Livro: Robô Selvagem
Título Original: The Wild Robot
Autor(a): Peter Brown
Editora: Intrínseca
Páginas: 288
ISBN: 978-85-510-0193-6
Sinopse: Peter Brown sempre foi fascinado por robôs e pela natureza, e depois de anos imaginando, escrevendo e desenhando, ele deu vida a Roz, uma robô que, ao abrir os olhos pela primeira vez, se vê sozinha numa ilha. Ela não tem a menor ideia de como foi parar ali, mas foi programada para sobreviver. Depois de suportar uma tempestade intensa e es­capar de ursos furiosos, ela se dá conta de que sua única esperança é se adaptar ao ambiente, e vai ter que aprender isso com os nada simpáticos animais que ha­bitam a ilha. Tudo parece melhorar quando Roz consegue, aos poucos, se aproximar dos bichos e criar um laço inquebrável com um filhote de ganso abandonado. Mas sua natureza é diferente, e o misterioso passado da robô, que a levou àquele ambiente selvagem, está prestes a retornar para assombrá-la. Robô selvagem é uma história co­movente e cheia de aventuras sobre o que acontece quando a natureza e a tecnolo­gia colidem inesperadamente, como os humanos afetam o mundo ao nosso redor e o que significa estar vivo.

SÉRIE "THE WILD ROBOT"
    1.  Robô Selvagem
    2.  The Wild Robot Escapes

Peter Brown é autor e ilustrador de diversos livros infantis que foram best-sellers em outros países. Estudou ilustração no Art Center College of Design, na Califórnia, Estados Unidos. Já foi premiado com o Best Illustrated Children's Book Award, do The New York Times, e eleito ilustrador do ano pelo Children's Choice Book Award.

   Robô Selvagem começa no oceano, com vento, chuva, trovões, raios e ondas. Um tornado rugindo e soprando sua fúria da noite. E, no meio desse caos, um navio cargueiro começou a naufragar, descendo até o fundo do mar. O naufrágio deixou um monte de caixotes flutuando. Mas quando o furacão os açoitou, eles rodopiaram e balançaram e logo também começaram a descer para as profundezas do mar. Um após o outro, foram engolidos pelas ondas até que sobraram apenas cinco. Um a um foram empurrados até a praia por uma onda violenta e se espatifaram contra as rochas. Todos os caixotes pereceram, exceto um. E nele havia um robô novinho, cuidadosamente embalado
   Um grupo de lontras acaba por encontrar o único caixote que não se espatifou nas rochas e elas decidem, imbuídas de curiosidade, investigar o que há dentro do caixote. O que viram foi um robô novinho em folha. As lontras enfiaram as patas pela abertura e começaram a rasgar a espuma. Nos movimentos súbitos, uma pata apertou sem querer um botãozinho importante na parte de trás. E a robô Roz abriu os olhos.
   Roz não sabe como foi parar naquela ilha e decide desbravá-la, na esperança de que vai encontrar respostas e fazer amigos. No entanto, depois de muito se aventurar e de desventurar pelo mundo selvagem, a robô acaba se dando conta de que sua única esperança é se adaptar ao ambiente. E no meio da colisão peculiar entre natureza e tecnologia, a todo momento somos questionados: será que um robô consegue sobreviver na natureza?

"Você nunca sera a mãe perfeita, então apenas faça o melhor que puder. Bico-Vivo precisa saber que você está fazendo o seu melhor".

   Mergulhei na leitura de Robô Selvagem após ler a sinopse e observar a capa, que traz uma ilustração que me fez lembrar do livro Pax. Não é a única publicação de Peter Brown no Brasil, mas eu nunca tinha nem mesmo ouvido falar no autor, o que não influenciou de forma alguma em minhas expectativas, guardadas em um potinho até que tive contato com a primeira página do livro. Apesar de não ser um gênero que eu leio com frequência, a literatura infantil sempre me foi agradável por geralmente trazer mensagens educativas e sociais nas entrelinhas, algo quase apelativo, que tem poder suficiente para fazer as crianças — e os demais leitores — refletirem sobre nossas atitudes e sobre nossos valores. Não obstante, logo após terminar o livro, pude concluir duas coisas: (1) Robô Selvagem não é sequer parecido com Pax e (2) isso não o torna menos especial, já que ainda assim é uma história capaz de conquistar não somente as crianças, mas todos nós, seres humanos.
   A escrita, a bem da verdade, é bem simples, fazendo jus ao gênero infanto-juvenil. A narração em terceira pessoa é bastante pessoal e parece uma conversa entre autor e leitor, onde Brown dialoga intensamente com a sensibilidade que existe dentro de cada um de nós, criança ou não. É como se os acontecimentos conversassem literalmente com quem lê, o que traz um dinamismo bacana e torna a obra um passatempo divertido, fluido e instigante — li em apenas uma noite! 
   Como dito, a escrita de Peter Brown é simples, mas desenvolvida com certa maestria, se apegando a um tipo de formalidade típica da literatura infantil. O autor tem intenções por traz da obra e eu não percebi isso até que terminei o livro e parei para pensar sobre tudo o que ele carrega. Robô Selvagem é repleto de referências aos bons costumes e acaba sendo uma lição sobre o amor, a sobrevivência e sobre como o meio é capaz de nos influenciar, positivo e negativamente. E o que chama atenção acaba sendo o fato de que se você analisar com atenção é possível extrair mais do que se imagina das entrelinhas do livro.

"— Ah, não é difícil. Você só tem que dar ao filhote comida, água e abrigo, fazê-lo se sentir amado, mas não o mimar demais, mantê-lo longe de perigo e fazer com que ele aprenda a andar, falar, nadar, voar e se relacionar com outros gansos, além de cuidar de si mesmo. A maternidade se resume a isso!".

   A composição dos personagens é bem heterogênea, ainda que tenha Roz no centro de tudo e seja simples, comum e muito objetiva. Apesar de ser um infanto-juvenil, entraremos em contato com dezenas de personagens, que são justamente os animais com quem inicialmente a robô constrói uma relação para lá de infrutífera e desventurosa. Não obstante, a graça de toda a história fica na responsabilidade que a mesma tem de nos mostrar como Roz vai romper o preconceito que os bichos acabam tendo com ela e se adaptar em um meio que ela não foi criada para se estabelecer e, inclusive, cuidar um filho que ela acaba encontrando por lá. Não se enganem se pensam que Robô Selvagem é só mais uma historinha boba para crianças. Não sei explicar bem... mas é sobre tão mais do que isso! Roz ganhou um espaço para lá de especial em meu coração e, sem dúvidas, meus filhos lerão Robô Selvagem pelo menos uma vez na vida.
   Tão bem-feita quanto o livro ficou a edição! A Editora Intrínseca, sem dúvidas, tem sido espetacular, sempre agradando seus leitores e fazendo com que nos sentíssemos extremamente felizes em ganhar tão belas edições — assim como os norte-americanos. A capa de Robô Selvagem, mantida a original, é bem resistente e chama muita a atenção, principalmente das crianças — e não só delas, claro! A diagramação conta com fontes agradáveis, ilustrações belíssimas feitas pelo próprio autor, papel pólen soft (amarelinho) e é livre de erros gramaticais. É o sonho de qualquer leitor! Parabéns, Intrínseca!
   Por fim, deixo aqui um apelo direcionado principalmente aos pais que desejam educar seus pequeninos através do maravilhoso mundo da leitura. Apesar de não ser uma obra profunda e capaz de nos “arrebatar” (como Pax, por exemplo), Robô Selvagem ainda é capaz de trazer algumas mensagens, algo apelativo, que nos faz refletir sobre nossas atitudes e sobre nossos valores. Se eu tivesse filhos, sem dúvidas, eles seriam obrigados a ler algo assim. Eu li o livro em uma única noite e recomendo também para qualquer um que curta tramas mais singelas e fluidas, que arrematam o leitor logo nas primeiras páginas. Roz e sua bicharada estão loucos para invadir suas estantes!

Primeiro Parágrafo: “Nossa história começa no oceano, com vento, chuva, trovões, raios e ondas. Um tornado rugia e soprava sua fúria da noite. E, no meio desse caos, um navio cargueiro começou a naufragar, descendo, descendo, descendo até o fundo do mar”. 
Melhor Quote: “— Definitivamente não! — Grasnou a gansa. — Não posso acolher todos os órfãos que encontro! Você me disse que o que aconteceu foi culpa sua? Então me parece que é responsabilidade sua consertar as coisas”



2 Comentários

  1. Sabes informar a idade inicial para a leitura deste livro?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, tudo bem?

      Ele é bem leve, então acredito que não exista uma determinada idade inicial. Se a criança sabe ler e/ou alguém pode fazer isso por ela (garantindo que ela entenda a história) é uma excelente dica literária. Não obstante, você pode adotar a faixa de acima de cinco (5) anos.

      Abraços,

      Pedro Oliveira

      Excluir

.