Livro: Correndo para Você
Título Original: Run to You
Autor(a): Rachel Gibson
Editora: Jardim dos Livros
Páginas: 247
ISBN: 978-85-63420-86-2
Sinopse: Stella Leon é uma bela mulher. Aos vinte e oito anos ela já viveu muitas aventuras em Miami, onde vive e trabalha como garçonete. Brigas, sensualidade e rock'n'roll fazem parte de sua rotina. Mas o que está prestes a acontecer colocará sua vida de pernas pro ar! Um homem misterioso (e lindo) está à sua procura. Ele traz notícias de um passado que Stella não quer lembrar, e para onde não pretende voltar de jeito nenhum. Por que ela deveria deixar tudo pra trás e ir com ele para o interior do Texas? Por algum motivo, Stella confia nele. Por alguma razão ela se sente totalmente quente perto dele...

SÉRIE "LOVETT, TEXAS"
    1.  Daisey está na cidade
    2.  Maluca por você
    3.  Salve-me
    4.  Correndo para você

Com a primeira publicação da autora Rachel Gibson, bestseller do New York Times, os leitores descobriram uma das mais novas vozes do romance contemporâneo. Quatro de seus livros foram listados entre os "Dez livros favoritos do ano" pela Romance Writers of America. Ela ganhou diversos prêmios, incluindo o Borders Bestselling Romantic Comedy, o National Reader's Choice, e dois prêmios RITA de Melhor Título e Romance Contemporâneo do Ano. Escritora dos famosos romances Loucamente Sua, Simplesmente Irresistível, e Sem clima para o amor. Em 2004, Gibson deu início à série Lovett, Texas, lançando o último, Correndo Para Você, em 2013. www.rachelgibson.com.

  Estella Immaculada Leon-Hollowell, mais conhecida como Stella Leon é uma mulher independente e de personalidade forte. Após ter passado por vários altos e baixos ao longo de sua trajetória de 28 anos, ela se estabelece como garçonete num bar de Miami frequentado principalmente por drag queens que agitam a noite do lugar. Stella vive de forma solitária, se envolve vez ou outra num relacionamento em que nunca se sente totalmente preenchida e realizada, por isso, já se acostumou a virar-se sozinha e a seguir sempre em frente para tentar esquecer as mágoas do passado.
   Quando ainda era jovem, a mãe de Stella, Marisol, foi amante de um rico fazendeiro do Texas e engravidou dele. Já casado e com uma filha, o poderoso Clive Hollowell não quis assumir a bastarda que teve com a amante. Assim, Marisol saiu da vida de Clive e levou Stella consigo, que cresceu sem o pai e com uma enorme expectativa de que ele um dia a reconhecesse como filha. Porém, isso não se concretizou, e, apesar de arcar com todas as despesas que ambas tinham, nunca foi um pai presente – Stella só lembra de ter se encontrado com ele umas cinco vezes no máximo. Depois de tanto tempo, Clive morre e isso causa uma reviravolta na vida de sua bastarda, já que a meia-irmã mais velha, Sadie, que, aos olhos de Stella, sempre foi mais privilegiada que ela, agora quer conhecê-la e para isso contratou o ex-fuzileiro da Marinha, Beau Junger.
    Beau, de 38 anos, cresceu vendo o pai trair a mãe descaradamente. Seu irmão gêmeo, Blake, nunca viu problema nisso, mas Beau se desentendeu com o pai, e, ao invés de seguir seus passos como todos esperavam, tornou-se um fuzileiro – a profissão que seu pai, um Seal do Exército Americano, mais desprezava no meio militar. Beau nunca quis envolver-se com mulher nenhuma, pois tentava evitar cair no mesmo erro que o pai ao assumir um compromisso sério. Por isso, aproveitava a vida saindo com várias mulheres, mas nunca sentindo nada por nenhuma delas. Um dia, ele toma uma decisão e promete para si mesmo: vai parar de se divertir sem compromisso e a próxima mulher que tiver em seus braços será aquela que ele ama e com quem ele pretende casar para constituir uma família. O que ele não esperava era dar de cara com Stella Leon e teme que sua promessa seja quebrada.

    Sempre piso em ovos quando se trata de ler new adult, principalmente se envolve romance erótico pelo fato de que é um gênero responsável por muitas das minhas decepções literárias. Vários foram os livros aos quais dei uma oportunidade e acabei me deparando só com mais um clichê. Há um bom tempo não peguei em outro desses para me aventurar, preferia não arriscar. Porém, decidi dar uma oportunidade a Rachel Gibson, pois é uma autora de quem ouço muito falar e conheço pessoas que curtem seus livros. A série Lovett, Texas se tornou bastante conhecida, mas para ler este quarto livro não li nenhum dos três primeiros. Mesmo assim não prejudicou a leitura em nenhum momento, ou seja, concluí que, felizmente, nenhum conhecimento prévio era necessário e pude ler Correndo para você como mais um avulso.
    A escrita de Gibson é simples e polida. Leve, sem floreios, ela consegue prender o leitor em suas palavras. As descrições são perfeitas e tecem todo o mundo do livro na mente de quem lê. A sensação é que a seleção é bem clara: a narração se prende nas partes que realmente importa e deixa outras de fora, mas ainda assim o enredo não deixa de ser completo e objetivo. A narrativa ocorre em terceira pessoa e tem como foco principal Stella e, em segundo lugar, Beau, cuja história é narrada em segundo plano. Mas também há o retorno de focos como Vince, personagem de Salve-me, o primeiro livro da série.

"Sonhos eram coisas tolas com um alto custo emocional" (p. 43).


E os fãs de Rachel Gibson têm muito o que comemorar! Isso mesmo, a Geração Editorial está lançando o mais novo livro da autora que conquista os corações dos leitores por onde passa. Confira abaixo a capa e a sinopse de Correndo Para Você:

Stella Leon é uma bela mulher. Aos vinte e oito anos ela já viveu muitas aventuras em Miami, onde vive e trabalha como garçonete. Brigas, sensualidade e rock’n roll fazem parte de sua rotina. Mas o que está prestes a acontecer colocará sua vida de pernas pro ar! Um homem misterioso (e lindo) está à sua procura. Ele traz notícias de um passado que Stella não quer lembrar, e para onde não pretende voltar de jeito nenhum. Por que ela deveria deixar tudo pra trás e ir com ele para o interior do Texas? Por algum motivo, Stella confia nele. Por alguma razão ela se sente totalmente quente perto dele.


O livro já está em pré-venda na Saraiva (clique aqui) e olha só a surpresa: basta comprar o livro na pré-venda da Saraiva Online, e enviar uma foto do livro assim que ele chegar, no e- mail imprensa@geracaoeditorial.com.br que você ganha inteiramente grátis um marcador do livro. A Geração tem apenas 100 marcadores disponíveis, garanta o seu!!


Livro: Um Ano na Vida de Um Gênio
Autor (a): Stacey Matson
Editora: Geração Editorial
Páginas: 264
ISBN: 9788581303574
Sinopse: Eu, Arthur A. Bean, vou ser famoso. Não vai ser fácil, eu sei. A sétima série já está ficando em meu caminho. Meu verdadeiro amor, Kennedy, mal me nota, e a sra. Whitehead não entende meu gênio criativo. Além disso, Robbie Zack (aquele perdedor) pensa que eu roubo suas ideias, coisa que eu não faço. Não é trapaça se acontecer de você ler coisas de outra pessoa e, em seguida, ter uma explosão de inspiração. Tenho certeza de que é o que todos os escritores famosos fazem. E eu vou ser famoso. Eu só preciso ganhar o concurso de contos deste ano… Bem-vindo a um ano na vida de Arthur A. Bean. Ele é irreverente, ultrajante… E se as ameaç as de Robbie se cumprirem, ele está prestes a ter a cabeç a enfi ada no vaso sanitário!

Este livro divertido nasceu da tese de mestrado da autora na Universidade de British Columbia. Matson também dirigiu o programa de turismo e teatro do Parliament Hill, e criou os programas de interpretação do Museu Glenbow, Fort Calgary e do Aquário de Vancouver. Além de escrever, Matson gosta de jogar squash, esquiar, tocar piano e… Se vestir de princesa em festas de aniversário infantis!

   Você provavelmente não o conhecesse — ainda que deveria! —, seu nome é Arthur Aaron Bean, mas normalmente atende por Arthur. Ele passou um longo verão na casa dos avós em Balzac, mas agora está de volta ao prédio onde mora, bem perto da escola. Arthur é bem multitarefa e gosta de fazer várias coisas ao mesmo tempo, ainda que seu maior hobbie seja escrever. Ele adora Escrita Criativa, de modo que espera ansiosamente que tenham isso na aula e que ele não a perca. Arthur devia ser o melhor escritor no Ensino Fundamental I e pretendia continuar sendo nessa nova fase estudantil e ficar rico sendo romancista dali alguns anos.
   Arthur é recém-chegado a Terry Fox Junior High e a secretária lhe disse que está em uma classe com algumas pessoas da escola anterior — ainda que ele saiba que isso foi apenas para deixá-lo mais confortável, mas a verdade é que ela queria dizer “amigos” no lugar de “pessoas” e Arthur, bem, não tinha amigos. Não, ele até tinha amigos, um ou dois, não mais que isso, que não faziam parte das pessoas que escreviam coisas como “pençamentos”. 
   Numa trama divertida, repleta de alusões literárias e que promete agradar fortemente o público infanto-juvenil, Um Ano na Vida de Um Gênio, como já sabem, vai nos apresentar Arthur, um pré-adolescente que enfrentará desventuras em sua nova escola, enquanto tenta ganhar um concurso literário e provar que era verdade o que a sra. Lewis, antiga professora, havia dito: que ele era muito original e que prometia de verdade tornar-se a próxima J. K. Rowling.

Ela está com ciúmes do meu talento. Não posso vencer. A sra. Whitehead me odeia. Ela deixou isso bem claro. Acho que um autor famoso deve ter partido secretamente seu coração quando jovem.

   Quem me conhece sabe que eu (apesar dos 17 anos) sou fanático por Diário de Um Banana, e ter a chance de ler Um Ano na Vida de Um Gênio se compara muito bem ao prazer de ler a igualmente divertida e famosa série de Jeff Kinney. A narrativa, contudo, acontece de uma forma bem peculiar — nunca antes vista por mim. Com notação dos meses, ficamos cientes de toda a trama por meio do diário de Arthur, troca de e-mails, panfletos, anúncios, troca de mensagens com os professores e conversas com amigos, o que dá ao livro uma leveza extraordinária.
   A escrita, em suma, é bem simples e feita, fazendo jus ao gênero, para o público infanto-juvenil — o que não impede, claro, que o público totalmente juvenil ou adulto venha a gostar. A trama acontece de uma forma muito divertida. É como se os acontecimentos conversassem literalmente com quem lê, o que traz um dinamismo bacana e torna a obra um passatempo divertido, fluido e instigante — quem tiver com ressaca literária, é uma boa opção para descontrair. Eu tinha boas expectativas, e, bem, elas foram muito bem sanadas.
   Devido ao formato do livro, os personagens não são trabalhados em suas totalidades, e os privilégios ficam mais para o personagem principal, Arthur. Apesar disso, alguns de seus “amigos” acabam aparecendo, sim, e completam o pacote diversão, como é o caso de sua parceira de Escrita Criativa, Kennedy e Robbie, a quem Arthur presta tutoria. Nosso protagonista, contudo, talvez seja único problema do livro. Extremamente arrogante, insensível e egocêntrico, Arthur é alguém para se observar e divertir, mas jamais se inspirar! Vou lhe mostrar o porquê:

TRECHO DO DIÁRIO DE ARTHUR:
“Algumas pessoas são estúpidas. Pessoas como Robbie Zack, e como a sra. Whitehead (é a professora dele, gente!), por vir com uma punição de merda para cima de mim, porque ela sabe que provavelmente sou mais inteligente que ela, e que vou ser famoso e nunca lhe dedicarei um livro. Não vou incluí-la nos agradecimentos."

CARTA DE ARTHUR A UMA PROFESSORA:
“Além do mais, quem gostaria de ser amigo de caras como Robbie Zack? Eu não sou amigo de pessoas que escrevem ‘pençamentos’ com ç”. 

TRECHO DE UM POEMA ESCRITO POR ARTHUR (MORRI NESSA HORA):
Você nem sabe direito escrever
Parece que nem fez o fundamental
Mas acho que não saber gramática não vai lhe fazer falta
Já que seu destino é lavar quintal

   Viram só? Eu disse que o livro era divertido! Além disso, ganhou no Brasil uma edição bem bonita. A Geração Editorial, como sempre, teve um cuidado muito incrível com o livro, desde a divulgação a estrutura da edição, que possui uma capa muito bonita, que faz jus ao enredo, e uma diagramação feita com esmero e com um design interno composto por fontes e tamanhos diversos (o que agrada os pequeninos), contendo até umas poucas ilustrações.
   Por fim, deixo aqui um apelo para quem estiver procurando um livro simples, leve e, principalmente, divertido. Um Ano na Vida de Um Gênio é mais que recomendado. A resenha ficou bem curtinha, eu sei, mas não pensem que é porque eu esteja com preguiça. Não, não é, é simplesmente pelo fato de não haver muito o que ser abordado — além do que já foi dito. Vale ressaltar também que Um Ano na Vida de um Gênio é um livro educativo e mostrará muitas coisas boas e ensinamentos a quem lê, além de fazer com quem muitos se identifiquem com as experiências vivenciadas por Arthur. Uma leitura muito bem recomendada para as crianças. Bem, não só para elas, claro!

Primeiro parágrafo do livro: “Cara sra. Whitehead, como sabe, não fui à aula ainda, mas minha vizinha do lado, Nicole, sugeriu que eu lhe escrevesse uma carta, já que vou começar logo.” 
Melhor Quote: “Gentileza gera gente ilesa.”




Livro: A Guerra da Água
Subtítulo: Por que mataremos e seremos mortos no Século 21
Título Original: Klimakriege: wofür im 21. Jahrhundert getötet wird
Autor: Harald Welzer
Editora: Geração Editorial
Páginas: 317
ISBN: 9788581303567
Sinopse: Este livro impressionante e devastador nos informa que neste século XXI os homens não vão mais entrar em guerra, matar e morrer só por causa da economia, da religião e dos conflitos racionais, mas também em conseqüência das mudanças climáticas que podem tornar imensas áreas no planeta inúteis para a sobrevivência. Os espaços vitais disponíveis encolherão e provocarão conflitos armados permanentes. As guerras civis, os poderosos fluxos de refugiados e as injustiças atuais se aprofundarão. Ondas de refugiados climáticos e fugitivos do terrorismo vagarão às cegas pelo planeta. Harald Welzer nos aponta um cenário apocalíptico e adverte: o que estamos fazendo para conter o terror que se avizinha?

O visionário Harald Welzer, nascido na Alemanha em 1958, é professor-pesquisador de Psicologia Social da Universidade Witten/Herdeck. É também o diretor do Centro de Pesquisas Interdisciplinares sobre a Memória do Instituto de Ciências Culturais de Essen. O trabalho pelo qual é mais conhecido é o de uma série dedicada a cientistas proeminentes. Autor dos livros Vovô nunca foi nazista: o nacional-socialismo e o Holocausto na Memória Familiar e Criminosos: como pessoas perfeitamente normais se transformam em assassinos de massas, traz mais um fruto de pesquisas e debates constantes em seu cotidiano: A Guerra da Água.

    Trazendo uma análise séria e argumentativa, esta obra de Harald Welzer trata de uma constatação sociológica e antropológica, revelando as mazelas humanas que fazem com que cheguemos ao ponto de nos preocuparmos com uma guerra em torno de recursos naturais. Com um caráter de previsibilidade, A Guerra da Água soa um alarme para o futuro e faz reflexões acerca de como o ser humano lida e lidará com a perda de recursos básicos para sua sobrevivência e pacificidade coletiva. Para isso, Welzer retorna aos acontecimentos do passado, que mostram o quanto a humanidade falhou — então se pergunta se ela continuará falhando.
     Um dos assuntos para os quais Welzer mais chama a atenção é o Holocausto, a participação alemã na Segunda Guerra Mundial, a perseguição a diversas classes que supostamente atrapalhariam o desenvolvimento da linhagem ariana (como judeus, comunistas, negros, homossexuais, ciganos e deficientes). Este acontecimento catastrófico que marcou e manchou a sociedade mundial é o que Welzer chama de Fenômeno da Injustiça Global, que, segundo ele, será agravado pelas variações climáticas e todo o processo de conflitos sociais estarão inseridos nos conflitos ambientais/climáticos.
    O sistema de refugiados que chega em grande massa em países do Ocidente neste século em consequência das guerras travadas no Oriente, também são outro ponto analisado por Welzer com toda a delicadeza. Os países ocidentais têm hesitado cada vez mais em receber refugiados devido a expansão do terrorismo (neste impasse, se tem uma época pré-11 de setembro e pós-11 de setembro) no mundo inteiro, que tem como alvo principal os países modernizados, que buscam ter o racionalismo como foco de grandes e "ameaçadoras" mudanças culturais. A preocupação não se trata apenas daqueles que vem de fora, mas também dos que fazem parte da própria nação e anseiam por destruí-la devido à influência externa que recebem através do avanço das mídias sociais. Portanto, Welzer constata que o mundo de hoje preza a segurança de forma tão demasiada que deixa de lado direitos civis e humanitários, ou seja, a ética e os valores morais são esquecidos em prol de um bem maior.

    Livros de não-ficção podem ser bastante atrativos dependendo do tema tratado. Sem dúvida falar a respeito de conflitos sociais oriundos de mudanças climáticas parece algo bastante fora do tempo — a sociedade costuma ter em mente que as catástrofes ambientais estão distantes de ocorrerem, mas não percebem que isto já está acontecendo a cada dia que passa. Há aqueles que acreditam que existe uma saída para todo problema. A perspectiva otimista está distante de fazer parte da visão de Welzer. Quando soube do livro A Guerra da Água e me interessei em lê-lo, logo pensei em água literalmente (aquela velha história de que a água do nosso planeta está acabando). Porém, ele vai muito mais além e mostra que a preocupação com o ambiente em que vivemos deve ser mais atenta se não quisermos enfrentar graves situações.
    O autor faz uso de algumas citações ao longo da obra e retrata o ponto de vista de diversos autores de diferentes áreas. Uma das características mais presentes no livro é a de interdisciplinaridade: mesmo focando em sua especialidade, que é a Psicologia Social, Welzer mergulha em outros fatores relevantes para suas argumentações. Fazendo constante uso de gráficos, tabelas, pesquisas antigas e atuais, e uma vasta bibliografia, Welzer enriquece a obra de forma a torná-la concreta, fugindo assim do rótulo que muitos tentam empregar: o de futurista.

"Enquanto a astronomia não nos oferecer planetas próximos o bastante que possam ser colonizados, chegamos à constatação desapontadora de que a Terra é apenas uma ilha. Não teremos mais para onde nos expandir, depois que as reservas tenham sido esgotadas e os campos de cultivo ocupados pela urbanização" (p. 14).

    Algo a ser destacado e que foi, particularmente, uma grande surpresa, é que ele não busca culpados, não põe a culpa nos humanos de forma cega e automática. Welzer apenas constata tudo o que foi feito (reconhecendo que muitas coisas foram realizadas de forma inconsequente) e busca apontar o que falta atualmente para que tudo melhore — mesmo que ele não carregue em si muitas esperanças. Esse foi um forte diferencial, porque o que se vê em muitas obras é que o passado é sempre muito visado e o ser humano é a espécie medíocre que não se preocupa com o amanhã. Welzer, por sua vez, chama a atenção para as grandes organizações e afirma que o pensamento coletivo vale mais que o individual. Defende a ideia de que as mudanças podem partir de cada um, mas a maior delas provém dos altos escalões, que não se preocupam com nada além do lucro, visto que nos encontramos em uma sociedade capitalista — daí a falta de expectativa.
    O autor procura mostrar que os problemas ambientais já são uma realidade latente. Se não fosse assim, a preocupação com novas formas de viver não estariam sendo focadas por tantos grupos (o aumento da demanda e energia solar, o uso de biocombustíveis e carros movidos à eletricidade, etc.). Quando fala do sistema de refugiados, por exemplo, afirma que muitos deles não fogem apenas das guerras de seus países natais, mas também de mudanças climáticas que, consequentemente, reduzem seu espaço de sobrevivência e eliminam a possibilidade de usufruir de recursos naturais básicos para a sobrevivência.

"A inserção do problema climático dentro e um arcabouço cultural e o recuo de uma lógica de alternativas frequentemente fatais e mortíferas significa uma oportunidade para um desenvolvimento qualitativo, especialmente quando a situação se demonstra tão crítica como um simples lançar de olhos sobre a situação presente já está indicando. Uma fixação em escolher uma via entre uma aparente encruzilhada que leva a becos sem saída nos fecha as possibilidades de pensar de forma diferente e de modificar nossas atitudes a fim de procurar soluções que ainda se acham à nossa disposição, mas estão se distanciando e cada vez se afastam para mais longe" (p. 279).



Livro: Zen socialismo – Os melhores posts do blog "Socialista Morena"
Autor(a): Cynara Menezes
Editora: Geração Editorial
Páginas: 238
ISNB: 978-85-8130-336-9
Sinopse: Uma blogueira que resiste aos preconceitos e ataques da internet e põe o dedo em muitas feridas. Brasileira por sua visão corajosa e de futuro, ZEN SOCIALISMO (Os melhores posts do blog Socialista Morena), de Cynara Menezes, reúne o que de melhor essa jornalista que prega a necessidade de uma nova esquerda no país escreveu em sua peregrinação ao mesmo tempo lúcida, denunciadora e bem-humorada pelos problemas, paranoias, fobias, absurdos ideológicos, retrocessos e baixezas da direita brasileira (e de seus adeptos mal informados) pela internet. 

    Cynara Menezes, nascida na pequena Ipiaú – região cacaueira da Bahia –, formou-se em jornalismo pela UFBA (Universidade Federal da Bahia) aos vinte anos de idade, e desde então, perambulou pelas principais redações de jornais e revistas do país, como CartaCapital, Veja, Folha de S. Paulo, etc., até conquistar a independência profissional graças ao seu blog "Socialista Morena", uma experiência inovadora, financiada pelos leitores e acompanhada por mais de 50 mil seguidores no Facebook. Agora, seus melhores posts se converteram num livro disposto a mostrar um resumo da visão desta talentosa escritora.
       Nos tempos em que vivemos uma crise política no Brasil, o blog Socialista Morena, escrito por Cynara Menezes, consegue tocar no âmbito de uma ideologia cujos principais preceitos estão claramente sendo avacalhados pela nossa política, com distorções em todos os lados e com pretensões em cumprir seu principal papel: servir ao povo. Esta ideologia é a do socialismo. Desde as primeiras teorias de Marx até as atuais revoluções, o socialismo se modernizou e acrescentou em si novas lutas, cada vez mais vistas perante a sociedade – quer ela concorde, quer não.
     O socialismo, na sua forma mais limpa e prudente, é adotado por Cynara como algo maior que qualquer partido ou regime – é uma forma de ver o mundo, de viver, de se relacionar. Com textos curtos de diferentes temas – que passam sobre coisas pessoais da vida da autora a assuntos que rodam as bancadas políticas: como legalização do aborto, da maconha e do casamento gay – recheados de humor e leveza, bem ao estilo dos blogs atuais direcionados ao público jovem, ela consegue passar a sua imagem de uma "nova ideologia" – um socialismo zen, aberto, livre, sem amarras de ditadores (como vemos em muitos exemplos ao longo da história) ou de qualquer tipo de censura.
       Sem se desprender da sinceridade, todos os temas são tratados com simplicidade, mostrando como é fácil se enturmar no jeito de pensar da autora e compreender como ela também acabou entrando nesse mundo e adquirindo uma nova visão sobre todas as coisas. Nunca se esquecendo de suas origens, a baiana passa para os leitores todas as suas influências, e mostra que, no mundo atual, a imparcialidade jornalística não é produtiva, por mais que pareça conveniente. Ela deixa claro que ainda acredita na igualdade da nossa nação, mas sem tirar os pés do chão.

"Enquanto houver miséria e desigualdades no mundo, sempre haverá um socialista para criticar o sistema e sonhar com outro mundo possível, onde todos tenham o que comer, o que vestir e oportunidades verdadeiramente iguais" (pág. 44).

        Não conhecia amplamente o trabalho de Cynara Menezes. Mas me interessei instantaneamente quando vi que falava sobre socialismo. Confesso que sempre tive "um pé" nessa ideologia, e sou suspeita para falar que seria um regime ideal para nosso mundo atualmente "globalizado-vulgo-alienado". Embora para mim, ainda sejam ideias repletas de utopias, não é todo dia que temos acesso a algo tão puro e cru que fala sobre socialismo e comunismo. Nossa vivência é tão direitista que esquecemos que há outra porta bem ao lado – e nada nos lembra.
       O gênero de Jornalismo Político também acendeu minha curiosidade, pelo desejo que tenho que tenho de seguir esse rumo como carreira. Visões de diferentes jornalistas são lidas, vistas e ouvidas todos os dias. Mas, com o tempo, fica aquela sensação tal qual descreve a música, da minha banda preferida, aliás: "Eu presto atenção ao que eles dizem, mas eles não dizem nada" (Engenheiros do Hawaii, Toda forma de poder). Ter acesso a algo inovador é instigante. E por isso mesmo, é uma chama que, automaticamente, deveria se acender também no coração de todo brasileiro.


Olá, pessoal! A parceira Geração Editorial cedeu, muito gentilmente, um exemplar desse maravilhoso livro (veja sua resenha aqui.) para sortearmos aqui no blog! Para isso, é necessário cumprir alguns requisitos, confira abaixo.

a Rafflecopter giveaway

REGRAS E ESCLARECIMENTOS
1- Para participar é necessário ter endereço de entrega no Brasil.
2- Se inscrever utilizando o formulário Rafflecopter acima. (Dúvida? Leia esse tutorial no UMO Blog)
3- O ganhador receberá um e-mail, e deverá responder enviando seus dados em até 72 horas. Caso não haja resposta do ganhador, um novo sorteio será feito.
4- A entrada "Compartilhar a imagem no Facebook" pode ser feita mais de uma vez. Para compartilhar a imagem mais de uma vez, contudo,  é necessário compartilhar a imagem no mesmo dia em que preencher o formulário. Ou seja, o compartilhamento precisa ser feito no mesmo dia em que você fizer a entrada no Rafflecopter; se você voltar a dar entrada no sorteio em outro dia, precisa de outro compartilhamento.
5- O sorteio começa dia 24/09 e termina dia 31/10. O resultado sai nesse mesmo post. 
6- A Geração Editorial é responsável pelo envio do livro. O blog não se responsabiliza pelo envio, e nem pelo possível extravio dos correios.
7- Se o ganhador não cumprir devidamente as regras (que serão, sim, conferidas), será desclassificado sem aviso prévio. 
8- As entradas correspondentes a comentários em postagens só serão validadas se os comentários forem pertinentes ao conteúdo do post. Comentários como "gostei da capa" e "muito interessante" não serão validados.


"E que a sorte esteja sempre com você!"


Livro: A Tentação de Lila & Ethan
Título Original: The Themptation of Lila and Ethan 
Autor (a): Jessica Sorensen
Editora: Geração Editorial
Páginas: 376
ISBN: 978-85-8130-275-1

Sinopse: Aos olhos de todos, Lila Summers é a garota perfeita: linda, inteligente, ousada e rica, muito rica! Ela acabou de sair da casa dos pais para entrar na faculdade. Sua nova cidade? Nada menos que Las Vegas… Aos vinte anos, loira e provocante, ela vive o frisson das baladas, jogando-se nos ambientes tentadores dos shoppings e noitadas de sexo sem amor, porém, de forma cada vez mais compulsiva e selvagem. Há algo muito errado nisso tudo. Parece haver razões obscuras para os comportamentos autodestrutivos de Lila. E Ethan Gregory, seu melhor amigo, movido por uma força protetora e ciumenta que ele mesmo não entende, vai arriscar-se a tudo para tirá-la desse inferno, um inferno que se tornou seu também. Sensualidade, segredos e extremos são os elementos irresistíveis desse novo livro de Jessica Sorensen, uma das autoras contemporâneas mais cultuadas do gênero new adult nos Estados Unidos.

SÉRIE "O SEGREDO DE ELLA & MICHA"
    1.  O Segredo de Ella & Micha
    2.  O Para Sempre de Ella & Micha
    Spin-Off  A Tentação de Lila & Ethan

   Jessica Sorensen é autora de livros que figuram com destaque nas listas dos mais vendidos do The New York Times e dos principais jornais do mundo, tanto para livros impressos quanto para e-books. Ela vive com o marido e três filhos nas montanhas nevadas do Wyoming, nos Estados Unidos, onde já escreveu várias séries, das quais a Geração Editorial comprou os direitos de duas, que somam seis volumes.

   Lila, de apenas 20 anos, quer aproveitar a vida ao máximo, e para ela isso significa noitadas regadas a tequila, comprimidos, shoppings e sexo sem nenhum compromisso. Sem parar, pois deve existir algo incrível, um clímax extraordinário no auge dessas felicidades, não? Ela parece o tipo que sempre consegue o que deseja e tem qualquer coisa que quer. Mas a verdade, é que há uma coisa escondida dentro de Lila que ela tenta disfarçar com sexo, principalmente. É fácil perceber, basta olhar em seus olhos que verá tristeza e insegurança. Até mesmo um tipo de autotortura. 
   Mas, é pedir muito que uma pessoa criada como Lila seja feliz e consiga fazer suas escolhas. Seus pais não se importam com seus desejos ou necessidades, contando que ela seja perfeita e seja moldada as mãos do controle deles, tudo estará ótimo. Os problemas familiares somam ainda mais para piorar a situação da vida de Lila, e ela vai fazer de tudo para esconder o vazio dentro de si — o que a leva em situações que sempre acabam mal. Cada vez que ela chega ao fundo do poço, existe apenas uma pessoa que sempre está lá para pegá-la: Ethan Gregory.
   Ethan é um rapaz belíssimo que, diferente de outras pessoas, conhece uma Lila diferente. Uma pobre menina rica e frágil que esconde algo, provavelmente de seu passado, coisas que a perturbam fazendo com que ela afunde em hábitos cada vez mais nefastos. Ethan sente algo tremendamente forte por Lila. Mas ele também tem seus complexos, tendo feito um estranho juramento para si mesmo de que nunca teria um relacionamento, temendo tornar-se igual ao pai, um homem desprezível.
   Ethan, explosivo, musculoso — as vezes rude, grosseiro —, tem medo de saber como é o seu amor. Sua tentação às vezes parece um sério perigo, outras vezes soa como um tipo de salvação. Livrar Lila de suas enrascadas, virou tradição. Mas, é isso que os une: eles compartilham suas histórias e jamais julgam um ao outro, independente de quanto as histórias sejam ruins ou feias. Se Lila vier a cair, Ethan estará lá para levantá-la. Mas, quando Lila cai mais longe do que jamais caiu, Ethan continuará ajudando-a apenas como um amigo? Ou será que ele também está perto de cair... por ela?

   A Tentação de Lila & Ethan é uma spin off da série O Segredo de Ella & Micha, ou seja, o livro não é uma continuação, mas, sim, uma derivação. Para ser mais claro, em O Segredo de Ella & Micha, temos Lila e Ethan como amigos dos personagens principais. Agora, neste livro temos todo o foco narrativo na história dos dois  — Lila e Ethan — , e os eventos acontecem após o segundo livro da série de Ella & Micha. Sendo assim, não é necessário ler os outros livros para que haja compreensão neste. 
   Já tinha ouvido falar, há muito tempo, sobre os new adults de Sorensen, principalmente devido a série O Segredo de Ella & Micha, porém nunca tinha lido nada da autora. Quando surgiu a oportunidade de resenhar A Tentação de Lila & Ethan, não hesitei em lê-lo, pois a história tem uma premissa muito boa, e após lê-lo percebi que minhas expectativas não foram só boas, como se superaram, de uma forma que não achei, inicialmente, que seria possível. O gênero new adult — que representa aqueles livros na faixa entre o Young Adult e o Adult  —  não é novidade para mim, mas ler algo tão bem feito e que reforça bastante seu gênero, foi realmente maravilhoso.
   Narrado em primeira pessoa, A Tentação de Lila & Ethan tem uma trama muito bem focada e inteligente. Cada capítulo é narrado tanto por Lila, quanto por Ethan e nada fica vago. Esse tipo de estruturação nos permitiu ter uma visão mais ampla das escolhas, sentimentos, decisões e pensamentos dos personagens, contribuindo ainda mais para um excelente dinamismo do livro. A escrita de Jessica é do tipo que raramente encontramos: detalhada, com cenários bem descritos, ora formal, ora informal e muito bem trabalhada. Um ponto forte no livro, que acrescentou muito, sem dúvidas, foi a escrita da autora. Uma coisa é você ter uma ideia para um livro, outra é você saber desenvolver isso, e Sorensen soube desenvolver muito bem sua ideia


Eu já tive o cara supostamente perfeito antes, o que me deu o anel, falou que eu era linda, que me amava, que eu possuía sua alma e que ele faria qualquer coisa por mim. Tudo mentira. Irreal. Perfeição não existe. O que é existe é a realidade. É de realidade que eu preciso. E o Ethan é tão real quanto qualquer um que eu já tenha conhecido.

   É típico dos new adults retratarem o processo de transição, de mudança; momento no qual o jovem atinge a maior idade e começa a perceber as alterações que tal status acarreta, mas a forma como a autora fez isso em A Tentação de Lila & Ethan, a forma como trabalhou o drama adulto, foi realmente incrível. Jessica não fez apenas um livro que conta a vida de duas pessoas com problemas, ou coisa parecido, ela trata de fatos reais, que acontece com muitas pessoas. Mais que entretenimento, esse livro é uma poderosa fonte de conhecimento, principalmente sobre a vida, sobre problemas familiares, sentimentais, pessoais e de relacionamentos. É claro o quanto de pesquisa a autora deve ter feito para escrever o livro —  já que ele trata de problemas psicológicos, drogas e dramas familiares. Talvez tenha até um pouco de algo autobiográfico aí. 
   Como disse anteriormente, a trama de A Tentação de Lila & Ethan é muito focalizada nos dois personagens principais e os secundários são quase inexistentes. Lila é uma jovem rica, mas que sabe que dinheiro não é tudo. Prova disso é que sua vida é um completo infortúnio. Além dos problemas do presente, com os pais, com os comprimidos, ela é corrompida por fantasmas do passado, algo que é cravado em sua alma, que ela vai nos contando aos poucos, conforme adentramos na narrativa. Boa parte do livro é um mistério, sobre a vida de Lila. A personagem tem uma construção muito nítida e bem impactante, e isso, aliado a sua personalidade, é muito inspirador e mexe completamente com quem lê.
   Ethan é do mesmo jeito. Há alguns anos atrás passou por um sério problema, que também é um mistério que nos é revelado conforme lemos, e tem sua vida corrompida. Além desse "sério problema", ele tem medo de se relacionar com alguém, teme se tornar um homem como o pai: que bate e maltrata a mãe. Contudo, ele se tornou amigo de Lila há muito tempo e de um tempo para cá, vem salvando ela de muitas enrascadas. Há uma tensão forte entre eles e com a convivência eles acabam percebendo que são um a salvação do outro e o que era para ser água e óleo, acaba sendo café com leite, uma mistura incrível. Ethan tem uma personalidade as vezes rude e grosseira, mas na maior parte do tempo é apenas uma pessoa perturbada com seus problemas e decidido a cuidar dos de Lila.
   Além de Lila e Ethan, Micha e Ella aparecem na narrativa, apesar de por poucas vezes. Micha, namorado de Ella, é o melhor amigo de Ethan, e sua namorada é melhor amiga de Lila. No todo, os personagens são muito bem construídos, bem reais e com um desenvolvimento ora lento, ora rápido demais. 
   Contudo, apesar de ser um livro incrível, A Tentação de Lila & Ethan teve uma falha, a única que encontrei: há em determinadas parte do livro um desenvolvimento muito rápido, algo que não seria necessário, já que o livro tem uma excelente construção. Teve momentos em que eu virei uma página e já havia se passado duas semanas. Isso não foi frequente, mas aconteceu em algumas partes do livro. Acredito que não haveria necessidade de avançar rápido com as coisas, pois a história em momento algum é "chata" ou "besta" ao ponto de você querer largá-la ou avançar com as coisas. Embora tenha esse pequeno deslize, a trama em si é muito boa e totalmente instigante. O desenvolvimento rápido, embora não necessário, não atrapalhou ou deixou de explicar algo. 
   A edição da Geração Editorial ficou tão perfeita quanto o livro em si. A capa é inteiramente coerente com a história do livro, principalmente ao retratar Lila exatamente como descrita no livro. O mesmo acontece com Ethan, inclusive até a tatuagem que o garoto tem está presente na capa do livro. A diagramação ficou muito boa e cada capítulo se inicia em uma nova página, com um design interno bem caprichado. Encontrei alguns erros de revisão, mas nada que comprometa a obra em si. No todo, acredito que a edição merece todo tipo de parabenização
   Por fim, esse foi um livro que superou tudo que eu esperava e mudou completamente minha vida. Eu acredito que o propósito da literatura foi sempre isso: livrar-nos da ignorância e adicionar conhecimento ao nosso cérebro. Mais que me divertir, eu aprendi com esse livro e acredito que todos ao lerem, aprenderam algo também. Após uma pesquisa, vi que nenhuma pessoa que leu criou aversão com a história e eu sei o motivo disso: sua excelente trama e sua boa construção. Não foi só a ideia que foi atípica, mas todo o desenvolvimento em si. Um romance lindo, sofrido, inspirador e totalmente indicado. Todos deveriam ler, imediatamente. 

Primeiro parágrafo do livro: “Beleza. Vaidade. Perfeição. Três palavras que a minha mãe adora. Significam mais para ela do que o marido, as filhas e a vida. Se ela não tivesse esses atributos, preferia estar morta. Se eu não tivesse esse atributos, ela me repudiaria. Ser impecável. Brilhar luminosamente. Nunca, jamais, fazer algo abaixo da excelência. Essas são as regras dela e a vaidade que constituem a minha vida. E o meu pai não é melhor. Na verdade, acho que ele pode ser até pior, porque, mesmo com beleza, perfeição e excelência, eu nunca sou boa o bastante.” 
Melhores quotes: “Mas uma coisa que aprendi depressa foi que você não consegue se desvencilhar da vida, não importa o quanto queira.”
"Desculpas são para os fracos. Se você admitisse que cometeu um erro, e que continua a cometê-los, então talvez fosse capaz de finalmente corrigir seus atos."

 

                Selo-vermelho



Livro: Ovelha
Autor: Gustavo Magnani
Editora: Geração Editorial
Páginas: 227
ISBN: 9788587303253

Sinopse: Este livro, estreia impressionante de um jovem e talentoso escritor, é o relato pecaminoso de um decadente.  A história de um homem religioso e carismático, temente a Deus, mas amante insaciável de sua própria carne exótica, a carne de outros homens. Um pastor gay, casado com uma ex-prostituta, filho de uma fanática religiosa. Neurótico e depravado. E agora condenado. Internado num hospital, debilitado e com um segredo de uma tonelada nas costas, este personagem atormentado decide libertar-se de seus demônios e relatar seu drama. Num relato cru e sem censura, ele literalmente vomita seus trinta anos de calvário e charlatanice na cara da congregação (e de qualquer um que se interesse por um bom inferno). Sexo, paranoia, corrupção e destruição são os ingredientes tóxicos dessa obra provocante, polêmica e inovadora.

O jovem escritor paranaense Gustavo Magnani, também idealizador do maior blog literário do Brasil – Literatortura –, apresenta em primeira mão sua mais nova estreia no universo literário: Ovelha: memórias de um pastor gay, com a promessa de ser mais um best-seller nacional, enriquecendo nossa literatura brasileira contemporânea com um tema inovador para os dias atuais.
Todos sofrem dilemas ao longo do caminho que percorrem na vida. Mas algumas pessoas se deparam com peculiaridades vistas pelos olhos de muitos como sendo improváveis, ou como aberrações – visões que podem ser influenciadas por vários meios, como o religioso, por exemplo. E é exatamente essa a trama do livro, ao retratar as memórias de um pastor que, ao se descobrir homossexual, lutou contra tudo em que acreditava e contra si mesmo para aceitar-se como tal – o que, em momento algum, ocorre de fato, pois ele buscava todas as saídas possíveis para se ver "livre" do que sentia, mas, ao mesmo tempo, seus esforços acabavam sendo em vão quando ele não resistia a fazer o que considerava (e pregava) ser errado.
Enfermo, internado num hospital católico, o pastor, vendo-se a beira da morte, resolve escrever uma espécie de carta, que acaba se transformando em relatos aleatórios sobre sua vida e sobre seus pensamentos acerca do mundo religioso em comunhão com o resto do mundo. Medindo de acordo com o que fez ou viu enquanto tentava conciliar sua vida dupla: uma dentro de casa e da igreja, com seus filhos, sua mãe e sua esposa; e a outra, desregrada, marcada pelo adultério com homens e mulheres, com os quais, de certa forma, chegou a construir histórias que o marcaram.
Além disso, deixa claro que as memórias também servem para que ele peça perdão a todos aqueles a quem magoou ou enganou com a vivência dessa dualidade, a qual escondia muito bem. Dividido em quatro partes, o livro mostra a imagem de um homem decadente, covarde e infeliz, pressionado pela própria mãe e pelo peso que ele acatou que ela pusesse às suas costas, alguém que não soube aceitar a si mesmo por estar preso a dogmas ligados mais às outras pessoas do que à própria religião.

Aceitei ler o livro de bom grado por acompanhar o canal do YouTube e o blog literário do autor, que sempre citava o livro e quando ele seria lançado, fazendo com que me interessasse cada vez mais pela história. Sua peculiaridade em meio a outras leituras do tipo que já tive acesso, e sua promessa de polemizar a questão “homossexualidade vs. religião” era-me muito atrativa. O lado polêmico e provocativo não chegou a me afetar totalmente, mas a linha de pensamento me deixou satisfeita, tocando em assuntos pungentes para quem, como eu, segue a religião cristã.
A narrativa seguiu de forma aleatória, e, já no início, o autor utilizou-se da metalinguagem, fazendo com que o personagem explicasse para o leitor que em alguns momentos faria uma narrativa linear, e, em outros, apenas filosofaria, dissertaria sobre o que lhe viesse à mente — tão moribunda quanto o corpo. Uma linguagem muito bem trabalhada (imposta de um jeito a combinar com o que era narrado em seus capítulos curtos), ora polida, ora informal, cheia de vícios, símbolos cibernéticos fazendo menção à sexualidade e palavrões – esta segunda forma, dando um peso maior à história. Também captou perfeitamente a linguagem usada em cultos de adoração comuns em igrejas protestantes.

"O empirismo não é a base de todo raciocínio lógico... se fosse assim, silenciaríamos os estudiosos de leis gays porque são héteros? Parece-me tanto uma disputa de ego, meu pastor: quem está no privilégio de dizer? Quem tem as melhores articulações, não quem sofreu na pele".

Alguns capítulos me chamaram atenção por serem reservados a uma opinião própria, sendo social e religiosa, fugindo, como sempre, da linearidade, e mostrando uma visão de mundo sincera e brutal. Uma alta dose de sarcasmo foi um ponto essencial da história, deixando de lado o politicamente correto que se faz presente (e isso pode ser visto com bastante frequência nos tempos atuais) em todos os âmbitos, especialmente sociais e religiosos. A quebra desse tabu na narrativa tornou tudo mais leve – e, em minha visão, não tanto provocativo como parecia propor (o que não significa que algumas pessoas não podem escandalizar-se).
Por momentos, pensei que o livro sofria de erros de revisão, pois o emprego de letras minúsculas nas iniciais de nomes próprios e em referências à Deus era muito frequente, mas, então apercebi que, quando outra pessoa citava os tais nomes, a inicial maiúscula era empregada. Então, provavelmente a diferença estava com o personagem narrador: como quando citava a sua mãe, por exemplo, era sempre como “Mamãe”, e um parentesco tratado com inicial maiúscula dá um significado de superioridade, o que faz todo o sentido ao decorrer da história.
   A mãe do protagonista era posta na berlinda em muitos capítulos, e, em alguns momentos, parecia mais superior que Deus na vida do pastor; pela sua autoridade que empurrara o filho pelos caminhos que ela achava que ele deveria seguir. O personagem afirma que não havia escapatória, que seu destino fora traçado por Deus e pela mãe, negando o livre-arbítrio que — pela religião que pregava — devia acatar. Foram personagens construídos com o mais alto grau de humanidade – com muitos erros, acertos, pecados, corrupções, hipocrisias, etc. — e, em cada um deles, o protagonista encontrava um refúgio, algo em que se apoiar para justificar suas falhas, desde seus “amores proibidos”, até seus filhos, a quem dedicou todo o amor e as melhores palavras das memórias.


Livro: Cova 312
Autor (a): Daniela Arbex
Editora: Geração Editorial
Páginas: 342
ISBN: 9788581302737
Sinopse: Menos de dois anos depois de seu surpreendente Best-seller de estreia, “Holocausto Brasileiro”, Daniela Arbex volta com mais um livro corajoso e revelador. Escrito como um romance, nele se conta a história real de como as Forças Armadas mataram pela tortura de um jovem militante político, forjaram seu suicídio e sumiram com seu corpo. Daniela Arbex reconstitui o calvário deste jovem, de seus companheiros e de sua família até sua morte e desaparecimento. E continua investigando até descobrir seu corpo na anônima Cova 312, que dá título ao livro. No final, uma revelação bombástica muda um capítulo da história do Brasil. Uma história apaixonante, cheia de mistério, poesia, tragédia e sofrimento.

    A repórter especial do jornal Tribuna de Minas — onde trabalha há vinte anos — lançou agora seu segundo livro, que foi originado de uma série de matérias iniciadas em 2002 a respeito das famílias desestruturadas pela ditadura militar. Depois de seu primeiro livro, “Holocausto Brasileiro” (eleito o Melhor Livro-Reportagem do ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte, e o Segundo Melhor Livro-Reportagem no Prêmio Jabuti), onde denunciou os maus tratos aos moradores de um hospício de Minas Gerais, Daniela Arbex entra agora com outra denúncia polêmica, que mexe com antigas feridas de uma época de trevas no Brasil.
    Tudo começa quando, em março de 2002, uma Comissão Estadual de Indenização às Vítimas de Tortura é instaurada em Minas Gerais, com o objetivo de investigar os casos de presos políticos desaparecidos durante a Ditadura Militar e determinar um pagamento de indenização às vítimas de tortura e, para o caso de mortes, às famílias das vítimas. A jornalista Daniela Arbex se interessa pelo caso e pensa em fazer uma reportagem sobre o assunto, planejando ir atrás dessas vítimas e de suas famílias, e recolher material para uma matéria sobre um assunto que queria escrever a muito tempo: a ditadura militar brasileira.
    Depois de algumas pesquisas e contatos com o deputado Nilmário Miranda, na época presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, Daniela chegou até os casos dos presos da penitenciária de Linhares, e descobriu que o único preso político que havia morrido (e o corpo nunca encontrado) foi Milton Soares de Castro, da guerrilha do Caparaó. Segundo o exército, ele havia se suicidado por enforcamento dentro de sua cela. Ao saber de toda a história, Daniela tomou uma decisão: não iria descansar enquanto não encontrasse o corpo de Milton.
    Ainda naquele ano de 2002, muitas matérias a respeito dos casos dos presos de Linhares saíram em destaque no Tribuna, com Daniela à frente de toda a investigação. E em dois meses de procura, chegou finalmente a descobrir a sepultura onde Milton havia sido enterrado (a Cova 312), no Cemitério Municipal de Juiz de Fora. A matéria saiu como o grande destaque da vez. Daniela finalmente havia encerrado sua missão. Mas, não havia. Ela queria ir mais além, e decidiu que, para se dar por satisfeita, investigaria tudo o que ocorreu com Milton até a hora de sua morte, que coincidiu com um interrogatório regado a muita tortura — o que dava uma centelha de certeza à jornalista de que, na verdade, o que ocorreu não fora suicídio.
    Com a ajuda de amigos, especialistas e pessoas que fizeram parte da vida de Milton — seus irmãos, seus companheiros de batalha e de penitenciária —, Daniela não só chegou à verdade dos fatos, como também contou a história de todos aqueles que lutaram por um país sem opressão, sem temores: e que por isso foram presos, torturados, mortos.

“Conhecer os episódios de vida e de morte dos militantes políticos me deu a oportunidade de desvendar um Brasil que ainda teme seus fantasmas e se acovarda diante do peso da culpa [...] Fazer silêncio diante de uma nação que foi esfacelada pela violência no passado e continua reproduzindo seus métodos de tortura e exclusão do período do arbítrio é compactuar com crimes dos quais podemos nos tornar vítimas. Pior que isso: reeditar nas ruas do país marchas pela ordem clamando o retorno da ditadura é desconhecer os anos de sombra que envolveram o Brasil [...]”

    O contato que tive com livros-reportagens se resumem a Euclides da Cunha e sua escrita formal, cheia de detalhes narrados com uma frieza jornalística característica. Apesar de ter o mesmo gênero, é aí que “Cova 312” mostra seu diferencial: a autora entra na realidade fria de um jeito “morno”, com sua afiada sensibilidade em relação a toda aquela investigação. Já havia ido a uma apresentação a respeito de seu primeiro livro, “Holocausto Brasileiro”, e mesmo com todos os pontos positivos que citaram sobre a obra de Daniela, não conseguiram me preparar para o impacto que essa sua outra obra teve sobre mim.
    A narrativa é comum para o gênero — em terceira pessoa, com um narrador observador (realmente falando, alguém que apurou os fatos para contar uma história). Porém, há capítulos em que Daniela, ao narrar sua experiência com a investigação em primeira pessoa, torna-se informal, diferente de quando narra a história investigada. Em muitos momentos, ela até recriou os diálogos (produtos de relatos de entrevistados e de suas gravações com as pessoas que teve de consultar durante sua jornada), ou seja, não é aquela narrativa linear de sempre, somente cheia de informações cruas. Houve um “algo a mais”, um envolvimento, que acaba sendo contagioso para quem lê (perdi a conta de quantas vezes meus olhos marejaram).

“Revolver o passado é vital para se fazer justiça e para consolidação do estado democrático de direito”.

    Não esperava que num livro-reportagem houvesse tantos detalhes pequenos e que, no fundo, faziam tanta diferença! Isso tudo lembrava que não estávamos lendo mais uma dessas reportagens que vemos nos noticiários todos os dias, em que as pessoas são tratadas como meros números (é comum vermos a velha fórmula de se noticiar: “X pessoas morreram hoje durante um assalto numa loja Y”). Mesmo os personagens menos importantes para a construção da reportagem tinham os nomes completos citados, e suas breves histórias de vida contadas.
    Também houve outro ponto que enriqueceu bastante a obra: Daniela foi clara em como conseguiu iniciar e terminar aquele projeto que determinara para si. Não foi como se todos aqueles dados que apresentou tivessem surgido do nada em suas mãos. Ela mostrou que o caminho para chegar até ali fora difícil, árduo. Foram meses e meses de dedicação para algo que ela realmente só conseguiu concluir em meados do ano passado — mas, que, como ela deixou bem claro, ficará marcado em sua carreira e em suas lembranças para sempre.




REGRAS E ESCLARECIMENTOS
1- Para participar é necessário ter endereço de entrega no Brasil.
2- Se inscrever utilizando o formulário Rafflecopter acima. (Dúvida? Leia esse tutorial no UMO Blog)
3- O ganhador receberá um e-mail, e deverá responder enviando seus dados em até 72 horas. Caso não haja resposta do ganhador, um novo sorteio será feito.
4- A entrada "Compartilhar a imagem no Facebook" pode ser feita mais de uma vez. Para compartilhar a imagem mais de uma vez, contudo,  é necessário compartilhar a imagem no mesmo dia em que preencher o formulário. Ou seja, o compartilhamento precisa ser feito no mesmo dia em que você fizer a entrada no Rafflecopter; se você voltar a dar entrada no sorteio em outro dia, precisa de outro compartilhamento.
5- O sorteio começa dia 01/05 e termina dia 02/06. O resultado sai nesse mesmo post. 
6- A Geração Editorial é responsável pelo envio do livro. O blog não se responsabiliza pelo envio, e nem pelo possível extravio dos correios.
7- Se o ganhador não cumprir devidamente as regras (que serão, sim, conferidas), será desclassificado sem aviso prévio. 
8- As entradas correspondentes a comentários em postagens só serão validadas se os comentários forem pertinentes ao conteúdo do post. Comentários como "gostei da capa" e "muito interessante" não serão validados. 

"E que a sorte esteja sempre com você!"


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