Livro: O Livro dos Negros
Título original: The Book of Negroes
Autor (a): Lawrence Hill
Editora: Primavera Editorial
Páginas: 408
ISBN: 8561977698
Sinopse: O Livro dos Negros conta a história de Aminata Diallo, uma das personagens femininas mais fortes e marcantes da ficção contemporânea. Aminata foi sequestrada, ainda criança, na África, e vendida como escrava na Carolina do Sul. Após a Revolução Americana, ela foge para o Canadá e escapa da vida de escrava para tentar uma nova história em liberdade. O livro traz uma história que nenhum ouvinte e nenhum leitor esquecerão.   O nome “O Livro dos Negros” se deu devido ao documento histórico, mantido por oficiais navais britânicos, ao fim da Revolução Americana. O documento oficializou os negros que serviram ao rei na Guerra e fugiram para Manhattan, no Canadá, em 1783. Apenas os negros que estivessem no Livro dos Negros poderiam escapar e conseguir sua liberdade.   Aminata Diallo percorre toda uma longa trajetória com a finalidade de conseguir entrar no livro dos negros e conquistar sua liberdade. A obra, marcante e inesquecível, tornou-se uma miniserie de sucesso nos Estados Unidos. Dirigida e escrita por Clemente Virgo (The Wire) e protagonizada pela atriz Aunjanne Ellis e Cuba Gooding Jr., vencedor do Oscar em 1996.

    Lawrence Hill é um autor canadense, filho de imigrantes americanos, pai negro e mãe caucasiana cuja obra de maior expressão é “O Livro dos Negros” e “The Stuff of Life”. O autor trabalhou como voluntário na Nigéria e Camarão, sempre bastante envolvido com causas da população Negra e principalmente com o desenvolvimento de mulheres e meninas na África.

    Em “O Livro dos Negros” Aminata, em idade avançada, nos conta a história de sua vida, desde o início do século XIX. Quando criança, Aminata foi levada de sua aldeia na África e vendida como escrava para uma plantação na Carolina do Sul, América. Foi um enorme choque de realidade para a jovem, que até então estava no seio de sua família, e passou a uma situação abusiva e degradante.
   Chegando na América, Aminata passou a trabalhar em uma grande propriedade rural, na qual se encontrou  em uma situação diferente da maioria dos escravos, demonstrando sua inteligência e habilidades interessantes, que eram incomuns a eles. Aminata conseguiu se colocar em uma posição ligeiramente melhor, tornando-se uma escrava mais "valiosa", o que seria apenas o começo de uma grande mudança na vida desta escrava.
   Ao longo do livro conhecemos meio século da vida de Aminata e podemos acompanhar muitas fases de sua vida; desde quando foi retirada de casa, passando para a fase adulta, sempre lutando para permanecer ao longo de sua família, esposo e filhos, que foram separados dela, e lidando com muitos sofrimentos que a vida ainda lhe daria.

   Meu primeiro contato com o livro foi com o anúncio da editora sobre o lançamento dele. Não conhecia o livro nem o autor, e logo fui procurar a sinopse e críticas. O livro de cara me pareceu ser bastante intenso e denso, algo que me lembrou “12 Anos de Escravidão” e me deixou ainda mais ansiosa para a leitura.
   Livros baseados em acontecimentos históricos marcantes me interessam bastante, pois acredito que eles possibilitam entender um pouco mais a realidade humana, a nossa história em seus melhores e piores momentos, nos momentos em que afloram as características mais verdadeiras de nós mesmos.
   A narração do livro é feita pela própria protagonista, em sua velhice, voltando ao início de sua trajetória, ainda na aldeia na África. Por ser uma narrativa que remete à infância da narradora, um período em que a personagem passou por eventos traumatizantes e uma mudança tão brusca em sua vida, a narrativa do autor é bastante tocante e tem um grande apelo emocional; tanto por todas as coisas ruins pelas quais a protagonista passou, quando pela determinação e força de caráter da mesma. É uma narrativa bastante envolvente.


   Um dos pontos que mais me chamaram atenção no livro foi o tom poético da narrativa. Aminata passou por uma jornada dolorosa, e, mesmo assim, narra sua história de uma forma tão bela — suas palavras, contrastando com a aridez de sua história, criaram uma obra dolorosamente bela. Em muitos momentos de sofrimento, apesar de todas as coisas ruins, Aminata ainda mantém uma postura forte, como se acreditasse a cada segundo que, em breve, isso passaria.
  É notável a familiaridade do autor com o tema, o que é refletido pela sua herança histórica e o conhecimento do autor em relação ao sofrimento dos africanos, que enfrentaram, no auge, o período de escravidão. Transparece a paixão de Lawrence por esse tema, o que, com certeza, contribuiu para a beleza e intensidade do livro.
   A protagonista é muito forte — sua postura transmite uma força interior muito grande, que se revela ainda maior mesmo diante de tantas adversidades pelas quais Aminata passa. Ela se destaca também por sua inteligência, demonstrando habilidades e qualidades que a tornam uma escrava que se destaca em meio aos outros. O afastamento de sua família quando criança, e também quando adulta, são pontos que norteiam muito de sua personalidade, sempre lutando por sua família, para sua família.


 Livro: Beijo na testa é pior do que separação
Autor (a): Felipe Pena
Editora: Primavera Editorial
Páginas: 180
ISBN: 9788561977658
Sinopse: Este livro de crônicas de Felipe Pena traz à tona exatamente as características deste tipo textual,que são: breve narrativa a respeito de temas cotidianos e atuais, com linguagem simples e coloquial, exposição dos sentimentos e re flexão a respeito do tema. Décimo quinto livro do autor, em Beijo na testa é pior do que separação – Crônicas do fim de tudo estão reunidas crônicas que tratam da ruptura de relacionamentos e que versam sobre os mais variados assuntos, dentre os quais estão a separação entre os casais, a política, o jornalismo e a literatura. A conexão entre as crônicas está no tema: a separação. Alguns dos textos publicados neste livro são inéditos; já outros foram veiculados em jornais, revistas e livros.

Beijo na testa é pior do que separação – Crônicas do Fim de Tudo é o mais recente livro publicado pela Primavera Editorial do jornalista, professor e psicólogo Felipe Pena. Com outros 14 livros no currículo, entre eles Fábrica de Diplomas (Editora Record) e O Verso do Cartão de Embarque, Felipe já foi duas vezes finalista do Prêmio Jabuti. 

    Apesar de já ter lido algumas antologias que reuniam contos de diferentes autores, nunca havia lido um livro com crônicas de apenas um – e, depois de Beijo na Testa é Pior do que Separação, confesso me arrepender desse lapso. Acontece que sempre li crônicas de um modo aleatório: em um jornal, em uma revista, alguma que andava fazendo sucesso na internet. Adoro crônicas, é claro, mas nunca foi um gênero que pensei “poderia ler um livro inteiro só disso”. Bem, aconteceu. 
   Nessa obra, as várias crônicas que a compõem giram em torno de temas específicos: o fim de um relacionamento, assim como o amor, a saudade, as frases não ditas e os pequenos atos que parecem ser a receita certa para o final de uma paixão. O interessante sobre isso é a forma como tudo é retratado. Não há nada exatamente claro, uma causa certa para a ruptura entre duas pessoas – o autor se utiliza de metáforas, frases sutis e eufemismos, que exigem uma grande interpretação do leitor para saber qual foi a essência de cada história. 
   Desse modo, com uma linguagem coloquial e de fácil entendimento, Felipe Pena consegue ser, ao mesmo tempo que sucinto, poético. Há, nos textos, várias expressões do dia a dia e até algumas gírias, mas também é possível identificar metáforas, analogias e eufemismos. Assim, os casos contados tornam-se aparentemente simples, mas vêm guarnecidos de uma carga emocional enorme.



    As crônicas são independentes, todavia, em certos momentos, parecem relacionadas com outras. Não é preciso realizar a leitura do livro inteiro para entender apenas uma, contudo, posso garantir que, assim que começar a ler, parar torna-se muito difícil. É o livro perfeito para uma tarde melancólica, chuvosa, e a leitura pode ser concluída em uma questão de meras horas (no meu caso, ao menos, foi exatamente assim.)
   Como o próprio Felipe Pena explica na última parte do livro, intitulada Crônica do Posfácio, nem todas as crônicas presentes no livro são inéditas. Algumas já foram veiculadas em jornais, revistas, e até outros livros. Também há um caso especial, na qual uma das crônicas teve sua publicação vetada por um grande veículo jornalístico (o texto traz citações a importantes nomes públicos e foi censurado, segundo o próprio Felipe Pena, pela requisição de “um deputado que tem muito poder e influência nos meios de comunicação”).


Oi, pessoal! A Primavera Editorial, parceira do blog, está lançando, esse mês, o livro O Segredo do Sucesso é Ser Humano, escrito pela coach e palestrante Susanne Andrade. O livro promete ensinar a humanizar a relação profissional para obter melhores resultados profissionais e ser feliz na vida pessoal.
 Confira a capa e sinopse do lançamento abaixo, além de alguns trechos da obra. 

 "Seu trabalho deixou de ser fonte de realização ou motivo de orgulho para virar um sofrimento? Sempre que volta de férias, sua vontade é de mandar tudo às favas e pedir demissão? Se as coisas chegaram a esse ponto, saiba que você não está sozinho. Ao contrário, essa condição aflige um número cada vez maior de profissionais em todas as áreas, levando-os com frequência a quadros de cansaço, desânimo, estresse e até depressão. A boa notícia é que tudo isso tem jeito. E a solução passa, inevitavelmente, pela valorização do ser humano, tanto no ambiente de trabalho quanto fora dele. Fruto de situações reais do mundo corporativo, vividas ou descobertas pela autora no contato com profissionais, família, alunos, amigos e parceiros, esta obra analisa o progressivo distanciamento que hoje se verifica entre as pessoas. Pondera com leveza e sabedoria sobre cada um dos malefícios decorrentes disso. E aponta caminhos, com dicas preciosas de como resgatar o prazer de uma relação amigável entre colegas de trabalho. Afinal, todos sabemos que uma carreira de sucesso não se constrói sem que sejam construídos também bons relacionamentos."
   O livro é fruto de situações reais, vividas ou descobertas pela autora no contato com profissionais, família, alunos, amigos e parceiros. As histórias contadas por Susanne emocionam, inquietam, fazem refletir. Elas tocarão o leitor como poucas obras do gênero são capazes de fazer. E seguramente vão ajudá-lo a resgatar seus valores, sua autoestima e seu entusiasmo para enfrentar o dia a dia. 

TRECHOS DA OBRA
 “Você está realizado com suas escolhas? Tem seguido o seu chamado interior no desenvolvimento de suas atividades? Faz aquilo que ama? Ama aquilo que faz? Existe paixão, brilho em seu olhar, por seu trabalho? Talvez a causa de seu desânimo ou estresse possa estar exatamente aí.”
pág. 49

“Alguma vez você já seguiu um líder por seu exemplo inspirador? Pense em alguém que é uma referência positiva para você, pelo caráter e pelas atitudes. Agora, é importante que você saiba que só identifica essas qualidades no outro porque elas também existem em você. Por isso, é fundamental que você reconheça o seu valor!”
pág. 121

“Para humanizar a nossa forma de nos relacionar, é essencial falar e praticar dois valores: o respeito e a responsabilidade. Não existe outra forma de nos tornarmos mais humanos que não seja respeitando a nós mesmos e aos outros, além de assumir a responsabilidade por nossas escolhas e pelo futuro que queremos construir em nossas vidas.”
pág. 143


Livro: O Tocaio
Autor (a): Edison Rodrigues Filho
Editora: Primavera
Páginas: 196
ISBN: 9788561977726

Sinopse: Flávio Moretto é o xará, o Tocaio, de Flávio Fontoura, o Biotônico. Um triângulo amoroso inicialmente entre Amanda, Tocaio e Biotônico desencadeará uma trama cheia de mistério, permeada por política e história. Depois da suposta morte de Biotônico, é a vez do triângulo amoroso entre Tocaio, Amanda e uma garota parecida com Juliana, filha de Biotônico e Amanda. Uma dúvida paira se a garota é mesmo Juliana ou alguma moça parecida com ela. Tocaio confuso entre o amor por Amanda e a paixão pela garota. Será que este e outros mistérios se desfazem ao final da trama? Toda essa história é permeada por acontecimentos políticos, como quando estudantes foram às ruas fazer a campanha Fora Collor, que culminou no impeachment do então presidente da República.

  Tocaio foi escrito por Edison Rodrigues Filho e publicado pela Primavera Editorial. Autor de diversos livros juvenis como “O Segredo da Chave” e “O Segredo da Invisibilidade”, Edison Filho teve o livro “O Meio Circulante” indicado para o Prêmio Jabuti, na categoria Juvenil. Leia a resenha a seguir e conheça melhor sua obra intitulada de O Tocaio. 

     Flávio Moretto – ou melhor, Tocaio – sempre ficou à sombra de seu xará, Flávio Fontoura. Inclusive quando conheceram uma bela ruiva no ônibus: Amanda. Logo de cara, ambos ficaram encantados por essa garota, mas quem a conquistou de cara foi Flávio Fontoura, que sempre fora mais eloquente e arrojado. 
     Tocaio permaneceu por anos assistindo seu xará ter a vida que ele próprio havia pedido aos céus. Fontoura não só se casara com Amanda, como tivera uma filha igualmente ruiva e tivera ascensão com os negócios da família enquanto Tocaio se tornara professor de Literatura e continuava a saborear os fracassos de sua vida. Porém, a família Fontoura encontra a falência e decide armar um golpe para fugir dessa enrascada. 
     Tempos depois, Flávio Fontoura falece em um acidente de carro. Por mais triste que ficara, Tocaio não negou ajuda à viúva Amada e logo começaram a se relacionar. Tocaio substituiu seu melhor amigo em sua completa vida, inclusive em sua casa e em sua cama. Mas Juliana, filha de Amanda com Fontoura, não aceitava muito bem a presença de Tocaio em sua casa. 
     Tocaio sentia uma atração por Juliana indescritível e em um dia, enquanto dirigia seu carro durante uma chuva intensa, deu carona a uma garota incrivelmente parecida com sua enteada. Não demora muito e nosso protagonista começa a cotejá-la...

     Composto pela não-linearidade em seu enredo, O Tocaio se mostrou um livro inteiramente envolvente e arrebatador. Tendo sua estrutura narrativa em terceira pessoa e personagens bem aprofundados, foi impossível não atingir as 194 páginas com rapidez, e foi impossível interromper a leitura.
     O Tocaio tem uma linguagem mais rebuscada, porém, ainda sim, acessível. A narração tem a característica de “relato” em algumas cenas – principalmente nas memórias do passado – e interage bem com os diálogos, atribuindo a esta um equilíbrio admirável. O escritor brinca, também, de forma quase poética com os nomes e os fatos trágicos da sua própria história. Essa interação criativa e bem humorada autor-leitor fez ser impossível cansar dessa leitura gostosa, envoltória e atraente.
     O que também me fez insistir nessa obra foi a curiosidade que o autor fez crescer no leitor. Era possível não notar que O Tocaio era mais que um simples romance, e que tinha muita história escondida em seu enredo. Li-o até o seu fim com a imensa vontade de compreender e ver até onde Edison Filho levaria a sua trama e fiquei bem satisfeita com o seu desfecho.


     Os personagens foi um ponto fortíssimo, já que tinham suas características fortes e marcantes e acabavam seduzindo a atenção do leitor. Tocaio, nosso protagonista – pelo qual desenvolvi muita simpatia – foi um personagem muito bem empregado nessa obra, assim como seus coadjuvantes, como Amada – que me surpreendeu muitíssimo – e Juliana.


Livro: A Neta da Maharani: A história real da princesa de Kapurthala
Título original: The Maharani's Hidden Granddaughter 
Autor (a): Maha Aktar
Editora: Primavera Editorial
Páginas: 368
ISBN: 9788561977092
Sinopse: Em três gerações e um século completo, o livro traz a história de quatro mulheres admiráveis marcadas por amores secretos. A neta da Maharani é um romance de memórias que retrata amor, esperança e choque cultural. Relato da saga de Maha Akthtar em busca de sua verdadeira origem, a obra é um resgate de experiências que o tempo tentou apagar. Em três gerações, o livro traz a história de quatro mulheres marcadas por amores secretos - Anita Delgado, uma bailaora espanhola que aos 17 anos se casou com o marajá de Kapurthala, na Índia; Laila, uma mulher libanesa independente e à frente de seu tempo; Zahra que cometeu o erro de se apaixonar por Ajit, filho de Anita Delgado e do marajá; e Maha que busca a verdadeira identidade em viagem que começa em Nova York, passa pela Europa e chega à Índia.

    Maha Aktar sempre acreditou ter nascido na Austrália. Jornalista e dançarina de flamenco, supostamente filha de uma indiana com um paquistanês, Maha é pega se surpresa quando, ao necessitar de sua certidão de nascimento para renovar seu passaporte, descobre que não existe registro algum de seu nascimento. Depois de meses de extensa procura, Maha – que não fala com a mãe há algum tempo – se vê obrigada a pressionar a família por respostas, e é aí que se vê entrando em uma história quase inacreditável: ela é, de fato, filha de sua mãe, mas seu pai é Ajit Singh, o filho de uma bailarina de flamenco que, muito jovem, se casou com o marajá Jagatjit Singh, um dos homens mais ricos e influentes da Índia. 
    É partir desde fato revelador que a história de A Neta da Maharani começa a se desenvolver. Depois de reveladas as origens de Maha, somos transportados pelo tempo para a história de suas antepassadas, que, assim como ela, foram mulheres poderosas que precisaram lidar com as dificuldades impostas pela vida e lutar pelo amor. 

    Raras vezes temos a oportunidade de ler um livro tão tocante como o que relata a história de Maha Aktar. Que menina nunca sonhou em ser uma princesa? Contos de fadas, sejam eles modernos ou antigos, sempre tiveram seu charme e atraíram milhares de leitores: é claro, tudo isso é apenas mais encantador ainda quando trata-se de uma história real. 
     O livro é narrado em primeira pessoa por Maha, e, depois, quando conta-nos sobre as jornadas de suas antepassadas, em terceira pessoa. Sempre adorei esse tipo de narração mais pessoal, e tudo torna-se ainda mais mágico devido ao fato de que todo o livro soa como um relato das próprias mulheres protagonistas. 
"Depois de Anita houve muitas outras mulheres na vida de Jagatjit... Mas ninguém cativou seu coração e sua lama como ela o fizera. Talvez fosse sua inocência ou ingenuidade o que a tornavam tão sedutora, talvez sua vontade de se transformar no que queria ser ou, talvez, tenha sido algo tão simples quanto o amor..."
    A Neta da Maharani consegue entrelaçar passado e futuro de maneira magistral: depois de sermos apresentados à história de Maha, conhecemos a das três gerações anteriores: Zahra, a mãe de Maha, uma eterna sonhadora que precisou aprender a lidar com a tristeza depois de uma decepção, Laila, uma mulher forte, que teve o amor tirado de si, apenas para reencontrá-lo anos depois, e Anita Delgado, uma jovem de 17 anos que se apaixona e entra em um casamento com o poderosíssimo, e muito mais velho, marajá Jagatjit Singh. 

     Não contarei, em detalhes, sobre a história de cada mulher – até porque isso tiraria um pouco da graça do livro. Cada mulher é tão forte, e achei incrível o fato de que, a sua própria maneira e enfrentando as muitas dificuldades de seus tempos, elas tiveram que lutar com unhas e dentes por sua felicidade. Nem tudo acaba bem para todas, mas, é aí que está a grande lição de vida que o livro passa: como precisamos lutar com tudo o que temos pelo que achamos certo, e, quando há alguma decepção em nossa vida, necessitamos aprender a lidar com isso da melhor maneira que podemos. 
    Além disso, o livro possui um cenário histórico impecável: somos levados a passeios pelas ruas de Beirute, Damasco, e tantas outras localizações fascinantes. São vários lugares que, através de muitas gerações, estão conectados e emaranhados sem que ninguém se dê conta disso. Além disso, achei incrível o fato de que, com a leitura, acabei conhecendo muito de uma cultura que nunca havia pesquisado a fundo. As tradições, costumes, a culinária e a paisagem tão diferentes da nossa usual são como um sopro de ar fresco para quem é (como eu!) fã de diferentes culturas.



Oi, gente! Como vão vocês? Já estamos no finalzinho do mês de maio, e é hora de mostrarmos para vocês aquilo que recebemos dos parceiros ou compramos durante o mês. Vamos lá? 

Silo, de Hugh Howey foi uma cortesia da Editora Instrínseca. A capa é realmente linda, e o livro é a leitura atual da Letícia. 

Também chegou por aqui A Neta da Maharani, cortesia da Primevera Editorial. Estou finalizando a leitura, e já adianto que o livro é incrível. 

Recebemos também os lançamentos do mês de junho da Editora Novo Conceito: O nacional Enquanto a Chuva Caía e O Diamante, de J. Courtney Sullivan. Caçadores de Tesouros do James Patterson, que é lindo e vem com uma capa dura, e, finalmente, Incendeia-me, a conclusão da série Estilhaça-me. A editora (finalmente!) resolveu relançar os livros com as capas americanas. Mas, se você possui as versões anteriores, pode vir aqui e pedir que a NC te enviará jackets para os livros gratuitamente.

O Códex dos Caçadores de Sombras foi um achado por um preço muito bacana na loja virtual do Extra. O livro é simplesmente maravilhoso, e não resisti a tirar uma foto dele ao lado das séries shadowhunters. 

Por fim, Para Sempre estava em promoção no Submarino, e não resisti. Também comprei A Escolha pelo Ponto Frio, e mesmo que tenha me incomodado com a demora na entrega, o devorei quando chegou aqui. Ah, já temos a resenha dele aqui!

LOMBADAS!

E é isso, leitores! Contem-nos aqui em baixo, nos comentários: Já possui algum dos livros citados? E qual deles já está na sua listinha? 




Livro: Morte Entre Poetas
Título original: Muerte entre poetas
Autor (a): Ángela Vallvey
Editora: Primavera Editorial
ISBN: 978- 85- 61977 – 27-6
Edição: 1
Ano: 2011
Páginas: 316 páginas
Acabamento: Brochura





O que deveria ser apenas um encontro entre prestigiosos membros da literatura nacional, converte-se em algo perturbador, ao ser assassinado com uma punhalada no coração um dos poetas participantes. Nacho Arán, poeta e meteorologista, chega ao local pouco depois de perpetrado o crime. Livre de suspeitas, Nacho dedica-se a investigar os outros participantes. Logo descobrirá que quase todos eles têm algo contra o morto e perceberá que o requinte intelectual e a suposta sofisticação da cultura não servem como vacina contra o mal e as paixões violentas, contra o ódio e o desejo de vingança... Ágil e sutil, mas profunda, brilhante e divertida, Morte entre Poetas é um autêntico sucesso de narrativa, que deslumbrará os leitores. Uma história deliciosa que presta uma homenagem aos antigos romances de Agatha Christie e às guerras literárias de Pío Baroja.

      Nacho Arán é um aspirante a poeta que, além meteorologista, é proprietário de um site chamado “Clube Baskerville”. Fruto de um final de semana ocioso, o site começou postando pequenos mistérios e hoje, com ajuda de sua tia solteirona e de um hacker adolescente, ajuda até mesmo a polícia local a solucionar crimes. 
    Nacho é, então, convidado a fazer parte de um encontro entre poetas que está sendo sediado na mansão da viúva Agustina Pons, e, ao chegar ao local, se depara com uma tragédia digna de um livro: Fábio Arjona – um dos poetas que participava do encontro – foi assassinado com punhaladas no coração no jardim da mansão, e o culpado deve ser algum dos hospedes restantes. 
    Como era o único que não se encontrava na mansão na hora do assassinato, Nacho ajuda a viúva e decide usar sua experiência em investigações para achar o culpado. Porém, nada corre como esperado quando, ao investigar os hóspedes que estavam presentes no dia do assassinato, descobre que cada um tinha seus motivos para querer Fábio morto. 

     Este é, sem qualquer dúvida, um livro intenso. Ele nos mostra como o ser humano pode ser cruel, mesquinho e egoísta. Durante a leitura, é quase impossível fixar um assassino em mente, já que todos sofreram pelos atos de Fábio, seja por plágios ou por humilhações. O poeta morto definitivamente não é o tipo de personagem que você cria afeto: ambicioso, porém sempre usou dos piores métodos para conseguir o que queria. Era um plagiador, chantagista, que usava de golpes e conquistava mulheres frágeis sem qualquer tipo de escrúpulo. 
     Sabiamente escrito, o livro poetiza a narração, e, por isso, o leitor deve estar sempre atento ao que acontece: detalhes são deixados aqui e ali, e o final é impactante. Os personagens são bastante humanos, e demonstram os defeitos e falhas que todos sofrem a esconder: guardam ressentimentos profundos, demonstram-se rancorosos e até satisfeitos com a morte de Fábio. 
      Uma trama recheada de segredos, tem um ritmo de leitura envolvente e deixa o leitor ávido para descobrir o que realmente aconteceu. Com um design limpo e uma fonte agradável aos olhos, é uma leitura que exige atenção, mas no final, não há algum arrependimento quanto ao livro. 
     Recomendo Morte Entre Poetas a todos que desejam uma leitura mais elaborada, algo em que se possa refletir. Não é uma leitura leve, com certeza, e traz a tona sentimentos que são geralmente deixados de lado em obras literárias. Tudo isso, afinal, faz da obra de Ángela Vallvey um daqueles livros memoráveis.



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