Gente, para tudo! Isso mesmo, finalmente temos alguma notícia quanto a continuação do livro Brilhantes, sucesso da ficção científica e um dos melhores livros que já li na vida. A Galera Record liberou recentemente a capa e a sinopse do último livro da duologia, que receberá o nome de Um Mundo Melhor. Confiram abaixo a publicação feita no Facebook da editora.
A publicação do livro deve ocorrer em meados da última semana de Junho, e minha ansiedade está imensa! E vocês, já conheceram Brilhantes? O que esperam da continuação?
Livro: Poder, estilo e ócio
Autora: Joyce Pascowitch
Editora: Intrínseca
Páginas: 176
ISBN: 9788580578461
Sinopse: Desde que iniciou sua carreira jornalística em 1986, Joyce Pascowitch fez de tudo: foi à posse de três presidentes, jantou com a Madonna, rodou o mundo (mas guarda um carinho especial por São Paulo, pela ilha de Míconos na Grécia e pelo vilarejo de Trancoso na Bahia). Com o savoir-faire de quem sempre circulou pelos bastidores do poder político e econômico, ela conta detalhes de um universo onde sobra luxo e glamour, como a história do empresário que tem um jatinho com cama e chuveiro para chegar sempre disposto às reuniões, e fala da importância de uma bolsa Chanel na vida de uma jovem executiva. Poder, estilo e ócio é um convite ao leitor para entrar no mundo de Joyce.
Joyce Pascowitch é uma jornalista de colunas sociais, já tendo trabalhado em grandes jornais, como Folha de S. Paulo, Época e Globo News. É autora de três livros (De alma leve: sutilezas do cotidiano, Avental e Fotossíntese: 13 anos de coluna) e em 2015 lançou o quarto: Poder, estilo e ócio, onde revela alguns detalhes de sua vida e experiência na profissão que a fez se tornar tão conhecida e respeitada.
O livro divide-se em três partes. A primeira é Poder, onde Joyce fala sobre tudo aquilo que considera poderoso, e até reflete sobre seu próprio poder. Sendo uma personalidade que presenciou momentos históricos como a posse de três presidentes e um impeachment, Joyce Pascowitch tem uma visão ampla sobre o que significa poder e o que é tê-lo. Ela também ensina como reconhecê-lo e como não se perder dele. Visa a independência e o fato de trilhar um caminho próspero como as chaves para se deter tal fator.A segunda parte é Estilo. A autora mostra que tudo pode girar em torno das aparências, e que é bom que haja uma preocupação razoável com esse quesito. Ela desvela todas as suas preferências por moda, arte, arquitetura, cultura, literatura e filosofias. Mostra que o estilo de vida deve ter um cuidado especial por cada um de nós, já que somos as verdadeiras consequências do que eles trazem. Defende, por fim, que o importante é sentir-se bem e feliz com o que usa, com o que tem e com o que segue.
A terceira parte é Ócio. Nela, Joyce fala sobre seus points favoritos e como se sente em relação a cada um deles, relatando suas experiências nas viagens que fez por cada cantinho do planeta. Suas paixões ligadas ao desprendimento das coisas materiais e o desenvolvimento do lado espiritual também são trabalhadas nesse capítulo. Joyce ainda pincela detalhes marcantes de sua trajetória pessoal quando fala da luta contra o câncer de mama que teve de enfrentar algum tempo atrás, e de sua religião judaica, com a qual mantém uma forte relação.
Poder – "Para quem me acha muito poderosa, digo: meu poder é medido pelos meus cachorros. Se eles me obedecem, me sinto poderosa. Como isso é uma raridade, eu diria que a sensação de frustração é grande" (p. 50).
O nome de Joyce Pascowitch pesou bastante em meu julgamento na hora de ler Poder, estilo e ócio. Admiro muito a personalidade que Joyce se tornou no meio jornalístico e todas as suas ideias niveladas no âmbito social. Ler essa obra foi como abrir seu diário. Esperava por algo mais formal como é mostrado em seus livros anteriores, mas este mostra um lado mais despojado da escritora, uma abertura de sua alma que escapou e se prendeu ao papel.
Pelo gênero de narrativa pessoal, a narradora em primeira pessoa é a própria Joyce. O diálogo que ela estabelece com o leitor é honesto, brando e leve. Ele é tão real que, nas últimas páginas há indicações da autora dos melhores lugares para se visitar, se hospedar, e praticar várias outras atividades (como ela se mostra uma mulher eclética, a lista é bem variada). Todas as impressões narradas são apresentadas ao leitor de forma tão sincera que, mesmo mantendo algumas opiniões divergentes da dela, a forma como a leitura transcorre faz com que não haja conflitos — a ideia oposta é respeitada imediatamente.
Estilo – "Aprendi com meu psicanalista que a felicidade existe para inspirar a vida da gente" (p. 89).
E os fãs de "O Lado Bom da Vida" vão adorar a novidade de que mais um livro do Matthew Quick chegou ao Brasil, pela Editora Intrínseca. O livro é uma grande promessa do gênero jovem adulto e, em virtude do desempenho anterior do autor, podemos esperar boas coisas dessa nova trama. Uma resenha da obra pode ocorrer em breve aqui no blog, mas antes disso queremos a opinião de vocês quanto a capa e a sinopse, confiram:

Repetir um movimento várias e várias vezes ajuda a clarear a mente – uma lição que Finley aprendeu muito cedo, nas quadras de basquete. Numa cidade comandada pela violência do tráfico e da máfia irlandesa, vestir a camisa 21 e dar o sangue em quadra é sua válvula de escape. Vinte e um também é o número da camisa de Russ, um gênio do basquete. Ou pelo menos era. Recém-chegado à cidade de Bellmont depois de ter a vida virada de cabeça para baixo por uma tragédia, a última coisa que ele quer é pegar de novo numa bola.
Russ está confuso, parece negar o que lhe aconteceu e agora se autointitula um alienígena de passagem pela Terra. Finley recebe a missão de ajudá-lo a se recuperar e, para isso, precisará convencê-lo a voltar a jogar, mesmo sob o risco de perder seu lugar como estrela do time.
Contra todas as probabilidades, Russ e Finley se tornam amigos e, por mais estranho que pareça, a presença de Russ poderá transformar a vida de Finley completamente. Uma emocionante história sobre esperança, amizade e redenção, com a prosa sensível e inteligente de Matthew Quick.
• Os livros de Matthew Quick lançados pela Intrínseca já venderam no Brasil mais de 600 mil exemplares.
• Garoto21 foi considerado um dos melhores livros de ficção jovem pela Kirkus Reviews e figurou na lista da YALSA como um dos dez melhores dessa categoria no ano de seu lançamento.
• O livro vai agradar os leitores de A culpa é das estrelas e fãs de David Levithan.
Não vou dizer como termina, mas vai deixar você com vontade de rir e chorar, sentindo saudade dos personagens assim que virar a última página.
The Guardian.
Livro: A Viagem do Descobrimento
Autor: Eduardo Bueno
Editora: Estação Brasil
Páginas: 128
ISBN: 9788556080028
Sinopse: Embarque nas naus e caravelas da vasta frota comandada por Pedro Álvares Cabral. Circule por entre marujos lusitanos, pilotos árabes, astrólogos judeus e nobres ibéricos. Viaje com eles por mares tempestuosos, em meio a perigos desconhecidos ou calmarias enervantes. Saiba quais forças políticas moviam a esquadra que chegou ao Brasil, mergulhando no mundo da Escola de Sagres e do misterioso infante D. Henrique, um herdeiro dos Cavaleiros Templários. A viagem do descobrimento, primeiro volume da coleção Brasilis, revisita os momentos inaugurais da história do nosso país descrevendo-os como a grande aventura que de fato foram. A partir de cartas, documentos e crônicas da época, assim como estudos de historiadores consagrados, o jornalista e escritor Eduardo Bueno narra com riqueza de detalhes a trajetória de homens que venceram seus limites em busca de um novo mundo. Lançada originalmente no final dos anos 1990, a coleção Brasilis alcançou a marca de 1 milhão de exemplares vendidos e inaugurou um estilo leve, crítico e divertido de contar a história de nosso país.
COLEÇÃO BRASILIS
4. A Coroa, a Cruz e a Espada
Eduardo Bueno é escritor, jornalista, editor e tradutor. Com a Coleção Brasilis, que reúne A Viagem do Descobrimento, Náufragos, traficantes e degredados, Capitães do Brasil e A coroa, a cruz e a espada, tornou-se o primeiro autor brasileiro a emplacar simultaneamente quatro títulos entre os cinco primeiros nas listas de mais vendidos dos principais jornais e revistas do país. Eduardo também traduziu 22 livros, sendo o principal deles o clássico On the Road – Pé na Estrada, de Jack Kerouac, que marcou o desembarque da “literatura beat” no Brasil, com 30 anos de atraso. Ao longo das décadas de 1980 e 1990, editou mais de 200 títulos, de autores brasileiros e estrangeiros, tendo colaborado com algumas das principais editoras brasileiras. Como jornalista, trabalhou nos principais veículos de comunicação, entre eles a Rede Globo, a TV Cultura, a TVE-RS e os jornais O Estado de S. Paulo e Zero Hora. Já dirigiu e estrelou um programa sobre história do Brasil no Fantástico, da TV Globo, e foi o primeiro apresentador do History Channel no Brasil. Eduardo Bueno ganhou dezenas de prêmios, dentre eles o Jabuti, em 1999, e a Ordem do Mérito Cultural, comenda concedida pelo Ministério da Cultura do governo federal.
A Viagem do Descobrimento, lançado originalmente na década de 90, ganhou agora uma excepcional edição revista e ampliada, lançada pela Estação Brasil, selo da Arqueiro/Sextante, um selo descrito como "um ponto de encontro dos leitores que desejam redescobrir o Brasil". Bem, confesso que o selo cumpriu muito bem seu papel, pois não somente redescobri o Brasil, mas descobri outras coisas que ainda não me haviam sido apresentadas no contexto escolar. E a importância disso deve-se, principalmente, ao fato dos assuntos apontarem para um futuro real, e esse vindouro será tanto melhor quanto mais e melhor conhecermos o nosso passado e a nós mesmos.
O livro é acompanhado, inicialmente, de uma apresentação feita por Jorge Caldeira, um escritor, que faz um excelente apanhado do que nos espera nas próximas páginas. Acredito que essa apresentação é o ponto forte, alto e decisório na questão de prosseguirmos ou não com a leitura, e isso é feito de maneira suficientemente boa para que cumpramos com tal ato. Ademais, somos levados a uma introdução que apresenta um apanhado bem rápido, porém detalhista, de como se deu a chegada da expedição de Cabral ao Brasil. Os capítulos posteriores a isso, posso dizer, surgem como um destrinchamento ainda maior do que é abordado na introdução e, gente, só há uma palavra capaz de descrever todo esse destrinchamento: Incrível!
No primeiro capítulo, intitulado "De Lisboa a Vera Cruz", vemos da mais ampla forma possível como se deu toda a decisão e a preparação da expedição rumo as Índias. Fatos como o salário que os capitães receberam em favor da expedição — incluindo o do próprio Cabral, que recebeu uma fortuna —, a questão da iniciativa privada para custear a expedição, as duas divisões da frota de Cabral, como se deu a partida em Lisboa, como era composta a tripulação e do que se alimentavam até o momento em que — segundo o autor — "a armada de Cabral seguiu as instruções de Vasco da Gama e abriu seu rumo para sudoeste, empreendendo a 'volta ao mar', e acabou 'achando' o Brasil" são pontos apresentados nesse primeiro momento do livro.
Dando continuidade, temos o segundo capítulo todo e inteiramente falando sobre as conquistas de Portugal. Mas por que é importante, nesse contexto de "achamento" do Brasil, conhecer as conquistas de Portugal? É isso que, nesse segundo momento do livro, de forma ora sucinta, ora prolixa, que o autor deixa insanamente claro, principalmente ao mostrar como se deu toda a "ideia" de viajar até as Índias e como por meio disso a frota de Cabral foi parar no Brasil — enaltecendo inclusive que, em virtude, nesse caso, da grande ideologia portuguesa de conquistar e ter tudo, o Brasil pode não ter sido descoberto ao acaso, mas em prol de uma atitude intencional.
Ademais, temos o terceiro e último capítulo, o melhor em minha opinião, onde o autor debruça-se sobre os principais relatos da época — em destaque a Carta de Pero Vaz de Caminha —, e conta de uma forma admirável os 10 dias em que a frota de Cabral ficou no Brasil. Fatos como o choque cultural e sociológico, a convivência e o trato com os indígenas e o que Cabral fez ao "descobrir" a nova terra são, em suma, os tópicos abordados nesse capítulo, que fecha com chave de ouro o que certamente é, como ressaltou Fernando Henrique Cardoso, sociólogo e ex-presidente do Brasil, "uma síntese de séculos de nossa história," onde "(...) não há melhor introdução para um público não especializado que queira ter uma noção da história do Brasil".
A tese de Capistrano também pode ser usada para encerrar a discussão sobre os supostos precursores lusos de Cabral: se alguma expedição portuguesa de fato chegou ao Brasil antes da de Cabral, seu significado histórico foi praticamente nulo. A terra só seria integrada ao império ultramarino lusitano após o desembarque de Cabral — e, ainda assim, muito lentamente, como se sabe. De todo modo, passados mais de 500 anos, o descobrimento do Brasil continua sendo um capítulo aberto na história da expansão ultramarina portuguesa — e isso só aumenta o seu fascínio.
Nunca havia nem ouvido falar em Eduardo Bueno, tampouco em sua coleção que debruça-se sobre boa parte da história do "achamento" do Brasil. Contudo, devido principalmente ao meu fascínio pela História, quando fiquei sabendo do lançamento de uma nova edição do livro, não hesitei em fazer o pedido para a Editora Arqueiro/Sextante. Minhas expectativas eram altíssimas, e acredito que já deu para perceber que elas foram superadas — fiquei surpreso ao descobrir que o autor não é historiador!
A narração jornalística de Bueno é única — eu poderia dizer — e é interessante justamente por fugir, mesmo que brevemente, ao academicismo e ao rebuscamento, e adentrar mais no simples, compreensível, objetivo e mais detalhista — deixando claro que, em suma, esse "detalhamento" é inerente aquilo que é fundamental. O autor, em terceira pessoa, conta-nos os fatos e acontecimentos de forma tão bem feita que, por ora, sentimos-nos como se estivéssemos realmente viajando por mares tempestuosos, em meio a perigos desconhecidos ou calmarias enervantes. Há, sim, muitos detalhes, mas a importância deles está principalmente no fato de que os mesmos não constam nos livros de História — que tanto de julgam didáticos. Eduardo Bueno conta em 128 páginas o que o livro de História conta em dois parágrafos.
Muita coisa me chamou atenção no livro — muita mesmo! —, mas o fato do autor trabalhar constante e intrinsecamente a possibilidade da expedição de Cabral ter "descoberto" o Brasil de forma intencional é o que mais me deixou animado para com a leitura. Nada melhor do que uma teoria conspiratória, hein? E o autor debruçou-se de tal forma que acabou me convencendo de que, sim, o Brasil não foi descoberto por acaso, e que, não, Portugal não foi pioneiro em "descobrir" o Brasil — na verdade, Portugal foi pioneiro no descobrimento sociológico de nossa nação, contudo de todo modo os lusitanos não nos "descobriram", e, sim, nos acharam.
Drauzio Varella, médico e escritor, ao ler A Viagem do Descobrimento, disse o seguinte: "Ele [o autor] conta a história do jeito que deveria ser nas escolas: sem aquele monte de datas para decorar." Bem, eu não sei que livro Drauzio Varella leu, mas com certeza não foi A Viagem do Descobrimento. Não que o médico esteja de todo errado, mas também não está de todo certo. O que mais tem no livro são datas, pessoas, lugares e acontecimentos. Não há como dizer "sem aquele monte de datas para decorar". Agora, sim, o autor conta do jeito que deveria ser nas escolas, ainda que eu esperasse bem mais dele, porque ele fugiu, sim, do por vezes chato academicismo, mas foi visível que ele poderia ir além.
Quanto as datas, lugares e pessoas, é o seguinte: não há como estudar e compreender a História sem as datas, os lugares e as pessoas! Sem esses três fatores, para mim tais fatos deixam de ser História e tornam-se total e puramente fatos, sem qualquer relevância. Eduardo Bueno usou muitas datas, porque realmente foi necessário, mas isso ainda é um olhar histórico sobre todo o processo, e a História não sobrevive sem datas. Um professor de História meu disse que o Bueno é anacrônico, e eu não deixo, de certo ponto de vista, de concordar com ele, mesmo que diferimos no sentido de que o professor acha isso ruim e eu, fundamental. Bueno vai e volta nos fatos, mas ele faz isso porque fica mais fácil de compreendermos do que puramente vermos as coisas em sequência, numa determinada cronologia.
Quanto a edição do livro, eu achei fantástica, principalmente a capa, que faz um contraste opulente entre a beleza da simplicidade do exterior a riqueza de conteúdo do interior. Sem contar que as capas da Coleção Brasilis combinam entre si, então para os perfeccionistas como eu, é um tiro que não saiu pela culatra. A diagramação e o design interior também são incríveis, com ótimas fontes, conteúdos bem dispostos e diversos boxes laterais contendo conteúdos extras inerentes a cada episódio que nos conta o autor. Não encontrei também nenhum erro de revisão. E não sei se já deixei claro uma coisa, mas o único "problema" que você irá encontrar nesse livro é a riqueza de conhecimento.
Ademais, deixo claro que foi uma ótima e rápida leitura — são pouco mais de cem páginas —, onde me senti cada vez mais rico em conhecimento, já que mais de 50% do livro me era desconhecido. E o pior de tudo é que isso me escapou mesmo sendo um ávido "devorador" das aulas de História — o que significa que temos de repensar o que andam ensinando nas escolas. Indico o livro para todos os amantes de História ou simplesmente para todos aqueles que desejam conhecer um pouco mais de nossa própria história e como se deu nossa identidade. É um pequeno gesto que já nos tira de uma grande ignorância, eu garanto. Leitura muito mais que recomendada! Para mim, deveria ser leitura obrigatória em todas as escolas.
Primeiro parágrafo do livro: “Como tapes flutuantes, elas surgiram de repente, 'em muita quantidade', balançando nas águas translúcidas de um mar que refletia as cores do entardecer. Os marujos as reconheceram de imediato, antes que sumissem no horizonte: chamavam-se botelhos as grandes algas que dançavam agrupadas nas ondulações formadas pelo avanço da frota imponente.”
Melhor quote: “Que significado teve essa descoberta? Na verdade, não apenas naquele exato instante, mas pelas três décadas seguintes, ela representaria pouco mais do que um intervalo idílico em meio a uma longa e tediosa navegação oceânica.”
É com um misto de alegria e tristeza que damos essa notícia a vocês: o último livro da série Os Bridgertons, de Julia Quinn, sucesso do gênero Romance de Época, será lançado esse mês pela Editora Arqueiro. Já foi liberado, inclusive, a capa e a sinopse. Confiram abaixo!
Ao contrário da maioria de seus amigos, Gregory Bridgerton sempre acreditou no amor. Não podia ser diferente: seus pais se adoravam e seus sete irmãos se casaram apaixonados. Por isso, o jovem tem certeza de que também encontrará a mulher que foi feita para ele e que a reconhecerá assim que a vir. E é exatamente isso que acontece. O problema é que Hermione Watson está encantada por outro homem e não lhe dá a menor atenção. Para sorte de Gregory, porém, Lucinda Abernathy considera o pretendente da melhor amiga um péssimo partido e se oferece para ajudar o romântico Bridgerton a conquistá-la. Mas tudo começa a mudar quando quem se apaixona por ele é Lucy, que já foi prometida pelo tio a um homem que mal conhece. Agora, será que Gregory perceberá a tempo que ela, com seu humor inteligente e seu sorriso luminoso, é a mulher ideal para ele? A caminho do altar, oitavo livro da série Os Bridgertons, é uma história sobre encontros, desencontros e esperança no amor. De forma leve e revigorante, Julia Quinn nos mostra que tudo o que imaginamos sobre paixão à primeira vista é verdade – só precisamos saber onde buscá-la.
O lançamento acontece no dia 08 de Junho e a pré-venda já foi liberada nas principais livrarias do país. Quem aí já está ansioso para mais esse lançamento?
Livro: Uma Vida No Escuro
Título original: Girl in the Dark
Autor(a): Anna Lyndsey
Editora: Intrínseca
Páginas: 247
ISNB: 978-85-8057-882-9
Anna Lindsey é um pseudônimo usado pela a autora de Uma Vida no Escuro para relatar suas memórias em forma de experiência com sua doença de fotossensibilidade. Mudando detalhes de identificação dos personagens reais que foram retratados no livro, reconstituiu os diálogos de memória, contando com a ajuda de outras pessoas para que o livro fosse digitado, já que escreveu tudo à mão na escuridão ou penumbra que lhe cabia.
O que eu esperava de um livro de memórias sobre alguém que passa a maior parte da vida no escuro, seria algo dramático e com o velho clichê da moral da história, dos belos ensinamentos, da superação bela e exemplar e tudo isso de forma superficial. Mas Uma Vida no Escuro superou minhas expectativas. Foi profundo e seu drama foi totalmente sincero e humanizado, longe de toda a artificialidade que eu costumo esperar desses gêneros. Abordando assuntos como depressão e suicídio de formas sutis, sem deixar nada da escrita impecável transparecer na forma de tabu que tais temas trazem, ela conseguiu promover um debate interno que passa da sua história para quem a lê.
Título original: Girl in the Dark
Autor(a): Anna Lyndsey
Editora: Intrínseca
Páginas: 247
ISNB: 978-85-8057-882-9
Sinopse: Anna Lindsey era jovem e ativa. Tinha acabado de comprar um apartamento e estava apaixonada. Então, o que começou como uma ligeira intolerância a certos tipos de luminosidade artificial evoluiu para uma sensibilidade grave a qualquer tipo de luz. Agora, durante as piores crises, Anna fica meses a fio trancada em um quarto totalmente escuro, onde passa horas ouvindo audiolivros e inventando intrincados jogos de palavras numa tentativa de afastar o desespero. Em épocas de intolerância menos severa ela ousa se aventurar cautelosamente na penumbra e encara um mundo que, pela perspectiva de dua existência enclausurada, é repleto de uma beleza estonteante. Ao lado dela em tudo isso está Pete, seu amor e deu alicerce, cuja presença impede de ser aterrada pela solidão. Escrito com beleza, leveza e honestidade, Uma Vida no Escuro é o impressionante relato da determinação da autora para tornar suportável uma vida aparentemente impossível. Uma história que impressiona não apenas pela raridade do quadro médico de Anna, mas também pelo modo como ela ns conduz com tamanha clareza por um lugar de absoluta escuridão, fazendo-nos encarar o mundo e a luz de uma forma completamente nova.
Anna Lindsey é um pseudônimo usado pela a autora de Uma Vida no Escuro para relatar suas memórias em forma de experiência com sua doença de fotossensibilidade. Mudando detalhes de identificação dos personagens reais que foram retratados no livro, reconstituiu os diálogos de memória, contando com a ajuda de outras pessoas para que o livro fosse digitado, já que escreveu tudo à mão na escuridão ou penumbra que lhe cabia.
Anna estava no caminho para uma vida estável e independente, estava realizando seus sonhos ao comprar um apartamento e manter seu emprego no Ministério Público da Inglaterra, além de estar vivendo um grande amor. Então os problemas começam a surgir. Seu rosto passa a arder sempre que entra em contato com a luz artificial de lâmpadas e computadores. A partir daí o problema evolui para o resto do corpo, que se torna sensível não apenas a luz artificial, mas a todos os tipos, obrigando Anna a viver em total escuridão, visto que sua rara doença configura como um dos piores casos de fotossensibilidade. Muda-se para a casa de Pete, seu namorado, já que não consegue mais viver sozinha quando depende de alguém que cuide da casa e faça suas refeições, entre outras coisas essenciais para suas sobrevivência.
A situação chega a pontos extremos, obrigando Anna a se enclausurar em um quarto completamente vedado para que não entre nenhum raio de luz. Passando seus dias na escuridão, para que não se sinta presa nem coberta de pensamentos ruins sobre sua vida e tudo o que acabou perdendo por conta da doença, ela cria jogos, atividades e hobbies para passar o tempo ocupada de alguma forma. Seus métodos funcionam na maioria das vezes, mas nem sempre conseguem espantar os sentimentos de solidão e melancolia que se apoderam dela. As coisas começam a melhorar em determinadas épocas, mas com leves recaídas. Enfrentando seus altos e baixos, Anna passa uma verdadeira lição de persistência e superação.
"É melhor viajar com esperança que chegar e saber que a esperança se foi. Enquanto houver um caminho diante de mim, enquanto houver coisas na minha lista que ainda não tente, estou protegida do desespero. Mesmo quando cada episódio se revela infrutífero, toda vez que aprendo alguma coisa por esforço próprio, mesmo que essa coisa seja a eliminação de mais uma possibilidade — então posso passar para a próxima" (p. 214).
O que eu esperava de um livro de memórias sobre alguém que passa a maior parte da vida no escuro, seria algo dramático e com o velho clichê da moral da história, dos belos ensinamentos, da superação bela e exemplar e tudo isso de forma superficial. Mas Uma Vida no Escuro superou minhas expectativas. Foi profundo e seu drama foi totalmente sincero e humanizado, longe de toda a artificialidade que eu costumo esperar desses gêneros. Abordando assuntos como depressão e suicídio de formas sutis, sem deixar nada da escrita impecável transparecer na forma de tabu que tais temas trazem, ela conseguiu promover um debate interno que passa da sua história para quem a lê.
A narração ocorre em primeira pessoa na voz de Anna. Divide-se em duas partes: a primeira conta as fases iniciais da doença e como ela demonstrou toda sua gravidade deixando Anna em total desespero; já a segunda é um período de adaptação da personagem e quando seu quadro passa a ter algumas oscilações de melhora. É uma narrativa minuciosa, cheia de floreios simples e ao mesmo tempo, elegante — provavelmente fruto da absorção da linguagem dos inúmeros livros que a protagonista costuma ler e ouvir, dos quais tira inspiração para sua vivência, e assim, as narrativas se mesclam de forma "limpa". O uso de metáforas é bastante recorrente, o que torna a escrita descritiva e poética até certo ponto. Porém, mesmo sendo muito detalhada, a leitura não se torna enfadonha, e isso se deve a três fatores perceptíveis: o uso de períodos curtos e de palavras simples, e a profundidade da escrita, tornando o enredo envolvente. Mantém um diálogo com leitor de forma interativa, indicando os jogos para o escuro, que servem para tirá-la do tédio quando tem que ficar dentro do quarto vedado.
"Quando termino um livro, percebo que não consigo começar outro logo em seguida. Cada história precisa de tempo para se assentar em minha mente, para ser digerida como um jantar de muitos pratos. Avançar rápido demais seria até um desrespeito com os personagens — afinal, passei horas na companhia deles, conheci suas histórias, acompanhei momentos importantes de suas vidas" (p. 15-16).
Em Junho chega ao Brasil mais um sucesso do talentosíssimo mestre do Terror, Stephen King, Achados e Perdidos, um livro sobre o poder da literatura de mudar vidas. O livro é o segundo da trilogia Bill Hodges, e tem como antecessor Mr. Mercedes, que será resenhado em breve aqui no blog. Confira a capa e a sinopse de Achados e Perdidos:
“— Acorde, gênio.”
Assim King começa a história de Morris Bellamy.
O gênio é John Rothstein, um autor consagrado que há muito tempo abandonou o mundo literário. Bellamy é seu maior fã — e seu maior crítico. Inconformado com o fim que o autor deu a seu personagem favorito, ele invade a casa de Rothstein e rouba os cadernos com produções inéditas do escritor, antes de matá-lo.
Morris esconde os cadernos pouco antes de ser preso por outro crime. Décadas depois, é Peter Saubers, um garoto de treze anos, quem encontra o tesouro enterrado.
Quando Morris sai da prisão, depois de trinta e cinco anos, toda a família Saubers fica em perigo. Cabe ao ex-detetive Bill Hodges e a seus ajudantes, Holly e Jerome, protegê-los de um assassino agora ainda mais perigoso e vingativo.
Quando fala-se em Stephen King, nem contesta-se a qualidade! Só podemos mesmo aguardar com veemência, certo?
Livro: A Rebelde do Deserto
Autora: Alwyn Hamilton
Editora: Seguinte
Páginas: 288
ISBN: 9788565765992
Sinopse: O deserto de Miraji é governado por mortais, mas criaturas míticas rondam as áreas mais selvagens e remotas, e há boatos de que, em algum lugar, os djinnis ainda praticam magia. De toda maneira, para os humanos o deserto é um lugar impiedoso, principalmente se você é pobre, órfão ou mulher. Amani Al’Hiza é as três coisas. Apesar de ser uma atiradora talentosa, dona de uma mira perfeita, ela não consegue escapar da Vila da Poeira, uma cidadezinha isolada que lhe oferece como futuro um casamento forçado e a vida submissa que virá depois dele. Para Amani, ir embora dali é mais do que um desejo — é uma necessidade. Mas ela nunca imaginou que fugiria galopando num cavalo mágico com o exército do sultão na sua cola, nem que um forasteiro misterioso seria responsável por revelar a ela o deserto que ela achava que conhecia e uma força que ela nem imaginava possuir.
Alwyn Hamilton nasceu em Toronto, no Canadá, e já morou na França e na Itália. Estudou história da arte no King’s College, em Cambridge, e atualmente vive em Londres, onde trabalha numa casa de leilão.
A Rebelde do Deserto, romance de estreia de Alwyn Hamilton e primeiro de uma trilogia homônima, conta uma história que passa-se em Miraji, uma nação dominada pelo deserto. No Último Condado, as pessoas dependem do trabalho nas minas de ferro ou nas fábricas de armas para sobreviver. É ali que vive Amani Al'Hiza, nossa heroína, uma garota de dezesseis anos que passou grande parte da vida tentando fugir de sua realidade. Quando o pai chegava em casa bêbado e agressivo, a garota corria para o deserto e brincava de atirar em garrafas vazias — e isso acaba sendo crucial para o primeiro capítulo do livro, onde vemos Amani numa animada competição de tiros, em busca de realizar seu grande sonho: fugir para Izman, a capital de Miraji, onde ela achava que seu futuro poderia ser mais promissor.
Contudo, por mais que Amani fosse corajosa, independente e atirasse como se fizesse parte de seu corpo, ela não tinha dinheiro para ir embora da Vila da Poeira. Ela então decide se vestir de menino e sair de casa na calada da noite, para tentar ganhar um concurso de tiro numa cidade vizinha. Lá conhece Jin, um forasteiro que mexe com seu coração e acaba ajudando Amani a finalmente deixar seu vilarejo para trás.
O que Amani não sabia era que Jin estava sendo perseguido pelo Exército do sultão, acusado de ser um traidor — e agora ela mesma se tornou um alvo. Para chegar a Izman, a garota terá de viajar clandestinamente em trens e caravanas, evitando não só os soldados mas também os carniçais, seres mágicos que se alimentam de carne humana e se escondem sob as areias. Nessa jornada, Amani vai se deparar com um deserto muito mais complexo do que esperava. Isso porque o sultão, sedento por poder, se aliou aos gallans, um povo vizinho que usa as armas produzidas em Miraji para dominar outras nações. Enquanto isso, um de seus filhos, o príncipe rebelde, reúne seguidores para reivindicar o trono que lhe é direito. Em meio a essa ebulição política, Amani aos poucos percebe que tem potencial não só para mudar o seu destino, mas talvez todo o seu país. Não há dúvida: o deserto vai ficar pequeno para uma rebelião incansável, uma paixão avassaladora e um garota finalmente descobrindo seu poder.
Sim, a história tem uma boa premissa, e vai muito além disso. Conheci A Rebelde do Deserto desde que a Seguinte anunciou que lançaria o livro no Brasil e fiquei muito curioso em relação ao mesmo por dois motivos: primeiro porque parecia tratar-se de uma incomum mistura de Faroeste com Mil e Uma Noites, o que por si só já é intrigante, e, segundo, porque segundo algumas resenhas o livro apresentava características distópicas — ainda que o que eu tenha encontrado seja uma mescla de YA (young adult) com críticas e pensamentos mostrando uma realidade alternativa de convenções sociais e limites extrapolados ao máximo, sem dar a obra um caráter contraditório a utopia.
Não possuía grandes expectativas para com o livro — o que acabou, de certa ótica, sendo vantajoso a leitura. Contudo, o primeiro capítulo já é capaz de nos fisgar o suficiente para que esperemos sempre mais e melhor do livro, e isso é garantido, com uma preternatural riqueza de detalhes (apesar das poucas páginas), até o final do livro. Acredito que, em virtude das características do gênero, que se sobrepôs na história, seria impossível que eu não viesse a ter certa afinidade com o livro. Sem dúvidas uma grande aposta para os fãs de Fantasia que curtem uma "pegada" Jovem-Adulto.
A narração, tanto quanto o enredo, é o ponto forte do livro. É muito fácil visualizar o porquê disso, visto que temos aqui muita ação, aventura e, principalmente, mistérios que tornam tudo mais agradável e elétrico. Todo o livro é narrado sobre a ótica de Amani, que se tornou uma de minhas narradoras preferidas, justamente por sua construção típica do que seria um mescla de Young Adult com uma quase (quase, hein!?) distopia. Ela é determinada, cheia de atitude, sarcástica, diferente e veio realmente pra enaltecer o poder feminino, mostrando que as mulheres podem, sim, conseguir o que querem e vencer várias adversidades.
A narração, tanto quanto o enredo, é o ponto forte do livro. É muito fácil visualizar o porquê disso, visto que temos aqui muita ação, aventura e, principalmente, mistérios que tornam tudo mais agradável e elétrico. Todo o livro é narrado sobre a ótica de Amani, que se tornou uma de minhas narradoras preferidas, justamente por sua construção típica do que seria um mescla de Young Adult com uma quase (quase, hein!?) distopia. Ela é determinada, cheia de atitude, sarcástica, diferente e veio realmente pra enaltecer o poder feminino, mostrando que as mulheres podem, sim, conseguir o que querem e vencer várias adversidades.
"Talvez eu tivesse olhos que me traíam, mas Jin com certeza tinha o tipo de sorriso capaz de converter impérios inteiros. O tipo de sorriso que me fazia sentir que o entendia direitinho, embora não soubesse nada sobre ele. O tipo de sorriso que me fazia sentir que éramos capazes de qualquer coisa juntos."
Autor (a): Marcelo Ruben Paiva
Editora: Alfaguara
Páginas: 296
ISBN: 9788579624162
Sinopse: Trinta e cinco anos depois de Feliz ano velho, a luta de uma família pela verdade Eunice Paiva é uma mulher de muitas vidas. Casada com o deputado Rubens Paiva, esteve ao seu lado quando foi cassado e exilado, em 1964. Mãe de cinco filhos, passou a criá-los sozinha quando, em 1971, o marido foi preso por agentes da ditadura, a seguir torturado e morto. Em meio à dor, ela se reinventou. Voltou a estudar, tornou-se advogada, defensora dos direitos indígenas. Nunca chorou na frente das câmeras. Ao falar de Eunice, e de sua última luta, desta vez contra o Alzheimer, Marcelo Rubens Paiva fala também da memória, da infância e do filho. E mergulha num momento negro da história recente brasileira para contar — e tentar entender — o que de fato ocorreu com Rubens Paiva, seu pai, naquele janeiro de 1971.
Ainda Estou Aqui foi escrito por Marcelo Rubens Paiva, mesmo escritor de "Feliz ano Velho", que voltou a publicar trinta e cinco anos depois. Trata-se de um livro baseado em fatos reais e publicado pela editora Alfaguara em 2015.
Marcelo R. Paiva sempre foi um grande exemplo de luta, depois que sofreu um acidente e acabou paraplégico. Dessa vez, contudo, o autor não traz a história de seu acidente e sua batalha para superar essa lesão vitalícia, mas a história de sua infância e sua família.
Seu pai fora deputado em uma era sombria do Brasil, o que o fez ser exilado e, posteriormente, preso pelo exército durante a ditadura militar. Apesar de nunca afirmado pelo governo vigente na época, Rubens Paiva foi torturado e morto, por ser oposição à administração tirânica e ajudar inúmeros alvos políticos a fugirem, fazerem trocas de reféns e apoiar a resistência.
Marcelo acabou perdendo o pai quando ainda era criança, em 1971, e sua mãe precisou se reinventar para criar os cinco filhos e garantir seus direitos diante a tanta injustiça. Eunice Paiva, então, se formou em Direito e se fez importantíssima na luta dos direitos dos indígenas, tão ameaçados pelo regime ditatorial. E, tantos anos depois desse acontecido, Eunice agora luta contra o Alzheimer aos setenta e poucos anos.
O autor também traz muitas memórias de sua infância e adolescência, as mudanças de cidade, de casa, de amigos e a morte de inúmeros parentes, de uma vez só, um atrás do outro, por causas diferentes.

"A maioria não tinha ideia do que se passava. A censura e o milagre brasileira cegavam"
Li "Feliz Ano Velho" há três anos, e achei uma leitura muito curiosa e proveitosa. "Ainda Estou Aqui", entretanto, demonstra o amadurecimento de Marcelo, tanto no seu modo de pensar e sentir, quanto na escrita, que ficou menos informal e teve poucos palavrões inseridos - diferente do livro anterior, que tinha expressões coloquiais e regionais muito frequentes, além dos palavrões que enchiam as páginas.
Esta obra é narrada em primeira pessoa e uma das características mais marcantes do autor se manteve: a narrativa livre, sem preocupação com a organização e as regras de escrita. Parece que o autor está, a todo momento, conversando com o leitor, e se utiliza até canções populares para isso. Isso relembra a todo instante que não estou lidando com uma obra ficcional - estou adentrando a memória e a vida de pessoas que realmente existiram.
Trata-se de um livro extramente tocante. Marcelo é extramente sincero ao explicar a situação de sua família e as dificuldades que passaram. Consegui sentir empatia pelo escritor, e me senti sem chão, como ele, quando viu seu mundo perfeito e alegre desmoronando em tão pouco tempo.
Com relação a ditadura, o autor foi muito honesto em não pregar ódio pelos militares, e afirmar que pessoas que torturam e promovem esse tipo de governo existem em qualquer meio, seja no civil ou no militar. Fiquei muito contente, também, por Marcelo ter se aberto tanto para o público, já que ele falou muito pouco desse episódio no livro "Feliz Ano Velho". Ele foi corajoso ao expor tanto sua família, seu dia-a-dia, e indicar o que realmente aconteceu em 1971.
A menção às alas do centro de tortura me deixou angustiada, até porque foi considerada como "a melhor da América latina"; além da descrição dos gritos dos presos presenciados por Eunice Paiva, quando ficou presa lá por um tempo. Fiquei com a imagem de Rubens Paiva morrendo, ensanguentado, repetindo seu nome por horas, com a musica de Roberto Carlos no fundo por muito tempo na cabeça; isso realmente me perturbou. Esse episódio testemunhado foi um dos mais marcantes e tristes que li.
Um ponto negativo nessa obra é o mesmo que encontrei na sua obra anterior: a organização de memórias e ideias. Muitas sucessões de memórias ficaram confusas, misturavam cidades diferentes, idades diferentes do personagem e isso me causou muita confusão. É claro que é uma tarefa muito difícil organizar memórias que não são organizadas (sabemos bem disso), portanto, eu soube relevar.
"[...] - Eu não concordo com isso. Isso vai acabar. Um dia, vai acabar. O que estão fazendo aqui não está certo. E quando acabar, e nos reencontrarmos um dia, em outras condições, espero que a senhora conte a todos que eu não concordava, que só cumpria ordens e que torcia para isso acabar logo."
É claro que a personagem Eunice Paiva foi o foco do autor, e me inspirou grande admiração. Seus defeitos foram apresentados: era uma mulher firme e pouco carinhosa, mas uma guerreira e heroína, que nunca chorou diante as câmeras, que sempre lutou pelos seus direitos e dos outros e nunca desistiu. É inteiramente pesaroso saber que, agora, ela enfrenta o Alzheimer, e isso me fez ansiar conhecê-la um dia.
A Companhia das Letras lançou recentemente o livro Cidade em Chamas, do autor norte-americano Garth Risk Hallberg, aqui no Brasil, e o sucesso foi tanto que a notícia foi veiculada por importantes jornais e sites. Uma das principais polemicas é o fato do livro possuir uma história incomum e um número de páginas equidistante a isso (são mais de 1000). Confira a capa e a sinopse:

Nova York, 1976. O sonho hippie acabou, e dos escombros surge uma nova cultura urbana, com guitarras desafinadas, coturnos caindo aos pedaços, galerias de arte e casas de show esfumaçadas. Regan e William são herdeiros de uma grande fortuna. Ela, uma legítima Hamilton-Sweeney, vê seu casamento desmoronar em meio às infidelidades do marido. Ele, a ovelha negra, fundador de uma mitológica banda punk e figura lendária das artes de Nova York. Ao redor dos dois gira uma constelação de personagens e acasos- uma jovem fotógrafa, um professor negro e gay, um grupo de ativistas, um garoto careta e asmático e um jornalista que sonha ser o novo nome do jornalismo literário americano. E, em meio a tudo isso, um crime que vai cruzar essas vidas de forma imprevisível e irremediável. Cidade em chamas é um romance inesquecível sobre amor, traição e perdão, sobre arte, rock e o que significa a verdade. Sobre pessoas que precisam umas das outras para sobreviver. E sobre o que faz a vida valer a pena.
Ficaram curiosos? Pois aguardem! Em breve terá resenha do livro aqui no Palácio de Livros.
Livro: Estrelas Perdidas
Título original: Lost Stars
Editora: Seguinte
Páginas: 446
ISBN: 9788565765831
Sinopse: Ciena Ree e Thane Kyrell se conheceram na infância e cresceram com o mesmo sonho: pilotar as naves do Império. Durante a adolescência, sua amizade aos poucos se transforma em algo mais, porém diferenças políticas afastam seus caminhos: Thane se junta à Aliança Rebelde e Ciena permanece leal ao imperador. Agora em lados opostos da guerra, será que eles vão conseguir ficar juntos?
Como adolescente, preciso confessar que demorei para assistir os famosos filmes da saga Star Wars. Talvez por falta de oportunidade, um pouco de interesse, foi depois de escutar muitas conversas de alguns amigos e muitas (mas muitas mesmo!) insistências de outros que decidi, finalmente, me aventurar no universo mágico de George Lucas. Como a maioria das pessoas, o resultado foi um fático: eu me encantei pelo heroico e criativo mundo dos personagens.
Ao tomar conhecimento de que a Editora Seguinte publicaria os livros, confesso que fiquei dividida entre o medo do novo e o apego pelo velho. Não me arrependo, contudo: de maneira surpreendente, se tratando de uma autora que, apesar de veterana no gênero young adult, não fazia ainda parte do universo da saga, Estrelas Perdidas capta o melhor de Star Wars e, ainda por cima, adiciona um toque atualíssimo ao fazê-lo.
Cláudia Gray é o pseudônimo de Amy Vicent, uma escritora americana que tem uma certa fama pela sua série original Evernight. Estrelas Perdidas é seu primeiro romance para o chamado "Universo Expandido" de Star Wars, ou para a “Jornada para O Despertar da Força”, o novo selo da Disney para a expansão da saga. Gray, que já era famosa por seus romances sobre paranormalidade e young adults, tinha como missão escrever uma história para fãs mais jovens, com uma linguagem mais informal e simplificada, despertando lhes o interesse pela saga: tarefa que, posso dizer contentemente, ela realizou com méritos.
A trama, que conta uma história à lá Romeu e Julieta, conseguiu despertar não apenas meu interesse a cada página virada, mas também meu carinho no decorrer da história. Algo inesperado e que foi de meu agrado, além disso, foi o fato de que Estrelas Perdidas se passa concomitantemente aos demais episódios da série – ou seja, ao mesmo tempo em que acompanhamos a história de Ciena e Thane, somos presenteados com as aventuras vividas por Leia, Luke Skywalker, Han Solo, stormtroopers e, é claro, Darth Vader, mas como um plano de fundo, e não acontecimento principal.
Isso foi, talvez, o ponto no qual Gray mais surpreendeu. Como já afirmei, tinha medo de, ao ler algo novo da história, ver a magia da trama original ser perdida, talvez o universo "expandido" demais, deixando de lado a finalidade para com aquele que conhecemos originalmente. Felizmente, contudo, a autora soube de modo preciso aonde ir além e aonde conter-se, criando uma trama divertida que, além de demonstrar um ponto de vista e lugar diferenciados sobre acontecimentos já conhecidos, é extremamente fiel a energia da saga.

A narração é realizada em terceira pessoa, com um narrador onisciente e onipresente, sendo ela com foco ora em Ciena, outrora em Thane, o que nos permite, de um modo completo, saber os pensamentos e entender melhor certas atitudes de ambos personagens. Sou muito fã desse tipo de narração por achá-la mais completa, e creio que ela se encaixou perfeitamente com a situação aqui representada, já que o leitor não fica de fora de nada que acontece.
É possível reconhecer, nas mais diferenciadas situações, as ações dos personagens e até mesmo em que ponto dos episódios da saga a história estava acontecendo, o que foi muito divertido e satisfatório para mim, como fã. Toda a aventura contida no livro, além disso, é digno das vividas por Leia, Luke e Han, e em diversas vezes me vi apreensiva por nosso casal protagonista, assim como torci e sofri pelos protagonistas anteriores.
Livro: Antologia Poética
Autor: Carlos Drummond de Andrade
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 336
ISBN: 9788535921199
Sinopse: Poucos autores brasileiros foram tão conscientes no exame da própria obra como Carlos Drummond de Andrade. O poeta mineiro era organizado, cioso do seu ofício e sabia exatamente o seu tamanho na trajetória da poesia brasileira do século XX. Prova disso é a Antologia poética, reunida e organizada pelo próprio Drummond em 1962 - quando o poeta completava 60 anos de idade e 30 de intensa atividade literária -, e uma das melhores portas de acesso para quem deseja conhecer a imensa obra do itabirano. E ninguém melhor que o próprio Drummond para reunir desde poemas clássicos de seu percurso até outras peças menos conhecidas. O amor, a morte, a memória, a família e o passado brasileiro comparecem neste alentadíssimo conjunto de poemas, organizados em nove seções. Completa o volume um esclarecedor ensaio do poeta Antonio Cicero.
Quem me conhece sabe o tremendo apreço que tenho por poesia. Não é o gênero mais popular entre os leitores jovens, tenho plena ciência — ainda que, em minha humilde opinião, muito mais gente as devoraria se tivessem um maior contato com o gênero —, mas sempre me encantei e me perdi no mundo lírico, reflexivo e levemente melancólico criado por esses autores. Sempre gostei, sim, de poesia, mas posso afirmar com veemência que o que me fez amar a poesia tem nome e sobrenome: Carlos Drummond de Andrade.
Li, durante muito tempo, poemas e contos esparsos do autor. Já era fã de carteirinha — ouso dizer que, entre os nossos poetas, é Drummond que mais me toca —, mas sentia que precisava cada vez mais saber sobre sua obra completa (e, se tratando do autor, é válido saber que ele possui dezenas e mais dezenas de livros em sua "humilde" biografia). Demorei a encontrar um livro de Drummond que me parecesse transmitir sua essência como poeta; mas, depois de realizada essa leitura, não poderia ter me encontrado mais feliz.
O que me chamou atenção nessa antologia, a princípio, é o fato de ela ter sido organizada pelo próprio Carlos Drummond, em 1962. Nesse ano, o autor resolveu separar e classificar seus poemas em diferentes temas, por nove sessões, que nos são apresentadas na obra. Sendo elas O indivíduo; A terra natal; A família; Amigos; O choque social; O conhecimento amoroso; A própria poesia; Exercícios lúdicos e Uma visão da existência, conseguimos ter uma pequena palha do que nos aguarda.

A verdade é que, em um milhão de anos, não conseguiria descrever a qualquer um todos os sentimentos que a poesia de Drummond traz a tona em meu coração. Toda a dor, toda a angústia, a revolta e a desesperança que já senti para com o mundo. Todo o carinho, o afeto, o amor e a esperança que já senti para com as pessoas. Toda a saudade, a melancolia e o apego que viver, cada dia de minha vida, já me trouxe. Esses sentimentos, tão bonitos ou feios, tão simples e tão complexos, consegui encontrar nas páginas desse livro, escrito por homem há tantos anos atrás. E, ao mesmo tempo, poderia ter sido ontem.
Já está em pré-venda a edição ilustrada de "Harry Potter e A Pedra Filosofal", da britânica J. K. Rowling. As ilustrações são feitas pela artista Jim Kay. Confira abaixo a capa e a sinopse:

Primeiro dos sete livros da série que se tornou o maior fenômeno editorial de todos os tempos, com mais de 450 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, Harry Potter e a pedra filosofal chega às livrarias brasileiras em 1º de junho em edição ilustrada. Perfeita para a legião de fãs da série de J.K. Rowling e para as novas gerações que estão descobrindo a leitura, a nova edição é ilustrada por Jim Kay, ganhador da Kate Greenaway Medal, que fez um trabalho minucioso ao recriar o universo de Harry Potter em imagens e cores. Com projeto gráfico sofisticado, o livro, que traz o texto integral de J.K. Rowling, chega às lojas com capa dura, sobrecapa, miolo em papel couché e protegido por uma luva ilustrada.
O lançamento ocorre no dia 01 de Junho, e será lançado pela adorável Editora Rocco. Tratando-se de Harry Potter, como já temos ciência, só podemos esperar boas coisas. E vocês, o que acharam da novidade?
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