo romance de Paulo Coelho, e em seu livro mais autobiográfico, o autor nos leva a reviver o sonho transformador e pacifista da geração hippie. Confiram a capa e a sinopse:

Sinopse: Paulo é um jovem que quer ser escritor, deixa os cabelos longos e sai pelo mundo à procura da liberdade e do significado mais profundo da existência. Sua jornada começa com uma viagem pela América do Sul - passando por Machu Picchu, no Peru, Chile e Argentina - até o encontro com Karla, em Amsterdã, quando juntos resolvem ir até o Nepal no Magic Bus. No caminho, os companheiros vivem uma extraordinária história de amor, passam por transformações profundas e abraçam novos valores para suas vidas.Hippie é o vigésimo livro de Paulo Coelho, o autor mais traduzido em todo o mundo e que vem sendo publicado pela Paralela desde 2016.


Livro: O Perfume da Folha de Chá  
Título Original: The Tea Planter´s Wife 
Autor(a): Dinah Jefferies 
Editora: Paralela 
Páginas: 431
ISBN: 978-85-8439-046-5
Sinopse: Em 1925, a jovem Gwendolyn Hooper parte de navio da Escócia para se encontrar com seu marido, Laurencek no exótico Ceilão, do outro lado do mundo. Recém-casados e apaixonados, eles são a definição do casal aristocrático perfeito: a bela dama britânica e o proprietário de uma das fazendas de chás mais prósperas do império. Mas ao chegar à mansão na paradisíaca propriedade Hooper, nada é como Gwendolyn imaginava: os funcionários parecem rancorosos e calados, e os vizinhos, traiçoeiros. Seu marido, apesar de afetuoso, demonstra guardar segredos sombrios do passado e recusa-se a conversar sobre certos assuntos. Ao descobrir que está grávida, a jovem sente-se feliz pela primeira vez desde que chegou ao Ceilão. Mas, no dia de dar à luz, algo inesperado se revela. Agora, é ela quem se vê obrigada a manter em sigilo algo terrível, sob o preço de ver sua família desfeita.

Dinah Jefferies nasceu na Malásia e se mudou para a Inglaterra com nove anos. Trabalhou com educação e realizou obras como artista plástica. Seu primeiro livro foi publicado em 2014. O Perfume da Folha de Chá é seu segundo romance.

   Década de 1920. Aos dezenove anos, Gwendolyn Hooper tem um futuro considerado promissor para as mulheres de então. Recém-casada com Laurence, um belo e proeminente empresário do ramo dos chás, ela não vê a hora de chegar ao Ceilão, colônia britânica no Oriente, e começar sua vida de esposa e dona de casa dedicada na imponente fazenda Hooper. Por mais fascinante que seu novo lar seja — cercado por uma exuberância de flores, vegetação, lagos e montanhas —, não é fácil se adaptar aos costumes e a tensão social do Ceilão. A alta sociedade que à primeira vista parece acolhedora, é repleta de intrigas e gente interesseira. E não é menos preocupante o permanente conflito entre os trabalhadores da lavoura e os senhores das terras.
   Em pouco tempo, Gwendolyn começa a se sentir solitária e desconfortável em sua bela mansão. Com o passar dos dias, ela vai descobrindo uma série de pistas sobre o primeiro casamento de Laurence. Um baú escondido, cheio de vestidos empoeirados. Um pequeno túmulo, que indica ser de uma criança. Fragmentos de uma antiga vida conjugal repleta de tristeza e segredos. E eis que Gwendolyn recebe a feliz noticia de que está gravida. Mais do que nunca, ela quer deixar as inquietações de lado e se dedicar ao papel de mãe e esposa exemplar. Mas, ao dar à luz, ela depara com uma escolha inimaginável, que a atormentará para o resto da vida. Um drama familiar complexo e envolvente, que retrata a força do amor materno diante das mais devastadoras circunstâncias.  

"Ela respirou fundo, como se assim fosse capaz de absorver cada partícula da beleza que tinha diante de si: as flores perfumadas, o deslumbramento da vista, o verde luminoso dos morros com a plantação, o som dos pássaros. Era de deixar o queixo caído."


O quarto e último volume da série "A Rainha Vermelha", intitulado "Tempestade de Guerra" e escrito por Victoria Aveyard, teve sua capa nacional divulgada. A obra será publicada pela editora Seguinte, e tem previsão para chegar às livrarias no dia 18 de maio desse ano. A Universal comprou os direitos de adaptação de A Rainha Vermelha, sendo que seu roteiro já está sendo construído por Gennifer Hutchison e, provavelmente, será dirigido por Elizabeth Banks. Confira:

Sinopse: Mare Barrow aprendeu rápido que, para vencer, é preciso pagar um preço muito alto. Depois da traição de Cal, ela se esforça para proteger seu coração e continuar a lutar junto aos rebeldes pela liberdade de todos os vermelhos e sanguenovos de Norta. A jovem fará de tudo para derrubar o governo de uma vez por todas — começando pela coroa de Maven.Mas nenhuma guerra pode ser vencida sem ajuda, e logo Mare se vê obrigada a se unir ao garoto que partiu seu coração para derrotar aquele que quase a destruiu. Cal tem aliados prateados poderosos que, somados à Guarda Escarlate, se tornam uma força imbatível. Por outro lado, Maven é guiado por uma obsessão profunda e fará qualquer coisa para ter Mare de volta, nem que tenha que passar por cima de tudo — e todos — no caminho.

No aguardado desfecho da série A Rainha Vermelha, descubra qual poder sairá vencedor depois que a tempestade de guerra passar. A autora do livro, Victoria Aveyard, virá ao Brasil para a Bienal Internacional do Livro de São Paulo de 2018.


Livro: Ordem Vermelha: Filhos da Degradação
Autor (a): Felipe Castilho
Editora: Intrínseca
Páginas: 448
ISBN: 978-85-510-0269-8
Sinopse: Você destruiria seu mundo em nome da verdade? A última região habitada do mundo, Untherak, é povoada por humanos, anões e gigantes, sinfos, kaorshs e gnolls. Nela, a deusa Una reina soberana, lembrando a todos a missão maior de suas vidas: servir a Ela sem questionamentos. No entanto, um pequeno grupo de rebeldes, liderado por uma figura misteriosa, está disposto a tudo para tirá-la do trono. Com essa fagulha de esperança, mais indivíduos se unem à causa e mostram a Una que seus dias talvez estejam contados. Um grupo instável e heterogêneo que precisará resolver suas diferenças a fim não só de desvendar os segredos de Untherak, mas também enfrentar seu mais terrível guardião, o General Proghon, e preparar-se para a possibilidade de um futuro totalmente desconhecido. Se uma deusa cai, o que vem depois?Ordem Vermelha: Filhos da Degradação é o preâmbulo da jornada de quatro improváveis heróis lutando pela liberdade de um povo, um épico sobre resistir à opressão, sobre lutar contra o status quo e construir bravamente o próprio destino. Porta de entrada para um novo mundo com inspirações de fantasia medieval, personagens marcantes e uma narrativa que salta das páginas a cada vila, ruela e beco de Untherak.

Felipe Castilho é autor de livros de fantasia. Famoso pela série O legado folclórico, que une mitologia brasileira com o mundo dos videogames, foi indicado ao Prêmio Jabuti pelo quadrinho Savana de pedra. Ordem Vermelha: Filhos da Degradação é seu livro de estreia na editora Intrínseca, lançado em conjunto com Rodrigo Bastos Didier e Victor Hugo Souza durante a CCXP, em dezembro do ano passado.

    Una – este é o nome da deusa que reúne em si os seis primeiros deuses, aqueles que criaram o mundo e tudo o que nele existe. Eles criaram as montanhas, onde habitavam os gigantes. Criaram as cavernas, onde habitavam os anões. Criaram as águas, onde habitavam os gnolls (criaturas velozes, hábeis e silenciosas). Criaram os bosques e neles puseram os sinfos (seres pequenos e frágeis, que têm forte ligação com a natureza). Para os terrenos rochosos e selvas fechadas, fizeram os kaorshs (de forma humanoide, são criaturas altas e esguias com a capacidade de dar cor às coisas). Por fim, deram aos humanos as planícies, para que pudessem plantar, colher e amar tudo que era cultivado.
   Com o tempo, os humanos passaram a invejar as outras criaturas e disseminaram caos, que só resultou em morte, destruição e derramamento de sangue. Foi assim que os deuses condenaram todas as seis raças com fortes punições, transformando os gnolls em monstros irracionais, os sinfos tiveram seu tempo de vida reduzido, os anões ficaram confinados em cavernas, os kaorshs tiveram as cores presas em seus corpos como camaleões, os gigantes foram praticamente extintos, e os humanos se tornaram a mais fraca de todas as raças. Diante de tantos lamentos, o mundo foi chamado de Degradação e passou  ter apenas uma região habitável: Untherak.
    Os seis deuses, revoltados com o derramamento de sangue, proibiram a cor vermelha, e após todos esses eventos, se tornaram Una, uma só deusa. A partir daí o mundo tomou outro rumo e as raças passaram a servir Una e a adorá-la, vivendo em eterna servidão – em maior ou menor grau. O tempo passou, e essa foi a história contada durante séculos. Como forma de liberar a violência e promover um show para si e para o povo, Una criou o Festival da Morte, onde o pai de Aelian, um simples humano, foi morto quando ele ainda era pequeno. Depois de anos sem ouvirem falar no tal Festival, uma nova edição passa a ser organizada. 
    Algum tempo se passou, Aelian cresceu e se tornou um ótimo escalador, violador de regras e servo de um poleiro. Mas nunca esqueceu o que aconteceu com seu pai. Quando fica sabendo que duas kaorshs – as esposas Raazi e Yanisha – se inscreveram no Festival, e parecem dispostas a lutar até a morte como fez o seu pai, Aelian resolve ajudar e alertá-las do perigo. Porém, isso acaba desencadeando uma série de eventos que nem ele, nem as kaorshs, poderiam imaginar. Agora, mais do que nunca, eles precisam se unir a um grupo improvável de rebeldes e desmascarar o sistema que assolou o povo de Untherak desde o início dos tempos.

"Untherak era um corpo doente, como a maioria de seus moradores" (p. 377).

    Ouvi falar sobre Felipe Castilho no ano passado, quando concorreu ao prêmio Jabuti por Savana de Pedra. Quando soube que lançaria um livro na CCXP em dezembro do mesmo ano, fiquei animada, pois se tratava do primeiro livro lançado no evento e isso, claro, representou um grande avanço para a literatura nacional contemporânea. Já havia recebido a recomendação para ler Ordem Vermelha, pois gosto de todo tipo de fantasia, mas das muitas obras do gênero que li poucas foram nacionais. Antes mesmo de conhecer a história, o livro já despertou meu interesse, e após ouvir falar mais, o desejo de me aventurar pelas páginas dele só aumentou.
    A narrativa ocorre em terceira pessoa e tem como focos os protagonistas e alguns secundários, cujos pontos de vista alternam a cada capítulo. Ela é linear, porém, entrecortada por uma narração paralela, que mostra a continuação da história no futuro através dos olhos de um personagem misterioso, que só revela sua identidade no capítulo final – ela é mostrada ao fim de cada uma das partes (o livro é dividido em três). A escrita de Castilho é objetiva e bem formulada, encaixando-se bem naquilo que se espera de uma fantasia, conseguindo prender o leitor do início ao fim. A história segue um ritmo frenético – apesar de possuir clímax bem definido, conta com diversas cenas de ação.
   Como o próprio autor afirma em seus agradecimentos, é possível notar as várias referências utilizadas na obra – desde inspirações em produtos da cultura pop até referência a sistemas políticos e econômicos semelhantes ao Brasil. Trabalhando com diversas criaturas fantásticas como sinfos (muito parecidos com o que conhecemos como elfos ou fadas), anões e gigantes, foi impossível não lembrar de O Senhor dos Anéis e até da mitologia nórdica.
    Quando a história se referia ao funcionamento do governo de Una, baseado na adoração sem limites à deusa e na servidão cruel do povo, não pude evitar fazer ligações diretas com o tipo de governo brasileiro (o antigo e o atual) e outros governos tiranos ao redor do mundo. O pano de fundo da narrativa também lembra bastante o tempo medieval – e o que não falta para esse cenário são referências! O mais incrível é que Castilho conseguiu juntar todos esses elementos previamente concebidos e montar uma história cheia de originalidade.
    Cada personagem tem sua história para contar e seus dramas pessoais. Aelian é o que mais chama a atenção, pois acompanhamos seus passos desde o começo e sentimos junto com ele a perda dos pais – graças ao temido Festival da Morte. Apesar de ter todos os motivos para se encolher num canto e chorar, Aelian é ousado, destemido e ativo, sempre buscando telhados para pular e regras para quebrar. Ele é o tipo de personagem que vai amadurecendo aos poucos e consegue conquistar facilmente, mesmo sendo um “mocinho” nada típico: cheio de falhas e questões morais a serem resolvidas. Raazi, a kaorsh que ao lado da esposa resolve encarar o desafio na arena do Festival da Morte, é tão corajosa quanto boa lutadora, e minha personagem preferida da série até então.

"A música tocada dentro da cabeça era um segredo que ninguém poderia tirar dela, ao contrário do ouro e de tudo o mais que poderia ser roubado, vendido ou destruído.
– Quando uma música é ensinada a alguém, ela se torna capaz de viver mais que os nossos corpos" (p. 88).


Olá, leitores! Na coluna Li até a página 100 e... de hoje, apresentarei minhas primeiras impressões sobre o primeiro livro da Trilogia Ordem Vermelha: Filhos da Degradação, do brasileiro Felipe Castilho.


PRIMEIRA FRASE DA PÁGINA 100: "Ouviu um guincho vindo do céu crepuscular e estendeu o braço para o falcão pousar, com irrefutáveis penas negras presas ao bico".

DO QUE SE TRATA O LIVRO: Ele retrata um outro mundo – Untherak, a última região habitada –, onde humanos, kaorshs, gnolls, anões, gigantes e sinfos o habitam, tendo como único propósito servir à sua criadora: a deusa Una. Em tempos remotos, as criaturas se rebelaram e disseminaram o mal sobre a Terra, liberando a ira da deusa, que os condenou à servidão sob o peso dos Autoridades – aqueles que a representam. É no meio desse cenário que conhecemos Aelian, um jovem rebelde que perdeu seus pais no terrível Festival da Morte. Anos depois, o Festival voltará a acontecer e as esposas Yanisha e Raazi precisam fazer algo, pois carregam um grande segredo que mudará o destino de toda Untherak.

O QUE ESTÁ ACHANDO ATÉ AGORA?
Apesar de a história ainda estar envolta em muitos mistérios, estou achando sensacional. Não consegui pegar o ritmo da leitura, pois até então não está fluída, mas tenho que reconhecer que o universo criado por Castilho é original e encantador – características que já me fizeram valorizar a história.

O QUE ESTÁ ACHANDO DO PERSONAGEM PRINCIPAL?
Dois personagens se destacaram como protagonistas: Aelian e Raazi. Ambos são diferentes e têm motivações distintas, porém são conquistáveis à sua maneira. Ao mesmo tempo em que aparentam ser um livro aberto, eles ainda têm muito o que contar.

MELHOR QUOTE ATÉ AGORA:
"O tempo tem a capacidade de transformar tudo, exceto a si mesmo. Ele derruba muralhas, modifica raças, transfigura uma pessoa em outra e deturpa memórias. No entanto, será sempre o tempo". 

VAI CONTINUAR LENDO?
Claro! Além de estar fascinada pelo universo em que a história se passa (todo o cenário medieval me tira o fôlego só de imaginar) também estou curiosa sobre todas as coisas que ainda precisam ser desvendadas.

ÚLTIMA FRASE DA PÁGINA 100: "Por fim, percebeu que toda aquela montanha de alimentos eram só cebolas".


Livro: Todo Dia a Mesma Noite: A História Não Contada Da Boate Kiss
Autor (a): Daniela Arbex
Editora: Intrínseca
Páginas: 244
ISBN: 978-85-510-0285-8
Sinopse: Reportagem definitiva sobre a tragédia que abateu a cidade de Santa Maria em 2013 relembra e homenageia os 242 mortos no incêndio da Boate Kiss. Foram centenas de horas dos depoimentos de sobreviventes, familiares das vítimas, equipes de resgate e profissionais da área da saúde – ouvidos pela primeira vez neste livro –, para sentir e entender a verdadeira dimensão de uma tragédia sobre a qual já se pensava saber quase tudo. A autora construiu um memorial contra o esquecimento dessa noite tenebrosa, que nos transporta até o momento em que as pessoas se amontoaram nos banheiros da Kiss em busca de ar, ao ginásio onde pais foram buscar seus filhos mortos, aos hospitais onde se tentava desesperadamente salvar as vidas que se esvaíam. Foi também em busca dos que continuam vivos, dos dias seguintes, das consequências de descuidos banalizados por empresários, políticos e cidadãos. 

Daniela Arbex trabalha há 22 anos como repórter especial do jornal Tribuna de Minas. Suas investigações resultaram em mais de 20 prêmios nacionais e internacionais, entre eles três Essos, o IPYS de melhor investigação da América Latina e o Knight Internacional. Estreou na literatura com Holocausto brasileiro e em seguida lançou Cova 312, com os quais ganhou dois prêmios Jabuti. Recentemente, virou documentarista e seu filme Holocausto brasileiro ganhou as telas da HBO em 40 países. Daniela mora em Minas Gerais com o marido e o filho.

    Duzentos e quarenta e dois, 242 – parece apenas mais um número. Mas no dia 27 de janeiro de 2013 (e nos vários tormentosos dias que se seguiram), ele ganhou outro significado. Faz mais de cinco anos desde a tragédia da Boate Kiss em Santa Maria, que teve a capacidade de parar o Brasil e chamar a atenção como o quinto maior desastre do país, o segundo maior em número de vítimas em um incêndio, o maior do Rio Grande do Sul e o terceiro maior em casas noturnas do mundo. Sim, são muitos números. Mas os números nunca indicam a história por trás deles, e é isso que Todo dia a mesma noite se dispõe a fazer.
    Baseando-se em depoimentos dos sobreviventes, da equipe de resgate que atuou no acontecimento e dos familiares das vítimas, Daniela Arbex faz uma reconstituição dos eventos ocorridos naquele 27 de janeiro e busca ir além dos números. Ela conta as histórias dos jovens personagens que tiveram suas vidas brutalmente arrancadas – não apenas a deles, mas a de todos que estavam ao seu redor. A dor e a ânsia por justiça se encontram em cada palavra (dita e não dita). Cada uma das vidas ali perdidas tinham suas próprias histórias, seus próprios dramas e sentimentos. Arbex mostra que o país não estava preparado para algo de tamanha magnitude: não havia espaço para os corpos daqueles que morreram nem para os feridos, o que contrasta com a situação da boate naquela noite, que ocupava muito mais do limite suportado – a capacidade do local não passava de 691 pessoas, mas havia aproximadamente 1500 no momento do incêndio.
  Porém, Todo dia a mesma noite não traz apenas relatos dos personagens que passaram por essa tragédia. Ele também denuncia e reúne todos os fatos, mostrando que o incêndio na Kiss não foi um simples acidente, e sim uma série de erros e omissões por parte de todos os envolvidos. E quem pagou o maior preço foram aqueles que nada tiveram a ver com tais falhas. Desde que a boate entrou em funcionamento (no ano de 2009) sempre esteve desregularizada em algum aspecto, seja com relação ao Plano de Prevenção e Combate a Incêndio (PPCI) ou com o alvará de localização, levando a conclusão de que, dentro dos termos legais, a casa noturna não deveria estar em funcionamento naquele dia.

    Meu primeiro contato com uma obra de Daniela Arbex foi com Cova 312, a qual tive o prazer de resenhar aqui no blog, e se tornou um dos melhores livros de não-ficção que já li. Desde então, tenho acompanhado o trabalho da autora e admirado seu talento para lidar com as questões humanas de forma humanizada – o que parece óbvio, pois é assim que sempre devem ser tratadas, mas ao observar o ritmo do mercado jornalístico, percebemos que na prática não é isso que ocorre. Como falei no início, números parecem mais importantes na hora de relatar os acontecimentos, além de ser mais prático. Mas o que garante que as obras de Arbex – incluindo Todo dia a mesma noite – sejam tão especiais, é justamente o olhar e o tratamento que ela dá a cada detalhe que compõe a narrativa. Novamente, Arbex dá um exemplo de jornalismo e mostra que não é suficiente apenas apurar os fatos, mas também pôr sentimento no que está sendo escrito.
    A narrativa é crescente, porém não-linear. Com bastante fôlego, a escrita da autora segue um rumo onde todos os acontecimentos são retratados no momento certo. A cada capítulo, ela nos apresenta uma parte da história, mas não as finaliza ali. Todas têm um ponto de encontro à medida que o livro está chegando ao seu desfecho. Porém, esse desfecho ainda não é o fim da história e isso fica muito claro, ou seja, se daqui a uns anos outro livro seja escrito a respeito do incêndio da boate Kiss, talvez o rumo da narração dos fatos seja diferente. Claro que algumas coisas jamais podem mudar, mas os processos ainda seguem e os pais das vítimas continuam lutando por justiça ao lado de todo o Brasil.

"O trabalho dos legistas junto às vítimas seguiu silencioso durante quase todo o período, mas, de tempos em tempos, podiam-se ouvir lamentos que quebravam a dureza da função. Nenhum mecanismo de proteção os isentou de chorar por Santa Maria e por tudo o que a soma de vítimas naquele ginásio representava: mais de 9 mil anos potenciais de vida perdidos, considerando a expectativa dos brasileiros de 75 anos. Não havia como ficar imune ao sofrimento provocado pela tragédia. Naquele domingo, a cidade inteira tinha seu coração preso dentro de um ginásio" (p. 104-105).


   A escrita é sucinta e objetiva, como toda reportagem deve ser. Porém, também segue a linha do jornalismo literário, em que encontrar o coração do leitor para tocá-lo e sensibilizá-lo é um dos principais objetivos. Todos os relatos tem o maior número possível de detalhes, é possível perceber toda essa dedicação e cuidado ao tratar dos casos. Falas e descrições foram reconstituídas para passar mais realismo e credibilidade, além de prender o leitor. A autora também tem como foco os objetos e o valor que cada um deles tinha para a vida das vítimas e de suas famílias – como o jovem Augusto, filho adotivo que levou a identidade por recomendação de sua mãe para que não fosse confundido com outra pessoa numa abordagem da polícia, e algumas horas depois essa mesma identidade fez com que seu corpo fosse reconhecido; ou como o celular da jovem que tinha 134 ligações não atendidas da mãe; ou ainda como Lucas Dias, que tinha um orgulho exacerbado de seu estado gaúcho, costumava usar roupas típicas da região, e acabou sendo enterrado com elas, além de ter a bandeira do Rio Grande do Sul estendida sobre seu caixão; ou talvez a última cartinha que Vitória escreveu para o Papai Noel, em 2012, um mês antes de sua morte, onde usou seu humor para pedir um camaro amarelo. 
   Todos esses detalhes fazem com que o leitor envolva-se profundamente nas histórias, e isso é o mais devastador. Compartilhei um pouco da dor das famílias e dos dramas de cada uma das vítimas retratadas. Isso fez com que me perguntasse o tempo todo o que teria acontecido se todos ainda estivessem vivos, se aquele sinalizador não tivesse sido acendido pelo vocalista da banda Gurizada Fandangueira (será que era só uma questão de tempo, como se fosse preciso uma tragédia ocorrer para chamar a atenção das autoridades?), se os donos da Kiss tivessem sido mais responsáveis e cumprido com todas as normas, se a fiscalização no Brasil fosse mais eficaz... São diversas perguntas que ficarão para sempre sem respostas.
    Porém, o trabalho de Arbex não parou por aí. Ela também mostra como estão hoje as famílias e amigos das vítimas, como estão tentando lidar com a morte delas. Ninguém saiu ileso de sofrer com as lembranças da tragédia, inclusive os profissionais que trabalharam em torno do caso. Muitos tiveram que recorrer a tratamentos psicológicos e psiquiátricos para tentar retomar suas vidas da melhor forma possível. Outros ainda usam o luto como luta – para parafrasear o lema "Do luto à luta" usado para fortalecer as esperanças daqueles que ainda esperam a justiça funcionar e punir os processados pelo caso. Mais de cinco anos se passaram, mas Todo dia a mesma noite é a maior prova de que todo dia é 27 de janeiro de 2013 para aqueles que ainda sofrem com as terríveis perdas daquela madrugada.


"Para quem perdeu um pedaço de si na Kiss, todo dia é 27. É como se o tempo tivesse congelado em janeiro de 2013, em um último aceno, na lembrança das últimas palavras trocadas com os entes queridos que se foram, de frases que soarão sempre como uma despedida velada" (p. 185).


Olá, leitores! Na coluna Li até a página 100 e... de hoje, apresentarei minhas primeiras impressões sobre o livro do brasileiro Aliel Paione, Sol e Sonhos em Copacabana.


PRIMEIRA FRASE DA PÁGINA 100: "Jean-Jacques entrou no quarto em que deixara Verônica, e parou um instante, admirando-a".

DO QUE SE TRATA O LIVRO: O livro tem como pano de fundo a Copacabana dos anos 1900 e gira em torno de Jean-Jacques Chermont Vernier, um jovem diplomata que chega ao Brasil por meio de uma transferência em seu emprego na França. Assim, ele une o útil ao agradável, já que sempre sonhou em conhecer as terras brasileiras desde os tempos de criança, em que seu avô lhe contava histórias do país tropical. Inteiramente encantado pelas riquezas naturais do Brasil – tanto quanto decepcionado pelo seu cenário político – ele acaba por se apaixonar pela bela Verônica, uma das prostitutas do famoso cabaré Mère Louise.

O QUE ESTÁ ACHANDO ATÉ AGORA?
A escrita de Paione é bastante polida e é muito prazeroso perceber todas as referências literárias que ele usou na obra. As descrições são detalhadas de maneira tão onírica, como se o Brasil fosse um verdadeiro paraíso. Porém, a realidade também bate à porta e Paione também retrata a situação política e econômica de um país que tinha tudo para funcionar bem, mas que, nas mãos da elite ambiciosa e egoísta, se torna fadado ao fracasso.

O QUE ESTÁ ACHANDO DO PERSONAGEM PRINCIPAL?
Jean-Jacques é um romântico sonhador. Educado, é capaz de manter uma boa conversa com todos os que cruzam seu caminho, é apaixonado pelas pessoas e pelas belezas que o Brasil carrega, sabendo enaltecer cada uma delas – mais que os próprios brasileiros. Ele é do tipo que vive intensamente, é extremamente romântico e cavalheiro, especialmente quando se trata de Verônica, por quem nutre um amor repentino e avassalador. Até o momento, Jean me conquistou, pois apesar de sua visão cheia de esperanças e sonhos, ainda mantém os pés no chão.

MELHOR QUOTE ATÉ AGORA:
"A vida é um risco, Verônica! E viver é sempre apostar na felicidade; mesmo que ela não venha, a sua busca nos consola e nos engrandece. O trágico é sonhar com o passado, é imaginar as possibilidades não vividas e que não voltam jamais". 

VAI CONTINUAR LENDO?
Sim, estou bastante empolgada para saber como terminará o romance impossível entre Jean e Verônica e como Paione descreverá o cenário político que se desenrolará – entre erros e acertos.

ÚLTIMA FRASE DA PÁGINA 100: "Intensamente excitada, recuou três passos, até a cabeceira da cama, e olhou para ele em êxtase".


Olá, leitores! Bem-vindos a mais um post da coluna Quotes de Quarta, onde compartilhamos com vocês os melhores trechos dos livros que lemos. Espero que curtam os quotes de hoje:




"Mas, simplesmente, não havia substituto para a perda de um homem que era o companheiro da minha alma, meu melhor amor, meu amante, a única coisa em que eu confiava num mundo nada confiável".
— Melancia (Marian Keyes).



"É tão fácil se esquecer de como o mundo é cheio de pessoas, lotado, e cada uma delas é imaginável e sistematicamente mal interpretadas".
— Cidades de Papel (John Green).


"Não se esforcem demais para ser uma casal perfeito, meu amor. Não fiquem se metendo na vida um do outro; não tenham medo de discutir, de calar a boca ou de contar umas mentirinhas bobas; ajude na limpeza; não deixe cuecas sujas do avesso largadas no chão; abaixe o assento na privada; compre flores para Ivy uma vez por mês e lhe dê um beliscão na bunda uma vez por semana. O resto é com você."
— Nós Dois (Andy Jones).


A editora Intrínseca anunciou recentemente para 09 de abril o lançamento da versão graphic novel de Deuses Americanos, o grande clássico de Neil Gaiman, adaptado recentemente pela Amazon. Confira a capa e a sinopse abaixo:


Sinopse: Mistura de road trip, fantasia e mistério, o romance Deuses americanos alçou Neil Gaiman à fama mundial e ao posto de um dos maiores escritores de sua geração. Agora, os fãs de quadrinhos e da obra-prima do autor têm mais um motivo para celebrar: chega às livrarias o primeiro volume das graphic novelsinspiradas em Deuses americanos. Ao todo, serão três volumes. Em Sombras, as cores e os traços vibrantes de P. Craig Russell e Scott Hampton nos apresentam Shadow Moon, um ex-presidiário de trinta e poucos anos que acabou de sair da prisão e descobre que sua mulher morreu em um acidente de carro. Sem lar, sem emprego e sem rumo, ele aceita trabalhar para o enigmático Wednesday e embarca em uma viagem tumultuada e reveladora por cidades inusitadas dos Estados Unidos. É nesses encontros e desencontros que o protagonista se depara com os deuses - os antigos (que chegaram ao Novo Mundo junto dos imigrantes) e os modernos (o dinheiro, a televisão, a tecnologia, as drogas) -, que estão se preparando para uma guerra que ninguém viu, mas que já começou. O motivo? O poder de não ser esquecido.



Livro: Dias de Despedida
Título Original: Goodbye Days
Autor(a): Jeff Zentner
Editora: Seguinte
Páginas: 392
ISBN: 9788555340635
Sinopse:  "Cadê vocês? Me respondam."Essa foi a última mensagem que Carver mandou para seus melhores amigos, Mars, Eli e Blake. Logo em seguida os três sofreram um acidente de carro fatal. Agora, o garoto não consegue parar de se culpar pelo que aconteceu e, para piorar, um juiz poderoso está empenhado em abrir uma investigação criminal contra ele. Mas Carver tem alguns aliados: a namorada de Eli, sua única amiga na escola; o dr. Mendez, seu terapeuta; e a avó de Blake, que pede a sua ajuda para organizar um “dia de despedida” para compartilharem lembranças do neto. Quando as outras famílias decidem que também querem um dia de despedida, Carver não tem certeza de suas intenções. Será que eles serão capazes de ficar em paz com suas perdas? Ou esses dias de despedida só vão deixar Carver mais perto de um colapso — ou, pior, da prisão?

Jeff Zentner começou escrevendo músicas. Cantor e guitarrista, já gravou com Iggy Pop, Nick Cave e Debbie Harry. Passou a se interessar pela literatura jovem adulta depois de trabalhar como voluntário em acampamentos de rock no Tennessee. Morou no Brasil por dois anos, na região da Amazônia, e hoje vive em Nashville com a esposa e o filho.

   Desde que começou o ensino médio na Academia de Artes de Nashville, os momentos favoritos de Carver Briggs são as tardes livres que passa com seus melhores amigos, tomando milk-shake no parque e fazendo piada sobre tudo. Não que o garoto não goste das aulas — seu talento para escrita é reconhecido no colégio —, mas imaginar sua vida sem a companhia de Mars, Eli e Blake é impossível. Até as últimas férias. Os três amigos iam buscar Carver para mais uma tarde juntos, mas morreram em um acidente de carro no caminho, logo depois de Carver mandar uma mensagem de texto para Mars, que estava dirigindo. O celular é encontrado com uma resposta digitada pela metade, e agora as famílias dos garotos estão divididas: teria sido a mensagem o motivo do acidente? 
   Um novo ano letivo está prestes a começar e, além de ter de lidar com o luto, a saudade e a culpa, Carver também precisa enfrentar as ameaças do juiz Edwards, pai de Mars, que pretende investigar o caso criminalmente. O juiz tem ao seu lado Adair, a irmão gêmea de Eli, que faz questão de acabar com a reputação de Carver no colégio. Por outro lado, o garoto conta com o apoio da própria família, especialmente sua irmã Georgia, que o convence a fazer terapia
   Na escola, ele também não está sozinho: Jesmyn, que namorava Eli, é sua nova amiga — mas a proximidade entre os dois acaba por alimentar ainda mais os boatos de Adair. Enquanto tenta conviver com tudo isso, Carver precisa decidir se vai atender a um pedido da avó de Blake. Como não teve oportunidade de dizer adeus ao neto, vovó Betsy quer promover um dia de despedida, no qual Carver a acompanharia em todas as atividades que ela gostaria de ter feito com Blake no último dia de vida dele. De repente, as famílias de Eli e Mars também embarcam nessa ideia, colocando o garoto em uma montanha-russa emocional. 

   Confesso que Dias de Despedida me chamou atenção desde que foi anunciado como "uma leitura indispensável para os fãs de Jennifer Niven e John Green" — e, pessoal, a Seguinte não poderia estar mais certa ao recomendar e publicar esse young-adult. Jeff Zentner consegue ser ainda mais original, sensível e criativo que Green e Niven, dois autores com PhD na criação de uma literatura que representa libertação — uma consulta com um terapeuta chamado verdade que conta com a ajuda de uma psicóloga chamada vida. Sinceramente, não confio muito em minha capacidade de colocar em palavras tudo o que esse livro me ensinou, tudo que ele me fez sentir e tudo o que causou em minha vida — só sei que os danos foram (e sempre serão) irreparáveis! 
   Mergulhei de cabeça em Dias de Despedida e, a bem da verdade, ele não foi feito para se ler em uma única sentada. Não, ele tem toda uma poesia, toda um calma e todo um cuidado com o luto, a dor e suas diversas manifestações e, por isso, tece cuidadosamente uma trama que nos faz lembrar do porquê de amarmos tanto a literatura jovem-adulto. Ainda assim, você inicia a leitura sem pretensão alguma e quando se dá conta já está lendo há várias e várias horas, sorrindo, chorando e sem conseguir parar de pensar na obra. É mais ou menos isso que acontece quando se lê o livro aqui resenhado, e é impossível, ao terminar a leitura, você ser o mesmo de quando a iniciou.

"Há vida por toda a parte. Pulsando, zunindo. Uma grande roda que gira. Uma luz que se apaga aqui, outra substitui ali. Sempre morrendo. Sempre vivendo. Sobrevivemos até não não sobrevivermos mais. Todos esses fins e começos são a única coisa realmente infinita".

   Mais acima, eu comentei que Zentner consegue ser tão criativo quanto alguns dos expoentes da literatura jovem-adulto e, bem, eu não estava mentindo. O autor é um poeta e para inserir toda essa sensibilidade em sua obra, ele contou com a ajuda de Carver, um protagonista que, feito a imagem de seu criador, é um poetista muito talentoso. Resumindo: vocês não têm ideia da maestria com que a obra é narrada. Se ajuda na compreensão, é como ler uma grande poesia feita em prosa — nos momentos mais emotivos e profundos, parece que o personagem está conversando diretamente com o leitor, como se fosse um de nossos melhores amigos. Em entrevista exclusiva ao Sooda Blog, o autor norte-americano chegou, inclusive, a comentar sobre as razões que o levaram a criar uma obra tão poética como Dias de Despedida, afirmando que ama a poesia, as palavras e as frases musicais e que acredita que as palavras devem nos mudar e tocar nossos corações.
   Zentner foi genial ao desenvolver o livro e eu acredito fielmente que essa obra merece uma grande e sensível adaptação cinematográfica. Nas entrelinhas do young-adult, o autor deixa claro a importância de nos apegarmos a vida e valorizarmos cada momento ao lado das pessoas que amamos, pois, a bem da verdade, ninguém sabe ao certo o que o futuro reserva. Hoje podemos estar sorrindo pela presença de nossos amigos e, amanhã, chorando pela ausência deles. É exatamente quando o leitor compreende isso que a obra se torna algo mais especial — uma leitura que, nas palavras de Becky Albertalli, destrói, recompõe e definitivamente nos transforma. 
   O livro intercala presente e flashbacks com uma maestria incrível para um romance de estreia na literatura jovem-adulto e Jeff Zentner consegue convencer o leitor, da primeira à última página, de que sabe exatamente o que está fazendo, como está fazendo e para quê está fazendo — me tornei um admirador de sua escrita e mal posso esperar pelos futuros livros do autor. Meu desejo hoje, de todo o coração, é que mais e mais pessoas tenham contato com essa literatura que dialoga de forma sensível com todos aqueles que sofreram (e sofrem) com a dor da perda e prepara o coração daqueles que, mais cedo ou mais tarde, também verão os amigos, familiares ou os amores desaparecerem, apagando-se como o dia, rumo à escuridão.
   Para ser extremamente sincero, uma das melhores qualidades de Dias de Despedida — depois do caráter poético — é a originalidade. Muitos autores já trabalharam com a dor da perda, com a culpa, com o luto e com a tristeza, mas poucos fizeram um trabalho bem feito que focasse exclusivamente nisso. E isso comove. Isso sensibiliza. Isso despedaça o leitor. Isso ensina e acima de tudo nos transforma em pessoas com uma capacidade melhor de se colocar no lugar dos outros e nos permite compreender melhor a dor daqueles que estão ao nosso redor.

"Este dia aguçou tudo o que eu vinha sentindo nas últimas semanas. A Culpa. O luto. O medo. Afiou esses sentimentos até ficarem cortantes e ardentes. Mas, por outro lado, tirou um pouco daquela pontada e a substituiu por uma sensação pesada de ausência. Enquanto o luto é um sentimento mais ativo - um processo de negociação -, a ausência parece o luto com uma dose de aceitação."


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