Livro: Como Viver Eternamente
Título original: Ways to Live Forever
Autor (a): Sally Nicholls
Editora: Geração Editorial
Páginas: 226
ISBN: 9788561501006
Sinopse: Meu nome é Sam. Tenho onze anos. Coleciono histórias e fatos fantásticos. Quando você estiver lendo isso, provavelmente já estarei morto. Sam ama fatos. Ele é curioso sobre óvnis, filmes de terror, fantasmas, ciências e como é beijar uma garota. Como ele tem leucemia, ele quer saber fatos sobre a morte. Sam precisa de respostas das perguntas que ninguém quer responder. ”Como Viver Eternamente”, é o primeiro romance de uma extraordinária e talentosa jovem autora. Engraçado e honesto, este é um livro poderoso e comovente, que você não pode deixar de ler. A autora tem apenas 23 anos e embora seja seu primeiro livro, ele está sendo lançado em 19 países, dirigido a crianças, adolescentes e adultos.

    Como Viver Eternamente, do original Ways to Live Forever, é o primeiro livro de Nicholls, e é uma espécie de diário de um garoto de onze anos. Originalmente publicado por uma das maiores editoras de todo o Reino Unido, chegou ao Brasil através da publicação da Geração Editorial. Recentemente relançado, com uma capa com um design diferente, foi uma daqueles livros que chegou de mansinho, mas conseguiu me prender como poucos. 

    Sam é apenas um garoto de onze anos, mas já sofreu demais para sua pouca idade: diagnosticado com leucemia desde os seis anos, ele se encontra novamente doente, e sabe que dessa vez suas chances de melhora não são tão grandes como já foram.
     Em uma de suas estadias no hospital conheceu Félix, um garoto dois anos mais velho que ele, mas que acabaria se tornando o melhor amigo de Sam. Algum tempo depois, os dois estão em uma de suas aulas particulares com uma professora, quando uma proposta surge: escrever um livro. Como Sam adora fatos, curiosidades e informações, não demora muito para pôr a mão na massa e iniciar seu pequeno relato sobre sua vida. 
    É a partir daí que começamos a acompanhar de perto as trajetórias desses dois jovens. Nos familiarizamos com seus sonhos, objetivos e questionamentos, reunir em um livro magnífico, que o levará a refletir sobre o inteiro percurso de sua vida. 

     Como Viver Eternamente não é nada extraordinário no começo, e, se você deixar-se ser enganado, vai acreditar que trata-se apenas de uma história comum e juvenil. É claro, na realidade, é muito mais do que isso: é uma história madura, contada sob um ponto de vista infantil, que leva o leitor a refletir sobre tantos temas de um modo despretensioso, ordinário e leve. 
    Descrito em primeira pessoa por seu protagonista, Sam, devo notar que a narração de Sally Nicholls é divina, e se encaixou de maneira perfeita com Como Viver Eternamente. Trata-se de uma escrita leve, contínua e perfeitamente crível para um menino de 11 anos usar – o interessante é que, mesmo assim, o livro não é, em momento algum, infantil. É claro que observamos algumas coisas pela perspectiva um tanto inocente de uma criança, mas precisamos lembrar que Sam não é uma criança comum, e já possui uma maturidade enorme para sua tenra idade. Desde modo, suas reflexões e conclusões são suficientemente sólidas para chocar um adulto. 
     Os personagens, Sam e Félix, arrancam risadas do leitor do começo ao fim do livro. Não há como não se deixar envolver pelo bom humor desses dois garotos, que, mesmo com as grandes dificuldades que enfrentam na vida, conseguem ver além da tragédia que os assombra. A maturidade dos dois – mais especialmente a de Sam – também é algo a se destacar: podemos perceber, pela narração e pelos questionamentos que os personagens fazem, que eles aprenderam a aceitar suas vidas, mesmo que ainda lutem contra suas doenças.
    A família de Sam foi outro ponto que mereceu o devido destaque em toda a trama. Em alguns momentos, quando tudo estava ficando pesado demais – especialmente para o próprio Sam – sua família estava lá para ajudar. O pai, a mãe e a irmãzinha mais nova podem não saber exatamente tudo pelo que o menino passa, mas sempre estão lá, prontos para auxiliá-lo quando precisa. Isso me chamou muita atenção durante a leitura, pois é difícil encontrarmos livros no qual a família inteira possui um papel extremamente importante.  

     A obra é ora alegre, ora triste, como seria esperado, mas a grande característica permanente é o modo como ele é direto, sem enrolações; tanto na história, como na narração. Não há meios termos, nem uma suavização dos problemas dos personagens.
     Preciso parabenizar a Geração Editorial pelo ótimo trabalho gráfico do livro. A maneira como as listas de Sam, com seus questionamentos ou fatos, e os desenhos dos demais personagens aparecem é apenas um bônus ao livro. São o toque ideal para transportar o leitor para a atmosfera da obra, para fazê-lo realmente acreditar que está lendo o livro que Sam escreveu, o seu diário.
     Composto por 226 páginas é um livro curto, e finalizei a leitura em apenas duas horas. O material do livro é excelente, com as folhas amareladas e grossas, e adorei o design da capa, que consegue refletir com maestria um dos momentos decisivos da história – se não o mais decisivo de todos. 
    Não é um livro essencialmente dramático, muito menos o tipo de livro que prioriza o sofrimento: muito pelo contrário, na verdade, Como Viver Eternamente dá ênfase à vida (e isso não foi um trocadilho com o nome, rs.), em como devemos aproveitar cada minuto dela para fazermos as coisas que desejamos. Talvez, apenas talvez, amanhã – no próximo mês ou daqui a alguns anos – seja tarde demais.
      Por fim, Como Viver Eternamente um livro que é, essencialmente, lindo. Muito inteligente, com o drama e aventuras na medida certa, foi uma leitura que mereceu destaque, e, depois das poucas horas que levei para ler a obra, não conseguia parar de pensar na bonita história de Sam. 
Primeiro parágrafo do livro:
"Hoje foi o nosso primeiro dia de voltas às aulas depois dos feriados de Natal."
Melhor quote:
"Morrer é a coisa mais boba de todas. Ninguém lhe conta nada. Você faz perguntas e eles tossem e mudam de assunto."
         


7 Comentários

  1. Oi Gabi!

    Desde que vi a capa e depois li a sinopse o livro me chamou a atenção. Adorei sua resenha e como descreveu a escrita da autora sem enrolações e nada de apelos. Parece daquelas histórias que ficam com o leitor e levam uma boa mensagem. Fiquei bem curiosa. Ótima resenha.

    Beijos

    http://poesiasprosasealgomais.blogspot.com.br/

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  2. Oie
    sabe que adorei sua resenha?
    sou um pouco paranoica com livros de pssoas com cancer e tals, mas esse parece ser tão bom pelo jeito que voce falou bem dele. se apaixonou pela história mesmo ein.. rsrrs
    vou tentar compra-lo com ctz.
    beijões!

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  3. Adorei a resenha e com certeza me convenceu á ler o livro!
    Valeu!

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  4. A resenha ficou ótima, agora quero ler esse livro.
    http://mais-umlivronaestante.blogspot.com.br/

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  5. Não conhecia o livro, mas é impossível não se encantar com ele após as suas palavras. Algum tempo atrás não me interessaria por ele, mas após as primeiras experiências com histórias do gênero deu para perceber que são sim especiais. Nesse caso ainda mais, já que aparenta ter uma edição muito bonita e isso, sem dúvida, faz total diferença.

    Beijos,
    Ricardo - www.overshockblog.com.br

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  6. Oi tudo bem? Já vi uma resenha sobre o livro e me interessei muito, achei fofo e ainda fiquei extremamente feliz em saber que a autora tem apenas 23 anos!

    Adorei o blog e parabéns pelo aniversário! Estou seguindo ja e participando da promoção!
    Seja bem vinda em nos conhecer também ;)
    Beijos Joi Cardoso
    Estante Diagonal

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  7. Olá,
    Que livro lindo! A capa, a estória, tudo!
    Amei a resenha e ele agora está na minha lista de desejados...

    http://criandominhaestante.blogspot.com.br/

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