ISBN: 9788501092076
Sinopse:O avô de Andrew Hope acabou de falecer e lhe deixou seu casarão como herança. Mas muito mais do que isso. Ele era um grande mago e Andrew herdou também o campo de proteção da propriedade (o que automaticamente o torna responsável pela segurança de todos os que vivem ali) e um curioso artefato: um vitral de muitas cores e claramente mágico. Quando o jovem Aidan Cain, caçado pelos temidos Perseguidores, surge em sua porta à procura de abrigo, Andrew encontra nele um amigo para desbravar os arredores do casarão. Mas com Aidan ele vai descobrir que o passado de sua família pode ter muito mais magia do que imaginava. Diana Wynne Jones nos proporciona uma aventura delicada e cheia de humor britânico moderno. O Vitral Encantado é um prato cheio para os fãs de Neil Gaiman e outros autores de fantasia.
Diana Wynne Jones é uma das autoras mais consagradas da literatura fantástica e, em 2007, recebeu um Life Achievement Award. Também foi agraciada com o Guardian Award pelo livro Vida Encantada. Nasceu em 1934, em Londres, e escreveu mais de trinta livros, entre eles O Castelo Animado – adaptado para o cinema por Hayao Miyazaki, indicado ao Oscar de melhor filme de animação – , O castelo no ar e A Casa dos muitos caminhos, além do infantil Tesourinha e a Bruxa, todos lançados pela Galera Record. O Vitral Encantado foi o último livro que escreveu, antes de morrer em 2011.
Livros fantásticos, em especial aqueles que se assemelham a contos de fadas, normalmente começam com a morte de uma pessoa querida e poderosa. Se Andrew soubesse disso, talvez pudesse se preparar para viver uma história como essa, que já se inicia com a morte de seu avô, um mago de idade bem avançada. Na ocasião da morte, como preternaturalmente acontece, o avô deixou para Andrew um grande legado, que algumas vezes, como no caso, pode envolver reinos mágicos, lugares oníricos e aventuras grandiosas. No caso de Andrew, o avô deixou uma casa, um campo de proteção e inúmeras dúvidas na cabeça do neto.
Andrew não podia reclamar, pois a casa era um lugar encantado, principalmente quando se tratava de um vitral colorido que ficava na cozinha. Ele pouco se lembrava do tempo que passara ali com o avô na infância e não conhecia nada sobre a magia que circundava o lugar. Só se lembrava daquele vitral encantador, e de alguma forma sabia que precisava protegê-lo. Como em toda boa história caminhos se cruzam, Andrew acaba por encontrar Aidan, um menino órfão que fugiu de Londres em busca de refúgio no casarão. A história de Aidan também começou com a morte de sua avó. Seu legado, porém, foi um pouco mais singelo: uma carteira mágica e Perseguidores terríveis em seu encalço.
O casarão é repleto de magia, e a vida dos dois, encoberta por mistérios que precisam de soluções (ou explicações razoáveis). Não se sabe se Aidan aprende mais com Andrew ou contrário, mas ambos saem explorando a região para descobrir até onde vão os limites desse campo de proteção, em busca de descobrir mais sobre ele. Em suas aventuras, os dois jovens, se deparam com seres de todos os tipos: governantas implicantes, jardineiros que cultivavam vegetais gigantes e pessoas estranhamente parecidas, que podem revelar muito mais do que aparentam. Quanto mais descobrem sobre os peculiares moradores da região, mais perto eles se encontram de desvendar os segredos que os perseguem. E juntos aprenderão que, no fundo, a magia (parafraseando Carina Rissi) está nos olhos de quem vê.
Conheço O Vitral Encantado desde seu lançamento e já havia, desde então, me encantado por ele, principalmente pela chamativa capa. Apesar de não ter lido a sinopse, nem nada, inicialmente, minhas expectativas estavam altas para uma possível leitura (aquela mania de já deduzir pela capa). Após ter a chance de resenhar o livro e então ler a sinopse, comprovei que, nesse caso, julgar o livro pela capa foi um tiro que não saiu pela culatra. Apesar de nunca ter lido nada da Diana (que é mega famosa, mesmo que você não conheça), o gênero é um de meus preferidos e me peguei surpreendido a cada novo capítulo desse livro peculiar, entre tantas fantasias infanto-juvenis.
Com uma incrível narração em terceira pessoa, O Vitral Encantado tem um excelente dinamismo. Prova disso é que, mesmo sendo fã da narração em primeira pessoa, eu adorei a narrativa e acredito que se adequou muito bem a estrutura do livro. Não tinha como ser melhor! A escrita de Diana é realmente algo diferente, formal, elaborada, bem descritiva e floreada suficientemente para uma boa construção. Algo realmente que dá prazer de ler e instiga nossa mente (os adeptos da chamada Leitura Atenta vão adorar a escrita de Diana, pois tudo parece ter sido meramente e detalhadamente pensado).

Dentre todos os fatores que dão a O Vitral Encantado uma singularidade boa, o que mais chama atenção é a originalidade dos fatos e a maneira como são trabalhados (pensa num livro diferente, foi por isso que gostei muito dele). A autora trabalha de forma a explorar tudo o que criou, não deixando nada vago e nem similar a algo que já estamos acostumados. Apesar de ser um infanto-juvenil, mais indicado para crianças, o livro apresenta uma seriedade e formalidade adequada, na verdade, para qualquer gênero/idade, e isso não é um ponto ruim, muito pelo contrário, soma com a boa construção dos personagens.
Os personagens criados por Diana são poucos, mas suas vidas são todas bem trabalhadas e isso dá um toque ainda maior de realidade a todos os presentes no livro. Além de uma boa construção, a autora soube desenvolver tanto a história, quanto os personagens, em um ritmo bem agradável e adequado a situação, ora devagar, ora rapidamente. Um exemplo é Andrew, personagem principal, o herdeiro. O jovem professor tem uma personalidade bem agradável e por muitas vezes me identifiquei com sua visão de mundo e inteligência. Em suma, é um personagem que vamos conhecendo aos poucos (conforme ele também se "conhece") e feito pra ninguém colocar defeito.
Outro personagem que merece destaque é Aidan. O garoto, de apenas 12 anos, tem uma personalidade muito próxima da de Andrew (descobrimos o porque no final do livro) e isso torna ele tão agradável quanto o principal. Sei que pode estar parecendo "perfeição demais", algo "fofo" (como dizem), mas levando em conta o gênero, está tudo dentro dos conformes. Voltando...fora esses personagens, há também outros, que dão ao enredo ainda mais pontos positivos. São eles: Sra. Stock, governanta, com sua pirraça e arrogância fora do comum; Sr. Stock, jardineiro (faz tudo), com seu jeito ora pirracento (como a Sra. Stock), ora "gente fina". Em suma, todas as qualidades desses personagens são boas e algumas são simplesmente inerentes ao estilo de vida que levam. Talvez eu não tenha conseguido deixar claro, devido ao fato que não posso contar muito, mas acreditem em mim: os personagens são realmente bons e acabamos gostando de todos eles, até mesmo dos vilões. (ops!).