Livro: A Menina Que Semeava
Título Original: Blue
Autor (a): Lou Aronica
Páginas: 416
Editora: Novo Conceito
ISBN: 978-85-8163-240-7

"Chris Astor é um homem maduro, um botânico bem-sucedido, mas, especialmente, um pai amoroso. Sua filha — Becky — é, para ele, seu maior e melhor projeto. Mas a garota, tão amada, tem câncer. O que pode um pai quando sua filha foi acometida por uma doença assim, nociva? Como diminuir o sofrimento de uma criança tão amada? Apesar de sua agonia, Chris encontra uma maneira mágica de acolher sua menininha. Para que ela se recupere bem, e mais rapidamente, ele cria um mundo paralelo, cheio de fantasias, e histórias, e personagens maravilhosos que parecem ter o poder milagroso da convalescência. E nada no mundo, nem sua sanidade, nem seu trabalho, nem mesmo sua mulher serão obstáculos para a determinação deste pai que só tem o propósito de ver sua filha feliz. Uma história sobre desespero, esperança, invenção e descoberta que ultrapassa qualquer razão, qualquer limite, enquanto você revê tudo aquilo em que acredita."


   A história de A Menina que Semeava se centra na jornada de Becky, uma adolescente de 14 anos que já passou por sofrimentos que muitos mais velhos não poderiam suportar – aos cinco anos foi descoberto que Becky tinha câncer, e ela lutou bravamente contra a doença. Seu pai, Chris Astor, sempre compartilhou uma relação muito amorosa com a filha, e, quando ela ficou doente na infância, ajudou-a de um modo que nenhum médico poderia: juntos, Chris e Becky criaram Tamarisk, um reino de conto de fadas totalmente inovador, com suas próprias características, animais e cultura. A menina superou a doença e vive hoje em remissão, mas, em meio a esse processo, sua relação com o pai se modificou também.
    O relacionamento de Chris e Polly, seus pais, não conseguiu sobreviver a assistir o sofrimento da filha. Chris nunca cogitou a separação por não querer ficar longe de Becky, mas Polly foi inflexível, e hoje é possível notar os efeitos do divórcio na relação entre pai e filha; a distância e mágoa de ver o pai ir embora de casa pesou na relação dos dois, que costumava ser tão próxima, e Becky nunca mais quis saber de Tamarisk, rompendo o elo mais forte que a ligava ao pai. Agora, quando Chris parece estar progredindo e seu relacionamento com Becky está melhor do que em anos, algo aparece para aterrorizar a vida deles – e, ao mesmo tempo, Tamarisk parece estar em um perigo iminente. Até onde é possível separar a realidade da fantasia? Será possível que Tamarisk seja realmente real?

    A Menina Que Semeava é dividido em 25 capítulos, e as narrações focam em três protagonistas: Chris, Becky e Miea, a antiga princesa, e agora rainha de Tamarisk. É uma história com altos e baixos, na qual a narração é, sem dúvidas, o ponto alto da obra: Lou Aronica soube transmitir emoções, sensações com cada parágrafo de seu livro, usando e abusando da imaginação. Na realidade, é disso que o livro se trata: ele recorre à nossa imaginação, a capacidade do leitor de se colocar no lugar de Becky, de seu pai, da princesa Miea.
    Apesar de ser uma história fantasiosa, as lições que podem ser tiradas do livro são muito reais. Ele fala sim sobre Tamarisk, esse mundo belo e mágico, mas que está sofrendo com uma praga terrível. Becky, uma adolescente muito doce, que precisa lidar com fatores que fogem de seu controle, ao enfrentar uma doença hedionda. Ele nos mostra como o medo, o desespero, faz as pessoas se apegarem a coisas que seriam inimagináveis, mas, por serem a única alternativa possível, se tornam mais sólidas.
     O livro começa com um ritmo lento, mas a partir dos capítulos iniciais é quase impossível largá-lo. Adorei particularmente o modo como o autor entrelaça o mundo real com a fantasia, e como Connecticut se torna tão próximo de Tamarisk, apesar de todas as claras diferenças. O autor brinca com a mente do leitor, o desafiando a ir além, até onde a imaginação pode nos levar.
     Todos os personagens são muito bem construídos, cada um tem sua personalidade muito bem marcada e toma decisões coerentes, um fato que me agradou imensamente ao decorrer da leitura. Há um personagem em especial, porém: Gage, que tem um papel fundamental na história, é alguém que não é definido pelo autor, e que influencia os fatos diretamente. Seria ele o destino? Um anjo? Cabe ao leitor fazer sua própria interpretação.
      É quase impossível não se emocionar com as últimas cem páginas, quando o ápice da história acontece. Fiquei bastante comovida, e a leitura é encerrada com um sentimento de felicidade, porém, ao mesmo tempo, de profunda tristeza. Apesar de gostar do fim, minha única crítica é a velocidade: tudo aconteceu muito repentinamente, de um modo que explicações mais completas ficaram faltando. Acredito que o autor poderia ter o desenvolvido melhor, dando mais detalhes e sendo um pouco mais coerente.
    Não posso deixar de citar a capa, o primeiro fator que me deixou interessada pelo livro. A arte é belíssima, e a Editora Novo Conceito caprichou tanto nela quanto na diagramação e na revisão do livro, que ficaram impecáveis. O kit para os parceiros da editora também veio com uma essência de baunilha e cacau, que remete imediatamente à Tamarisk. 
    É uma história sobre o amor, sobre família e os laços entre entes queridos. É fácil se identificar com o clima paternal do livro, assim como as dúvidas e questionamentos de todos os personagens. O tema é polêmico e um tanto triste, mas o autor conseguiu equilibrar com maestria o drama e a fantasia, nos levando em uma jornada inesquecível.
Primeiro parágrafo do livro:
"O zunido suave do aparelho de DVD era o único som que se ouvia na sala. Chris estava sentado no sofá em frente da televisão, com o controle remoto na mão, embora não pretendesse usá-lo. Ele deixaria o aparelho continuar rodando ininterruptamente."
Melhor quote: 
“Não importava que muitas promessas não fossem realizadas. O que importava era que a esperança continuasse a existir.”


                                                                 


2 Comentários

  1. Tenho gostado cada vez mais desse gênero.
    Também já aconteceu comigo de não gostar muito do início de um livro, mas depois ser surpreendida positivamente pelo autor. Para mim, foi isso que aconteceu, e sim me envolveu bastante!
    Também penso que vale a pena dar uma chance ao livro, diferentes pessoas têm diferentes gostos!

    Para que não encontra online: http://portugues.free-ebooks.net/ebook/A-Menina-Que-Semeava

    Vale a pena dar uma chance! (:

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  2. Eu amei esse livro. Comprei só pela capa ¬¬'
    Mas não esperava que uma história de fantasia mexesse tanto comigo. Adorei sua resenha parabéns!


    colecionandohistor.wix.com/colecionandohistoria

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