Livro: Odisseia Olímpica
Autor(a): Luiz Antônio Aguiar
Ilustrador: Jorge Guidacci
Editora: Biruta
Páginas: 164
ISBN:9788578481537

Sinopse: Um panorama histórico da origem dos Jogos Olímpicos, desde os tempos de Zeus até o Rio de Janeiro, em 2016. Repleto de curiosidades, Odisseia Olímpica traz de uma forma divertida inúmeras informações sobre um dos mais importantes eventos mundiais, que a cada quatro anos celebra a paz entre os povos.

       Odisseia Olímpica é um livro infanto-juvenil publicado pela editora Biruta. Foi ilustrado pelo Jorge Guidacci, e escrito por Luiz Antônio Aguiar, renomado autor que já ganhou o prêmio Jabuti e é mestre em literatura brasileira. 
      Sou extremamente fã de mitologia grega e fiquei inteiramente ansiosa para ler esse livro! Me interessei também pela obra por causa do título, que é criativo e brinca com duas situações "históricas" para os gregos: a odisseia que foi uma poema fantástico escrito por Homero sobre o herói Odisseu, e a Olimpíadas que eram as competições que aconteciam de quatro em quatro anos em homenagem ao deus Zeus.


     Por mais que algumas das histórias apresentadas por Aguiar não venham de sua imaginação, o modo como ele as apresentou foi inteiramente envolvente e criativo. Não consegui imaginar outro modo de interessar crianças e adolescentes para um assunto tão complexo quanto a mitologia grega, que tem inúmeros contos, nomenclaturas, versões diferentes e tem uma linearidade, muitas vezes,"falha". Acaba sendo demasiadamente difícil lidar com elementos confusos assim e Aguiar transcendeu muito bem esse problema.
      Além disso, o autor trouxe essas histórias para um assunto antigo e ao mesmo tempo super atual: as Olimpíadas. Muitos jovens estão entusiasmadíssimos com a olimpíada que ocorrerá no Brasil ano que vem, e esse foi o melhor caminho que o autor poderia ter escolhido para despertar o interesse do público-alvo. Tenho que admitir, por conseguinte, que aprendi inúmeras informações sobre as Olimpíadas com esse livro, que traz quadros com curiosidades e explica com detalhes e dados as olimpíadas anteriores.


      Gostei, principalmente, de ver que nenhuma informação faltava em Odisseia Olímpica. Havia muitas explicações no rodapé, mapas para guiarem geograficamente o leitor. Esses artifícios auxiliaram muito no compreendimento da mitologia. E mesmo sendo penoso retratar versões diferentes, Aguiar se arriscou e acabou suprimindo muitas dúvidas comuns; já vi muitas pessoas acharem que Hércules (versão romana) e Herácles (versão grega) eram pessoas diferentes.
     A linguagem dessa obra é muito acessível e trabalha com vários tipos de textos. Temos a narrações de alguns contos, textos informativos, histórias em quadrinhos, entre outras modalidades. Gostei muito dessa diversidade que não cansa o leitor. Aguiar apresentou, também, os deuses gregos/romanos a partir de um sistema muito legal, de fácil entendimento, interligando um mito ao outro.



 Livro: Na Teia do Morcego
Autor (a): Jorge Miguel Marinho
Editora: Gaivota
Páginas: 256
ISBN: 9788564816299

Sinopse: Se o herói desta inquietante narrativa é ou não o mesmo Batman das histórias em quadrinhos, este é o grande desafio para o leitor. Será que o conhecido Cavaleiro das Trevas se mudou para o centro de São Paulo e, por razões íntimas, não pretende retornar a Gotham City? Neste livro ele revela a sua máscara mais humana e vive uma aguda crise existencial: ser ou não ser herói. Pode ser ele o assassino de Abigail Aparecida Chaud ou qualquer um dos outros personagens que são flagrados por uma luneta cruel e formam um painel, vivendo na atmosfera agitada e penumbrosa de uma metrópole igualmente cruel. Jovens curiosos, velhos solitários, pessoas desvalidas, seres entusiasmados e tantos outros, todos eles são suspeitos do crime e vítimas da existência pelo simples fato de existir. Quem narra é igualmente suspeito porque se esconde numa “teia” dos mais diversos meios de comunicação: cartas, diário, telefonemas, telegramas, internet, gravações, notícias de jornal, de rádio, de televisão e até uma ata de condômino. E o leitor não fica imune a esta trama tão estranha e tão familiar – é convidado e convocado a entrar na história e agir.

"Na Teia do Morcego" foi escrito pelo autor nacional Jorge Miguel Marinho e publicado no ano de 2012 pela Editora Gaivota. Dentre outros títulos, Jorge Miguel Marinho publicou "Lis no Peito" pela editora Biruta; obra que ganhou o prêmio Jabuti. Confira a resenha do renomado escritor, roteirista e ator a seguir: 

      Abigail Chaud parece ter se suicidado. O que tudo indica, ela se jogou da sacada do apartamento que morava, lugar onde ficava bisbilhotando, através de uma luneta, a vida de muitos vizinhos daquele prédio. Não obstante, levanta-se, em seguida, a ideia de que ela fora jogada das alturas, pelas marcas violentas de resistência que foram encontradas em seu corpo. 
      Mas quem teria motivos para matá-la? É nessa trama que descobrimos que todos os moradores daquele prédio tinham motivos de sobra para se vingar da moça curiosa e mexerica. Muitos vizinhos escondiam segredos terríveis e decisivos, capazes de transformar suas vidas da noite para o dia. 
      Entretanto, outra situação muito adversa estava acontecendo em São Paulo. Um morador misterioso decidira se transformar em Batman e fazer justiça com as próprias mãos. Numa perseguição à bandidos, estupradores, prostitutas e etc, o Batman impostor acaba transformando a cidade num verdadeiro caos pela sua inconveniência e atitudes exageradas e radicais. Agora os moradores de São Paulo estavam revoltados e queriam o banimento dessa figura atrapalhada.

"Moradores da consolação  e adjacências estão revoltados com o reaparecimento do Batman. E não é pra menos [...]"

      "Na Teia do Morcego" é uma exímia obra de arte, pois apresenta a combinação de vários elementos criativos e dinâmicos. Trata-se de uma obra ágil, envolvente e conquistadora. 
     Com inúmeros "tipos" de narração, Jorge Miguel Marinho acaba inovando e construindo uma trama muito curiosa e distinta. Nunca havia antes lidado com um livro tão diversificado assim, que fosse livre de "regras" e que se desenrolasse com tanta liberdade de escrita.
      Normalmente, os autores se sentem muito presos à métodos de escrita, a um sistema próprio que regem tamanho de capítulos, narração, a sequência da trama e etc. Jorge Miguel Marinho não se limitou a esses modelos. 
      Encontramos nesse livro todo tipo de narração: entrevistas, reportagens, telefonemas, emails, cartas, baixo-assinado, poemas, entre outros gêneros. O autor demonstrou muita destreza ao desdobrar uma história complexa utilizando todos esses tipos de textos. Pode-se enxergar que essa escolha foi extremamente perigosa, já que o autor poderia ter desenvolvido mal seu enredo e tornado o livro cansativo e ruim. 
      Contudo, encontramos um livro que tem uma sequência semelhante a de um filme, cheio de ângulos e acontecimentos soltos, sem muita explicação, mas com muito suspense e mistério. O mistério ronda os personagens, que são muito peculiares e concretos. Todos eles — até a nossa falecida Abigail — apresentam traços marcantes e muito leais à sociedade brasileira. Cada um tinha suas qualidades e defeitos o que deixava o livro interessante e real. 
      "Na Teia do Morcego" tem um clima bem voltado para o público juvenil, isso não quer dizer que adultos não possam apreciar essa obra. Essa dinamização acaba seduzindo mais esse público jovem e incentivando a leitura. Claro que a diagramação e o designe são outros fatores que contribuem inteiramente para esse livro. 

"Medo dos meus trinta e dois anos  que vejo no espelho com medo da imagem que me olha e medo de olhar para mim."

      A Editora Gaivota, o autor, e a Casa Rex — responsável pela capa e diagramação do livro — fizeram um trabalho visual incrível. A capa é muito arrojada, contudo, muito apagada. Não sei se em outras condições o livro acabaria chamado a minha atenção — numa livraria, como exemplo, onde há livros com capas mais chamativas. Em compensação, a configuração do livro é muito artística. Cada página tem uma cor, e são diferenciadas de acordo com seu gênero textual. Os poemas tem uma fonte de letra datilografada, enquanto as manchetes de jornais seguem o logo e o modelo de uma original.
    Aliás, o material utilizado é de extrema qualidade. As folha são muito grossas — semelhantes as de papel cartão — e a capa muito resiste. É o tipo de livro que vale muito a pena investir seu dinheiro, por motivos materiais e de conteúdo.


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