Como recentemente terminei de ler a série de livros, é claro que estava extremamente ansiosa para ver como seria a adaptação. E, deste modo, é assim que dou continuidade ao Especial Delírio aqui no Palácio de Livros –
se você não viu a primeira parte, clique aqui!.
O mundo não é mais aquele que conhecemos. Em um futuro não muito distante, as pessoas descobriram a causa de tanta destruição, discórdia e caos:
a amor deliria nervosa era uma
doença, e, como tal, precisava ser erradicada. A cura foi desenvolvida e aplicada a todos os cidadãos ao completarem 18 anos, e, deste modo, o mundo novamente conheceu a paz.
Lena Hathoway é uma garota que mal pode esperar pelo dia no qual estará curada e longe das garras do amor deliria nervosa. Ela morre de medo de acabar como sua mãe, que acreditava no amor e, após várias intervenções, nunca foi completamente curada. Com a certeza de que, depois de
curada, viverá normalmente como todos os cidadãos de Portland, sendo designada a um par pelo Estado e criando seu lar, Lena não poderia estar mais feliz no dia de sua avaliação, alguns meses antes da cirurgia. Contudo, durante a avaliação algo dá errado, e ela acaba conhecendo o lindo o misterioso
Alex.
Basicamente, é aí que a série de televisão e o livro começam a
divergir (e muito!). Como fãs de certos livros, é quase impossível não criar altas
expectativas quando a adaptação de algo é anunciada – nós queremos que o filme, a série, seja tão boa na realidade quanto foi na nossa cabeça. Passei por essa mesma situação com Delírio: eu imaginava, para a série de televisão, algo completamente diferente do que acabei encontrando.
A SÉRIE
A série possui um
elenco que conseguiu ser, ao mesmo tempo que fiel, um tanto mais
diversificado do que as descrições dos personagens originais. Lena é interpretada por
Emma Roberts, e fiquei impressionada com a personificação que a atriz fez da personagem. Acredito que vemos, na série, uma Lena muito
mais agradável, mais apelativa do que a que encontramos nos primeiros livros. Entendi algumas das mudanças que ocorreram, e, em certo ponto, até concordo – a adaptação precisa ser mais sucinta do que o livro, que possui muito mais espaço para estórias.
Alex é interpretado por
Daren Kagasoff, e, mesmo que eu não tenha gostado muito de sua escalação para o personagem, não pude deixar de notar a boa
atuação do moço. O meu grande problema em relação a sua participação, contudo, foi a
modificação na história que acabou acontecendo: na série, foi criado um grande
plot envolvendo Alex e os Inválidos – os rebeldes –, e somos levados a crer que o interesse inicial do rapaz por Lena foi por isso, que ela é parte de um grande plano da resistência.
O
roteiro de Delírio ficou por conta de
Karyn Usher, o prestigiado roteirista de
Prison Break. Para quem não conhece
Prison Break, afirmo que é uma série muito
bem arquitetada, com várias reviravoltas. Devido a isso, quando vi que seria Karyn Usher que escreveria o roteiro fiquei empolgada – e acabei me decepcionando. Na verdade, foi um pouco mais do que isso: o roteiro do piloto foi o que mais me
desagradou, levando em conta o episódio.
Toda história passa por uma “arrumadinha” quando passa para a telinha, mas, com Delírio, a coisa foi um pouco além disso. Posso resumir e dizer que o primeiro livro, basicamente, está no primeiro episódio (nunca li
Pretty Little Liars, mas um amigo me disse que a mesma coisa aconteceu se considerarmos os livros. A informação confere?). Essas mudanças abruptas e cortes em várias informações me deixaram desanimada, ainda mais com toda a mistura dos livros que fizeram. Eu esperava uma coisa, mas acabei me dando conta de que a série possuía
pouco do livro original. Na maioria do tempo, na verdade, senti que estava assistindo a uma história parecida, apenas ambientada no mesmo universo de Delírio, e não a história de Lena a Alex.
Todavia, não acredito que o piloto tenha sido uma completa decepção. Por mais que, sim, eu quisesse que algumas coisas estivessem diferentes, por um lado eu
gostei do modo como a série retratou o universo de Delírio. Acredito que, se olharmos por outro ângulo, se não levarmos em conta apenas os livros, seja uma história com um bom futuro.
Há muito mais
ação no piloto do que encontramos em Delírio. Temos uma perspectiva muito mais
ampla, não só da vida de Lena, mas do governo de Portland, de sua amiga, Hana, e até mesmo dos líderes da associação conhecida como
America Sem Delíria, que só tem espaço a partir do segundo livro da série. Tais
mudanças evidenciam que a série de televisão não possuía a intenção de ser apenas sobre o amor, mas também sobre a política e as intrigas que rondam o governo.
LIVRO VERSUS SÉRIE
"Acha que conhece alguém com DELIRIA? Você pode ajudar a salvar suas vidas!"
Existem grandes diferenças entre os livros e a série, e algumas delas chamam atenção logo de cara quando assistimos à adaptação. Primeiramente, Lena nos livros mora com seus tios e sua prima depois de ficar órfã. Sua irmã mais velha, Rachel, até é citada, mas aparece como uma presença distante na vida de Lena. Já na série, Lena na verdade mora com sua irmã e o marido, e não houve nenhuma menção sequer a seus tios. Acredito que tenha sido um modo de não inserir personagens desnecessários e diminuir um pouco as cenas e o elenco, e, na realidade, até achei a mudança bastante inteligente.
Outro ponto relevante é na profissão de Alex. Ele é, no livro, um dos guardas do complexo do de laboratórios, e não possui um emprego de muita importância. Na série, porém, Alex é um
policial! É claro que esse emprego facilitou muito o desenvolvimento de algumas situações da trama, mas senti que certas coisas ficaram sem explicações, simplesmente
“jogadas” ali. Além disso, o rapaz tem, na série, uma participação muito maior no movimento rebelde, e faz parte dos esquemas e planos do grupo, coisa que não acontece no livro, apesar de ele ser um não-curado.
É claro que o modo que os fatos foram desenvolvidos é bem diferente nas duas versões: enquanto o livro de Lauren Oliver foi mais focado na descoberta do amor e em suas consequências, o piloto de televisão deu muito mais foco à distopia, aos jogos políticos e à ação presente na história. Isso é necessariamente ruim? Não. Todavia, não há como negar: em uma batalha entre os livros e a série, os livros ganham com facilidade, ao menos em minha opinião.
Por fim, particularmente, acredito que a série poderia ter, sim, um futuro se fosse um pouco mais favorecida. Agora só resta a nós, fãs, torcer para que alguém veja o potencial de Delírio, e resolva apostar nele.