Livro: A Febre do Amanhecer 
Título Original: Hajnali láz
Autor(a): Péter Gárdos 
Editora: Companhia das Letras 
Páginas: 216
ISBN: 978-85-359-2875-4
Sinopse: Julho de 1945. Miklos é um jovem húngaro de 25 anos que sobreviveu ao campo de concentração e foi levado para a Suécia para recuperar a saúde. Mas logo os médicos o desenganam: ele tem os pulmões comprometidos e conta com poucos meses de vida. Miklos, porém, tem outros planos. Ele não sobreviveu à guerra para morrer num hospital. Após descobrir o nome de 117 jovens húngaras que também se encontram em recuperação na Suécia, ele escreve uma carta a cada. Uma delas, ele tem certeza, se tornará sua esposa. Em outra parte do país, Lili lê a carta de Miklos e decide responder. Pelos próximos meses, os dois se entregam a uma correspondência divertida, inusitada, cheia de esperança. Baseado na história real dos pais do autor, A febre do amanhecer é um romance vibrante e inspirador sobre a vontade de amar e o direito de viver.

Péter Gárdos nasceu em Budapeste, em 1948. É diretor de teatro e cinema, tendo recebido diversos prêmios internacionais. A Febre do Amanhecer, seu primeiro romance, foi publicado em mais de trinta países e adaptado para o cinema.

   Em julho de 1945, o jovem húngaro Miklós chega à distante e gelada ilha Gotland, na Suécia, após ter sido liberado dos horrores vividos no campo de concentração de Bergen - Belsen. No país nórdico, ele passa seus dias em uma cama de hospital tentando se curar de tuberculose, enquanto a Europa se reconstrói depois da guerra. Dos médicos o jovem recebe uma segunda sentença de morte: por ter os pulmões comprometidos, o sobrevivente de vinte e cinco anos conta com poucos meses de vida. Micklós, porém, tem outros planos: encontrar uma boa moça húngara para ser sua esposa. 
   O rapaz decide, então, escrever para cento e dezessete conterrâneas também em recuperação na Suécia. Uma delas - ele tem certeza - será sua futura noiva. Entre a centena de cartas, uma era endereçada a Lili Reich, uma jovem de dezoito anos presa à cama de um hospital por problemas renais decorrentes dos terrores que viveu durante o Holocausto. Essa inusitada correspondência, de um jovem desconhecido de caligrafia bonita, rapidamente se torna principal fonte de alegria dela. 
   Das cinzas da guerra nasce um amor capaz de fazê-los recuperar a esperança de seguir em frente. Pelos próximos seis meses, os dois preencham os dias de convalescença se entregando a uma troca de cartas apaixonada, que acaba por diminuir a distância entre eles e entre sua terra natal. A Febre do Amanhecer, romance inspirado na relação entre os pais do autor Péter Gardós, narra a promessa de um futuro melhor no pós-guerra. Essa história apaixonante, capaz de emocionar gerações de leitores, retrata a vitória do amor diante do sofrimento.

"O amor é uma coisa ótima. O casamento sela o amor."

   Assim que vi essa capa me apaixonei. Um casal se apaixonar sem se conhecer pessoalmente? Logo fiquei intrigada e muito curiosa para conhecer o livro. Histórias de amor que trazem a guerra como fundo de enredo sempre chamam minha atenção. Depois que descobri que a história era real, minha expectativas ficaram ainda maiores. Nunca tinha lido nada da literatura húngara, então todos os fatores estavam cotando como ponto positivo para ser uma ótima leitura — e tenho que contar que não me arrependi! Esse livro vai para lista de favoritos da vida, uma obra inesquecível.
   Toda a história é narrada por Péter Gárdos  filho dos protagonistas , e ele vai contando a história de amor de seus pais de uma forma calma e emocionante. A escrita dele é muito boa, as cartas que ele foi colocando na íntegra deixaram o leitor ainda mais próximos da história e dos personagens. Confesso que senti falta de detalhes sobre a guerra e outras coisas, mas isso foi preenchido com boas doses de romance e, claro, as cartas, visto que desde o inicio esse era o foco principal do livro.    
   Construir a história de amor de seus próprios pais não deve ter sido nada fácil, ainda mais se baseando em cartas que foram trocadas muitos anos atrás. Gárdos estreou com o pé direito, seu livro é emocionante e acima de tudo, real. A Febre do Amanhecer é um livro muito especial, apesar do sofrimento e da dor, um sentimento forte surgiu entre duas pessoas que estavam a beira da morte e esse sentimento durou uma vida. Me chamou muita atenção a forma carinhosa com que Gárdos vai guiando a história — ele teve todo o cuidado de dar continuidade a cronologia das cartas, sem deixar o leitor confuso em relação ao sentimento e possibilitando também que vissemos a verdade no romance que estava nascendo.    


"Assim, venha com a leveza de uma borboleta apenas com um sorriso nos lábios. Procure você mesma, onde a dor já se transformou em gelo. Apenas acaricie com seu calor, para que em meu coração vire orvalho."     

   Miklós tem vinte e cinco anos, é jornalista e poeta  dos bons, essa poesia acima é dele , e apesar de bem doente escreve cento e dezessete cartas  custei acreditar na quantidade , em busca de uma esposa. Em algumas parte do livros, os personagens conversam sobre política e achei pouco atrativo, principalmente a convicção de Miklós em estar sempre certo. Lili é muito fofa, tem dezoito anos e também carrega vários problemas de saúde e pessoais pós-guerra. Essa é basicamente a profundida que o autor mostra dos personagens, sendo que algumas coisas foram apenas citadas e eu senti que poderia ter sido um pouco mais trabalhadas. Os personagens secundários também me agradaram bastante. Miklós e Lili tem amigos super legais e até traidores. A forma que eles foram envolvidos no enredo deu mais profundidade e conflitos para o livro, e preciso dizer que amei a Sara, uma amiga fofa, doce e super atenciosa. A amiga verdadeira que respeitamos! 
   Me chamou bastante atenção e até me incomodou, de certa forma, o fato do autor sempre se dirigir ao pai como "pai", mas quando ia falar de sua mãe sempre tratava ela pelo nome. Não entendi o porquê dessas coisas, mas a impressão era que Gárdos tomava partido do pai durante todo o tempo. A história e si é perfeita, mas em algumas páginas eu me senti confusa, o autor mudava o foco da narração constantemente e acho que isso me deixou perdida em alguns trechos. No entanto, achei a história maravilhosa, emocionante e como eu já disse, inesquecível. Minhas pequenas considerações talvez se deem pelo fato do autor ter se baseado nas cartas, sendo que provavelmente essas partes confusas também estavam lá e ele queria mostrar de alguma forma para o leitor. 
   Eu já falei que amei essa capa, né? Cada especificidade dela remete a vários detalhes mostrados no livro. Até o titulo tem um porquê muito importante para os personagens. A Companhia das Letras fez um trabalho incrível e impecável tanto na capa e os detalhes, quanto na tradução do livro. A Febre do Amanhecer foi traduzido direto do húngaro para o português, e isso fez o livro ser ainda mais especial. Não vi defeitos na tradução e nem na diagramação. Tudo está perfeito.
   Por fim, quero ressaltar que A Febre do Amanhecer está separado em um cantinho especial aqui da estante. Às vezes é fácil dizer que se ama alguém que sempre está do nosso lado, nos apoiando e estando sempre presente, mas dizer eu te amo para uma pessoa que te encanta com cartaz não e fácil, mas também não é impossível. Miklós e Lilli protagonizaram uma das histórias mais linda e verdadeira que já li até hoje. Amei cada carta, poesia e até mesmo as partes chatinhas. Por favor, leiam!


Primeiro Parágrafo: "Meu pai chegou á Suécia de navio num dia chuvoso de verão."
Melhor Quote: "Já faz trinta horas que minha vida
                         corre sobre trilhos ardentes sem fim.
                         Olhei-me no espelho e é tão estranho
                         que agora sou simplesmente feliz."


Olá, leitores! Bem-vindos a mais um post da coluna Quotes de Quarta, onde compartilhamos com vocês os melhores trechos dos livros que lemos. Espero que curtam os quotes de hoje:


''Não é só a beleza, embora isso não atrapalhe. É... é... droga, não sei nem explicar. Ela tem essa casca dura, mas por dentro é mole feito manteiga. Vejo lampejos de vulnerabilidade naqueles profundos olhos escuros e tudo o que quero é... cuidar dela.''
— A Conquista (Elle Kennedy).



"Os estereótipos de gênero são tão profundamente incutidos em nós que é comum os seguirmos mesmo quando vão contra nossos verdadeiros desejos, nossas necessidades, nossa felicidade. É muito difícil desaprendê-los, por isso é importante cuidar para que Chizalum rejeite esses estereótipos desde o começo. Em vez de deixá-la internalizar essas ideias, ensine-lhe autonomia. Diga-lhe que é importante fazer por si mesma e se virar sozinha. Ensine-a a consertar as coisas quando quebram. A gente supõe rápido demais que as meninas não conseguem fazer várias coisas. Deixe-a tentar. Ela pode não conseguir, mas deixe-a tentar."
— Para Educar Crianças Feministas (Chimamanda Ngozi Adichie).



"Os chapéus elaborados parecem majestosos para nós, mas, no fim das contas, aquelas pessoas estavam apenas matando umas às outras. Todas as guerras são travadas pelo mesmo motivo. Por causa disso, são todas a mesma guerra".
— Piano Vermelho (Josh Malerman).


Olá, leitores! A coluna Li Até a Página 100 e... de hoje traz um clássico da ficção científica: O Livro do Juízo Final, de Connie Willis, uma das maiores escritoras do gênero. Aqui vocês podem conferir minhas primeiras impressões sobre essa obra:


PRIMEIRA FRASE DA PÁGINA 100: "Estava carregando um maço de papéis de diferentes cores".

DO QUE SE TRATA O LIVRO: Kivrin Engle é uma jovem estudante e pretende um dia ser uma grande historiadora. Ela vive em 2054, quando viagens no tempo já haviam se tornado reais. Seu maior sonho é poder voltar para a época da Idade Média – e ela enfim consegue realizar esse desejo. Porém, sua viagem não é tão simples como imaginava. Várias complicações ocorrem tanto na Inglaterra do século XIV quanto na do século XXI. Kivrin e Badri, o técnico que comandou sua viagem, estão seriamente doentes e a realidade pré-existente pode ser irremediavelmente afetada.

O QUE ESTÁ ACHANDO ATÉ AGORA?
Todos os detalhes da história parecem muito interessantes. Willis criou uma trama bastante original, mas até a página 100, a situação não evolui muito. Conhecemos um pouco de cada personagem e do universo futurista de 2054 em que vivem. Mas ainda não ganhou aquele ritmo frenético que normalmente espero ver em ficções científicas, e, apesar de as complicações começarem a surgir, nada ficou muito claro.

O QUE ESTÁ ACHANDO DO PERSONAGEM PRINCIPAL?
Neste caso, trata-se de Kivrin, mas ainda não houve muitos capítulos sobre ela. Espero poder conhecê-la melhor, pois, pela visão que Dunworthy, seu tutor, tem dela, parece uma personagem muito interessante e com grande potencial de ser protagonista dessa história: jovem, sonhadora e determinada – tudo o que se quer ver numa personagem principal. Até então, Dunworthy parece mais protagonista que ela.

MELHOR QUOTE ATÉ AGORA:

Quando eu tinha dezenove anos... isso foi, ah, Deus, quarenta anos atrás... bom, nem parece tanto tempo assim... viajei com minha irmã pelo Egito inteiro – disse ela. – Foi durante a Pandemia. Por toda parte os governos estavam declarando quarentenas, e os israelenses atiravam nos americanos sem aviso prévio, mas a gente não ligava. Acho que nem chegamos a cogitar a ideia de que podíamos estar correndo perigo, podíamos adoecer ou ser confundidas com americanos. Mas tudo o que queríamos era conhecer as pirâmides.

VAI CONTINUAR LENDO?
Sim, apesar de ainda não ter me prendido, sou uma grande fã de todo tipo de ficções científicas e tenho muita curiosidade de conhecer ainda mais esse universo criado por Willis (e que também conta com o clima de Idade Média).

ÚLTIMA FRASE DA PÁGINA 100: "Dunworthy pensou em Finch e nas sineiras que estariam sem dúvida esperando por ele no portão do Balliol, com invocações e Escrituras".


Livro: A Grande Saída: Saúde, Riqueza e as Origens da Desigualdade
Título Original: The Great Escape
Autor(a): Angus Deaton
Editora: Intrínseca
Páginas: 335
ISBN: 978-85-510-0181-3
Sinopse: Angus Deaton afirma que vivemos melhor hoje do que em qualquer outro período da história. As pessoas são mais saudáveis, mais ricas e a expectativa de vida continua a aumentar. Paradoxalmente, o fato de tantos indivíduos terem conseguido escapar da pobreza também gerou desigualdades; e a disparidade entre países desenvolvidos e em desenvolvimento se estreitou, mas não desapareceu. Em A grande saída, um dos maiores especialistas em estudos sobre pobreza recua 250 anos para traçar a impressionante história de como diversas regiões do mundo vivenciaram um progresso significativo e, assim, abriram abismos que levaram ao cenário extremamente desigual de hoje. O estudo aprofunda-se nos padrões históricos e atuais por trás das nações ricas e com boas condições de saúde, e aborda o que é preciso fazer para ajudar os países que ficaram para trás.

Angus Deaton nasceu em Edimburgo, na Escócia, em 1945. Já lecionou na Universidade de Cambridge e na Universidade de Bristol. Em 2009, foi presidente da Associação Americana de Economia, e, em 2015, eleito membro da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos. No mesmo ano, foi agraciado com o Prêmio Nobel de Economia por seus estudos sobre pobreza, desigualdade, saúde, bem-estar e desenvolvimento econômico. Em 2016, foi nomeado cavaleiro da realeza britânica por sua dedicação à economia e às relações internacionais. Atualmente, é professor desses campos de estudo em Princeton.

   O mundo cresceu e se desenvolveu muito ao longo dos últimos anos. A globalização trouxe vários benefícios a nossa sociedade e nos aproximou mais uns dos outros. Vários povos saíram da marca da pobreza extrema. O número de pessoas que passam fome diminuiu. Porém, malefícios ainda podem ser notados. A desigualdade é evidente: seja em países considerados desenvolvidos, em desenvolvimento ou mesmo os que ainda são classificados como pobres. Após muitas crises, o crescimento econômico em países como China, Índia, Brasil, África do Sul e até mesmo Estados Unidos, pode parecer realmente incrível. Porém, Angus Deaton se dispõe a mostrar que nem tudo está tão bem, afinal, nesses países, o dinheiro se concentra nas mãos de poucos – coincidentemente, no último dia 25 saiu uma pesquisa sobre a desigualdade de renda no Brasil (veja aqui a matéria sobre o estudo) que só prova o quanto o abismo entre ricos e pobres vem se intensificando.
   Sem dúvida as coisas estão melhores hoje do que há alguns anos. A expectativa de vida aumentou 50% desde 1900 e ainda está aumentando. Apesar da explosão populacional resultante, a qualidade média também aumentou. A proporção de pessoas que vivem com menos de um dólar por dia (em termos ajustados pela inflação) caiu de 42% para 14% em 1981. Mesmo que a desigualdade tenha aumentado em muitos países, a desigualdade global provavelmente caiu, graças em grande parte a ascensão da Ásia. Mas A grande saída ressalta que não podemos ignorar que boa parte de grupos sociais não veem o progresso de perto.
   Deaton faz uma rememoração e volta para os tempos antigos, quando nossos ancestrais primitivos andavam sobre a Terra. De acordo com os estudos apresentados, muitos de seus costumes levaram o ser humano a ser o que é hoje – retrata a passagem do homem caçador para o homem agricultor. Ele também desmembra os mais diversos tipos de dados: desde censos do século XVII até as pesquisas sobre bem-estar atuais. E hoje, com a revolução digital, o acesso a conhecimento ajuda diversas sociedades a se desenvolverem. Além disso muitos progressos científicos se tornaram viáveis em vários países, em especial as descobertas para cura de doenças. Porém, o aumento da obesidade e o consumo puramente materialista são consequências não tão boas do desenvolvimento em países ricos.

  Leituras que tratam sobre os bens e males do mundo moderno sempre são do meu interesse, especialmente quando envolve economia e contém dados empíricos que mostram o que há por trás das teorias. A grande saída foi meu primeiro contato com Deaton, que reconhecia como sendo um grande economista (principalmente após o Nobel), porém não sabia de seus estudos na área da saúde e me surpreendi por ler algo mais completo do que eu esperava. As outras experiências que tive com a temática foram através de obras com dogmas já formados, destinados à pessoas que seguiam a mesma linha de pensamento – ou estavam dispostas a seguir. Foi ótimo encontrar uma visão diferente com A grande saída.
    A escrita de Deaton é simples — ele evita termos muito difíceis da área de economia, e quando tem que usá-los, busca explicar de forma fácil. Apesar de se tratar de um assunto sério e de grande importância para ser estudado e discutido, o autor o faz de maneira leve, sem entrar em polêmicas (como muitos escritores do gênero fazem). Seu posicionamento a respeito de alguns assuntos são claramente visíveis, ou seja, a distinção entre dados fixos e opiniões é bem definida.

"Este último é meu preferido: se vamos rotular pessoas como pobres e tratá-las diferentemente por causa disso, concedendo-lhes, por exemplo, subsídios para comprar comida, então a opinião do povo em geral – cujos impostos estão sendo utilizados para viabilizar isso – deveria ser levada em conta na hora de definir o valor da linha [de pobreza]" (p. 170)


No mês de outubro, a editora Intrínseca lança a biografia definitiva do mestre Leonardo da Vinci, assinada pelo autor dos best-sellers Steve Jobs: A biografia e Einstein: sua vida, seu universo. O lançamento oficial acontece no dia 10 de outubro, mas o livro já encontra-se em pré-venda nas melhores livrarias digitais do país. Confira abaixo a capa e a sinopse:


Sinopse: Com base em milhares de páginas dos impressionantes cadernos que Leonardo manteve ao longo de boa parte da vida e nas mais recentes descobertas sobre sua obra e sua trajetória, Walter Isaacson, biógrafo de Einstein e Steve Jobs, tece uma narrativa que conecta arte e ciência, revelando faces inéditas da história de Leonardo. Desfazendo-se da aura de super-humano muitas vezes atribuída ao artista, Isaacson mostra que a genialidade de Leonardo estava fundamentada em características bastante palpáveis, como a curiosidade, uma enorme capacidade de observação e uma imaginação tão fértil que flertava com a fantasia. Leonardo criou duas das mais famosas obras de arte de todos os tempos, A Última Ceia e Mona Lisa, mas se considerava apenas um homem da ciência e da tecnologia - curiosamente, uma de suas maiores ambições era ser reconhecido como engenheiro militar. Com uma paixão que às vezes se tornava obsessiva, ele elaborou estudos inovadores de anatomia, fósseis, o voo dos pássaros, o coração, máquinas voadoras, botânica, geologia, hidráulica, armamentos e fortificações. A habilidade para entrelaçar humanidades e ciência, tornada icônica com o desenho do Homem vitruviano, fez dele o gênio mais criativo da história. Filho ilegítimo, à margem da educação formal, gay, vegetariano, canhoto, distraído e, por vezes, herético, o Leonardo desenhado nesta biografia é uma pessoa real, extraordinária pela pluralidade de interesses e pelo prazer que tinha em combiná-los. Um livro indispensável não só pelo caráter único de representar integralmente o artista Leonardo, mas como um retrato da capacidade humana de inovar, da importância de não apenas assimilar conhecimento, mas ter a disposição para questioná-lo, ser imaginativo e, como vários desajustados e rebeldes de todas as eras, pensar diferente.


Olá, leitores! Bem-vindos a mais um post da coluna Quotes de Quarta, onde compartilhamos com vocês os melhores trechos dos livros que lemos. Espero que curtam os quotes de hoje:



"Às vezes você faz as coisas pelos motivos certos e outras pelos errados. Há ainda aquelas vezes em que é impossível saber a diferença".
— Tudo e Todas as Coisas (Nicola Yoon).




“É melhor ser amado por uma pessoa que você também ama do que ser venerado por milhões que você não conhece! Que valor tem um amor que não é recíproco? ”

— A Ilusão do Tempo (Andri Snaer).


"Nunca se esqueça nem deixe de permitir sentir-se quase atropelado. Isso não impedirá que os momentos ruins aconteçam, mas fará os momentos felizes valerem ainda mais a pena”.
— O Garoto Quase Atropelado (Vinicius Grossos).


“Porque uma grande história de amor não precisa ser sobre duas pessoas que passaram a vida inteira juntas”. 
— A Química Que Há Entre Nós (Krystal Sutherland).⠀


Livro: A Conquista 
Título Original: The Goal: An Off-Campus Novel
Autor(a): Elle Kennedy
Editora: Paralela
Páginas: 335
ISBN: 978-85-8439-066-3
Sinopse: De todos os jogadores do time de Hóquei da universidade de Briar, John Tucker se destaca por ser o mais sensato, gentil e amável. Diferente de seus amigos mulherengos, ele sonha mesmo é com uma vida tranquila: esposa, filhos e, quem sabe um dia, abrir um negócio próprio. Mas nem mesmo o cara mais calmo do mundo estaria preparado para o turbilhão de emoções que ele está prestes a enfrentar. Sabrina James é a pessoa mais ambiciosa, dedicada e batalhadora do campus. Seu jeito sério e objetivo é interpretado por muitos como frieza, mas ela não está nem aí para sua fama de antipática. Tudo o que ela quer é passar em Harvard, tirar ótimas notas e conquistar a tão sonhada carreira como advogada. Só assim ela conseguirá escapar de seu passado difícil e de sua família terrível. Um acontecimento inesperado vai desses jovens de cabeça para baixo. Tucker e Sabrina vão precisar se unir e rever seus planos para o futuro. Juntos, eles aprenderão que a vida é cheia de surpresas, e que o amor é a maior conquista de todas.

SÉRIE "AMORES IMPROVÁVEIS".
    1.  O Acordo
    2.  O Erro 
    3.  O Jogo
    4.  A Conquista

Autora best-seller do New York Times, USA Today e Wall Street Journal, Elle Kennedy cresceu nos subúrbios de Toronto, Canadá. Desde criança, sabia que seria ser escritora. Elle formou-se em língua inglesa pela York University e atualmente escreve para diversas editoras.

   Conquistas importantes não vêm com facilidade, e Sabrina James sabem bem disso. Abandonada pelos pais quando pequena e obrigada a morar, sem dinheiro, com uma avó egocêntrica e um padastro asqueroso, a jovem precisou trabalhar e suar a camisa para construir cada linha de seu currículo escolar perfeito. Agora, prestes a se formar, ela está mais determinada do que nunca a entrar em Harvard e deixar para trás o passado dolorido. E seu caminho rumo ao sucesso definitivamente não inclui romance, muito menos com certo atleta lindo e educado, que acredita em amor à primeira vista.
   John Tucker pode até não ser a grande estrela do time de hóquei da universidade, mas isso não o impede de ser jogador mais querido do campus. Sua fama de gente boa somada à aparência irresistível lhe confere popularidade entre as garotas, mas ele só tem olhos para uma. Contra todas as probabilidades, Sabrina, com seu jeito compenetrado e antissocial, ganhou seu coração. E Tucker não vai medir esforços para conquistá-la, afinal, se tem uma coisa que ele sabe é ser paciente. Em apenas uma noite, o futuro deste casal improvável vai mudar para sempre. Diante da decisão mais importante de sua vida, Sabrina encontrará em Tucker um grande amigo e um parceiro com quem realmente pode contar. O problema é que ela se fechou para o amor e teima em não aceitar ajuda de ninguém.

     ''Você não está sozinha. E você não ta arrastando ninguém pra buraco nenhum. Tô aqui com você, Sabrina. Em cada passo do caminho.''

   Conheci o gênero New Adult não tem muito tempo e gostei bastante. Ando me aventurando cada vez mais com esses livros e resolvi ler a tão bem falada série Amores Improváveis. Como os livros são independentes, resolvi começar pelo último pra ter uma ideia da forma como a autora escreve. Fui com muitas expectativas pra conhecer os personagens e saber qual era o conflito que seria trabalhado durante a história e tenho que confessar que esse não foi o New Adult que mais gostei, mas foi uma leitura super envolvente e válida.
   A escrita de Elle é totalmente viciante e envolvente — passei a madrugada grudada nesse livro. A narração é intercalada entre a Sabrina e o Tucker, e a vida dos dois é super diferente, eu diria que totalmente opostas, então somos apresentados a duas rotinas divergentes e personagens com vida e personalidade bem distantes um do outro. Contudo, a linguagem é super fácil, a leitura flui muito, muito rápido.
   Diferente dos outros NA que li, esse não tem uma história tão sofrida, nem drogas ou mortes traumáticas. Aqui as coisas são um pouco superficiais e o conflito principal é o relacionamento conturbado que os personagens têm. Enquanto Tucker é todo romântico, Sabrina é dura e mantem o foco nos estudos. O clímax do livro será voltado principalmente para os acontecimentos entre o próprio casal. Achei esse ponto bem diferente dos outros livros que li, mas no geral eu gostei bastante.   
   A autora trabalhou bem os personagens, dando bastante profundidade para ambos. Sabrina é muito esforçada, seu tempo livre é escasso, ela trabalha, estuda e está usando todas as suas forças para passar em uma faculdade de Direito. Além da vida exaustiva que tem estudando e trabalhando, Sabrina vive quase que num inferno. Tucker é amado por todos e é o mais sensato e diferente dos jogadores de hóquei. Seu passando também não foi fácil, mas ele é esforçado e sonha com um futuro bem diferente dos jovens em geral — ele quer uma esposa e muitos filhos, Tucker é um homem que muitas mulheres sonham em ter. 

''Não é só a beleza, embora isso não atrapalhe. É... é... droga, não sei nem explicar. Ela tem essa casca dura, mas por dentro é mole feito manteiga. Vejo lampejos de vulnerabilidade naqueles profundos olhos escuros e tudo o que quero é... cuidar dela.''

   Sabrina não é aquela personagem que amamos de imediato, já que suas atitudes nos deixam com raiva no inicio do livro, mas no decorrer da história fui me afeiçoando a ela e entendendo seus motivos. Já Tucker foi amor a primeira vista! Ele, desde o primeiro capitulo, se diz apaixonado por Sabrina e reafirma isso por meio de suas ações durante cada nova parte do livro. O romance desses dois foi uma montanha russa cheia de altos e baixos: Tucker correndo atrás e se declarando e Sabrina fugindo, ignorando e brigando. Teremos muitos ''tapas e beijos". Eu gostei muito desses dois como pessoa, já que eles foram obrigados a mudar suas prioridades e fizeram isso com muita maturidade. Durante todo o livro eles cresceram bastante e me mostraram muita responsabilidade em suas escolhas. 
   O único ponto que me incomodou durante a leitura foi o esposo da avó de Sabrina. Senti muito ódio e nojo dele, achei até que surgiria um conflito maior envolvendo ele. Se a autora tivesse tirado o foco principal no romance e trabalhando, envolvidos os personagens secundários na história, teria dado mais profundidade para o romance como um todo. Isso aconteceu comigo, pois me atento bastante aos detalhes, principalmente ao finais dos personagens secundários, mas no geral o livro está bem completo.
   As capas de toda a série são muito bonitas, no entanto gostei mais da capa brasileira. A forma com que o livro foi diagramado deixou a leitura ainda mais fluida e achei toda a edição muito caprichada. Editora Paralela deu atenção a todos o detalhes do livros, trazendo uma tradução impecável.
   A Conquista é um New Adult escrito com a fórmula certa para esse estilo de livro.Tenho certeza que se você gosta de um romance com aquela pegada hot — na medida —, vai amar a leitura. Indico muito esse livro e também todo os demais da série. Pretendo ler os outros três livros em breve e, se possível, compartilhar minha opinião com vocês. Se apaixone pela historia — um tanto conturbada — de Sabrina e Tucker. Não posso deixar de dizer que reli várias vezes o final desse livro, sempre sentindo a sensação de que o amor existe e pode nos abraçar quando menos esperamos.  


Primeiro Paragrafo: "Merda. Merda. Merda . Meeeeeeerda. Cadê minha chave?"
Melhor Quote: "Porque o amor é a conquista mais importante. Não é algo que eu tenha buscado, mais que tive sorte, muita sorte de alcançar."


   Por meio de Frantumaglia, a Intrínseca traz ao Brasil cartas, entrevistas e trechos inéditos oferecem visão única de uma das maiores escritoras da atualidade: Elena Ferrante! Confiram abaixo a capa e a sinopse:


Sinopse: Elena Ferrante, voz extraordinária que provocou grande comoção na literatura contemporânea, tornou-se um fenômeno mundial. O sucesso de crítica e de público se reflete em artigos publicados em importantes jornais e revistas, como The New York Times, The New Yorker e The Paris Review. Ao longo das últimas duas décadas, o "mistério Ferrante" habita a imprensa e a mente dos leitores, mas, afinal, quem é essa escritora? Nas páginas de Frantumaglia, a própria Elena Ferrante explica sua escolha de permanecer afastada da mídia, permitindo que seus livros tenham vidas autônomas. Defende que é preciso se proteger não só da lógica do mercado, mas também da espetacularização do autor em prol da literatura, e assim partilha pensamentos e preocupações à medida que suas obras são adaptadas para o cinema e para a TV. Diante das alegrias e dificuldades da escrita, conta a origem e a importância da frantumaglia para seu processo criativo, termo do dialeto napolitano que sempre ouvira da mãe e, dentre os muitos sentidos, seria uma instável paisagem mental, destroços infinitos que se revelam como a verdadeira e única interioridade do eu; partilha ainda a angústia de criar uma história e descobrir que não é boa o suficiente, e destaca a importância do universo pessoal para o processo criativo. Nas trocas de correspondência, nos bilhetes e nas entrevistas, a autora contempla a relação com a psicanálise, as cidades onde morou, a maternidade, o feminismo e a infância, aspectos fundamentais à produção de suas obras. Frantumaglia é um autorretrato vibrante e íntimo de uma escritora que incorpora a paixão pela literatura. Em páginas reveladoras, traça, de maneira inédita, os vívidos caminhos percorridos por Elena Ferrante na construção de sua força narrativa.


Olá, galera, tudo bem com vocês? Hoje damos continuidade a Semana Especial sobre Piano Vermelho, o mais recente livro de Josh Malerman. Quem perdeu o post do primeiro dia pode conferir tudinho clicando aqui. No quinto e último dia do especial, trago para vocês um Memória Musical peculiar como Piano Vermelho, com dois sons misteriosos que a ciência não conseguiu explicar. 

1. O UIVO DESCONHECIDO
Alguns sons são tão estranhos para o ser humano que nem sequer têm um nome oficial. Esse é o caso de uma série de misteriosos ruídos que podem ser ouvidos em uma floresta próxima à cidade de Conklin, Alberta, no norte do Canadá. Os uivos estranhos foram capturados nesse vídeo, mas até agora ninguém soube explicar de onde ele emana. O mais curioso é que sons parecidos com esse também foram identificados em diversas outras localidades, como Glasgow, Chicago e Dinamarca. Esses sons, como você deve imaginar, têm resultado em uma grande controvérsia e uma diversidade de opiniões, especialmente na internet. Há quem diga que o barulho soa como uma música, outros, no entanto, preferem explicações mais chocantes, envolvendo extraterrestre e até as profundezas do inferno.


Olá, galera, tudo bem com vocês? Hoje damos continuidade a Semana Especial sobre Piano Vermelho, o mais recente livro de Josh Malerman. Quem perdeu o post do primeiro dia pode conferir tudinho clicando aqui. No quarto dia do especial, vamos conversar um pouco sobre os personagens do livro.


   No que se refere aos personagens, temos uma composição extremamente minimalista e pouco desenvolvida. O personagem chave é o Philip Tonka, músico e pianista da banda Os Danes. No entanto, seguindo um estilo já tendencioso, Malerman apresenta pouco acerca do protagonista e ainda insere um romance inusitado no meio disso tudo. Por isso, eu diria que o personagem principal da história acaba sendo o próprio som e os mistérios que o cercam. Não falarei muito sobre os personagens porque não encontrei uma forma de apresentá-los sem acabar influenciando na leitura. É um thriller psicológico/horror, você tem que ler e tirar suas próprias conclusões acerca da mente de cada um, certo?


BOOKTRAILER


Olá, galera, tudo bem com vocês? Hoje damos continuidade a Semana Especial sobre Piano Vermelho, o mais recente livro de Josh Malerman. Quem perdeu o post do primeiro dia pode conferir tudinho clicando aqui. No terceiro dia do especial, vamos conversar um pouco sobre as circunstâncias e os cenários que acompanham o suspense de Malerman.

   Philip Tonka e seus amigos da banda Os Danes, de Detroit, recebem uma inesperada visita de alguém importante no Exército dos Estados Unidos. O que o homem deseja deles é o que mais os deixam desconfiados. E com razão. O secretário Mull propôs que voassem até um deserto na África para "identificar a fonte de um som perigoso", ouvido pela primeira vez em 1948, quando surgiu em um teste de rádio de rotina em Tallahassee, na Flórida. Em pouco tempo, identificar a fonte virou prioridade do Pentágono. Mas em algum momento ficou evidente que, se quisessem saber o que estava produzindo aquele som, era preciso ir até sua origem. Já haviam enviado dois pelotões. Todos soldados. Nenhum músico. É por isso que Mull estava interessado em Os DanesE com todo o dinheiro envolvido, por que o grupo de músicos recusaria o convite? Bem, talvez tivessem recusado se soubessem que nenhum pelotão voltou da operação realizada no deserto do Namibe, na África.
   Dias após a partida de Os Danes, com a visão periférica fora de foco, Philip acorda no que parece uma hospital militar. Ele se lembra de cada detalhe do deserto e o som de uma música composta por ele está sumindo, como se, enquanto ele dormia, tivesse tocado sem parar, a trilha sonora de seu sono inacreditável. O músico descobre que está gravemente ferido, uma lesão sem precedentes. Para o médico, sua sobrevivência parece injusta, algo incrivelmente difícil de acontecer. Se Philip tivesse quebrado apenas os pulsos e os cotovelos, poderia-se supor que caiu no chão de certa forma. Mas também quebrou os úmeros, os rádios e as ulnas. Suas tuberosidades radiais, os processos coracoides, as trócleas e todos os vintes e sete ossos das mãos também estão quebrados. Ele não quebrou apenas os pulsos e cotovelos, ele quebrou e esmagou quase todos os ossos do corpo.


Olá, galera, tudo bem com vocês? Hoje damos continuidade a Semana Especial sobre Piano Vermelho, o mais recente livro de Josh Malerman. Quem perdeu o post do primeiro dia pode conferir tudinho clicando aqui. No segundo dia do especial, vamos conversar um pouco sobre as diferenças e semelhanças entre Piano Vermelho e o sucesso de estreia do autor, Caixa de Pássaros.

NARRAÇÃO: 
No que se refere a narração, ambos os livros são contados em terceira pessoa, onde mais uma vez, Josh, como poucos, provou que a narração dessa forma deixa a história tão emocionante e tocante quanto a feita em primeira pessoa. O autor sabe exatamente como combinar o comum e o inusitado numa escala de acontecimentos que remetem a uma literatura de horror e que se desdobra nas mais improváveis direções sem jamais deixar de proporcionar aquilo pelo qual o leitor mais espera: o medo e o choque.

AGUÇANDO OS SENTIDOS: 
Um dos aspectos mais interessantes desses dois livros de Josh é como eles trabalham com os sentidos do corpo humano. Ler Caixa de Pássaros, onde abrir os olhos é sinônimo de morrer, é como andar no escuro e o suspense psicológico é tão bem construído que nos sentimos "cegos" em muitos momentos, seja pelos mistérios ocultos ou pelos sentidos que a obra "aguça". Não muito diferente, Piano Vermelho trabalha com a audição, onde um som misterioso carrega em suas ondas um enorme poder de destruição.

"— Muito bom. — Após uma breve hesitação, o homem continua: — Então me conte como encontrou o primeiro cadáver.
— Também falei sobre isso tudo para o Dr. Szands.
— Sim. Mas eu queria ouvir de você. Às vezes, ao ouvir pessoalmente, é possível desenterrar novas informações".

TERROR PSICOLÓGICO: 
Apesar das diferenças — não tão gritantes assim —, quando colocado em paralelo com o romance de estreia do autor, Piano Vermelho também acaba sendo um livro forte. Alguns detalhes macabros e peculiares chegaram a me deixar com medo e questionador. "O que são esses cascos na areia?" Qual a origem desse misterioso som?" "O que é a criatura com cascos?" "Por que o delírio quando se ouve o som?". Foi quase impossível não pensar sobre algumas cenas durante boa parte das horas que sucederam o término da leitura. Algo parecido e, talvez, melhor, acontece em Caixa de Pássaros, onde Josh soube representar o desespero, o devaneio e a loucura perfeitamente através de suas palavras; soube me arrepiar, fazer-me ficar tenso e nervoso.

REFLEXÕES: 
Diferente de Caixa de Pássaros, Piano Vermelho carrega em sua essência reflexões um tanto quanto enigmáticas — já que o leitor não consegue compreender claramente o que o autor desejava criar. Um exemplo muito claro são as cenas finais do romance, em especial o trecho que diz: "Os chapéus elaborados parecem majestosos para nós, mas, no fim das contas, aquelas pessoas estavam apenas matando umas às outras. Todas as guerras são travadas pelo mesmo motivo. Por causa disso, são todas a mesma guerra".

DESFECHO: 
Mas a pergunta que não quer calar em 2017 é: por que o Piano Vermelho desafinou? Resposta de número 1: porque os leitores foram com muita sede a um pote que não prometia um oceano de água. Resposta de número 2: porque o final conseguiu ser ainda mais louco que o de Caixa de Pássaros, exigindo do leitor diversas releituras e o desenvolvimento de teorias. Não obstante, cabe a mim fazer mais duas perguntas para vocês, leitores: é justo "acabar" com um livro só porque o final dele não nos agradou? Não deveríamos utilizar nossa inteligência humana para pesquisar, estudar a obra, ler suas entrelinhas e buscar entender o que motivou um autor a manter determinada essência em sua obra? Depois de ler Caixa de Pássaros, é ridículo esperar sanidade da parte de Josh Malerman. 

No todo, Piano Vermelho e Caixa de Pássaros têm mais semelhanças que diferenças e ambos são ótimos livros. Vocês concordam? Comentem!


Como todos já sabem, a coluna "Ao Redor do Globo: Capas" está de volta e quem perdeu o primeiro post (de sua reestreia) clique aqui e leia agora mesmo. No post de hoje, a coluna traz as lindas e maravilhosas capas de um livro que foi resenhado recentemente aqui no blog: Piano Vermelho, o mais novo romance de Josh Malerman, lançado no Brasil pela Editora Intrínseca. Quem quiser conferir a resenha e saber mais sobre esse incrível livro clique aqui e leia. Por fim, vale ressaltar que o post integra a Semana Especial que a Intrínseca e seus parceiros estão promovendo. Fiquem ligados!

Essa é a capa da edição publicada no Reino Unido, e é, em minha opinião, uma das mais bonitas. Com suas fontes remetendo ao gênero ficção-científica, a capa dessa edição mistura uma série de elementos — o soldado no deserto, por exemplo — que dizem respeito as peculiaridades da obra de Malerman.


Já essa é a capa da edição publicada lá no país governado pelo querido desgraçado Trump, os Estados Unidos. Com os elementos que mais remetem a história, essa é a capa que mais se liga ao suspense psicológico criado por Josh, começando pela fonte de aspecto trincado, esmagado e quebrado — como os ossos de nosso protagonista.


Com aquele jeitinho brasileiro e revolts de ser, essa é a edição lançada pela Intrínseca, que fugiu de todos os padrões lá de fora. Isso foi bom ou ruim? Bem, eu achei essa capa a mais bela, principalmente por fazer alusão a Caixa de Pássaros — e convenhamos que em tempos de marketing isso é tudo! O título do livro também foi modificado, mas eu acredito que ficou tão bom, ou até melhor, que o original. Intrínseca samba, certo?


Com uma vibe bem "Hello, Satã!", essa é a capa da edição lançada na Hungria. Não que a capa não dialogue com a trama, mas acredito que ficou um tanto quanto exagerada, fazendo com que o leitor crie expectativas que talvez o livro não alcance. Enfim, não gostei. Sobrenatural demais para um livro que não promete rituais satânicos e totalmente fora dos padrões.

Por fim, indico esse livro para todos os que gostam de histórias que nos instigam em todos os momentos a compreendê-las, arrancar suas máscaras e formular teorias. Prestar atenção a cada frase, personagem e detalhe conta muito para a compreensão, já que, como dito, o final consegue ser ainda mais peculiar que o de Caixa de PássarosUsem protetor auricular e estejam preparados para o que irão ouvir!


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