Livro: A Libélula no Âmbar
Título original: Dragonfly in Ambar
Autor (a): Diana Gabaldon
Editora: Saída de Emergência Brasil
Páginas: 944
ISBN: 9788567296272
Sinopse: "A Libélula no Âmbar - Claire Randall guardou um segredo por vinte anos. Ao voltar para as majestosas Terras Altas da Escócia, envoltas em brumas e mistério, está disposta a revelar à sua filha Brianna a surpreendente história do seu nascimento. É chegada a hora de contar a verdade sobre um antigo círculo de pedras, sobre um amor que transcende as fronteiras do tempo... E sobre o guerreiro escocês que a levou da segurança do século XX para os perigos do século XVIII. O legado de sangue e desejo que envolve Brianna finalmente vem à tona quando Claire relembra a sua jornada em uma corte parisiense cheia de intrigas e conflitos, correndo contra o tempo para evitar o destino trágico da revolta dos escoceses. Com tudo o que conhece sobre o futuro, será que ela conseguirá salvar a vida de James Fraser e da criança que carrega no ventre?"

SÉRIE "OUTLANDER"
    1.  A Viajante do Tempo
    2.  A Libélula no Âmbar 
    3.  Voyager (sem previsão de lançamento)
    4.  Drums of Autumn (sem previsão de lançamento)
    5.  The Fiery Cross (sem previsão de lançamento)
    6.  A Breath of Snow And Ashes (sem previsão de lançamento)
    7.  An Echo in the Bone (sem previsão de lançamento)
    8.  Written in my Own Heart's Blood (sem previsão de lançamento)
    9.  Untitled (sem previsão de lançamento) 


   O segundo volume da série Outlander já começa um tanto desnorteante: deparamo-nos com Claire, agora em seus quarenta e tantos anos, de volta a seu tempo de origem, em meados do século XX. Sim, você leu isso corretamente. E as surpresas não param por aí: ela está acompanhada de sua filha, Brianne, uma linda e ruiva jovem de 20 anos, que foi criada por ela e for Frank nos Estados Unidos. Como viúva de Frank Randall, Claire volta à Escócia com Brianne para, finalmente, revelar os segredos de seu passado — e da origem de Brianne — à filha. 
   É desse modo que, através de um flaskback, somos levados ao ano de 1745, quando Claire e James Fraser estão exilados na França, ambos fugitivos da Escócia. O objetivo deles nesse novo país é se infiltrar na corte francesa para impedir a Revolução de 45, um levante comandado pelo príncipe Charles Stuart para retomar o trono escocês dos ingleses. Eles são ajudados por Jared, um influente primo comerciante de James, que os hospeda e os apresenta às personalidades da corte em troca de ajuda com os negócios.
   Assim, Sr. e Sra. de Broch Tuarach, como são conhecidos, fazem amizades influentes, hospedam jantares galantes e conhecem o rei da França em pessoa. Mas as intrigas, segredos e inimizades ocultas da corte são perigosas, e o tempo está correndo. O levante precisa ser impedido, mas serão os dois amantes o suficiente para modificar a história? 

    Diana Gabaldon é uma das minhas escritoras preferidas. Quando iniciei a leitura de A Viajante do Tempo, de modo despretensioso, nunca imaginei que fosse me encantar por uma série de modo tão intenso e repentino quanto como aconteceu com Outlander. Dito isso, e o fato de que o primeiro livro entrou para o topo de minha lista de favoritos, acredito que não preciso afirmar que minhas expectativas para com a continuação da série eram altíssimas. 
   Creio que não posso dizer que A Libélula no Âmbar me decepcionou, pois, ainda que tivesse detestado cada pedacinho da história narrada, a leitura já teria valido a pena somente pelo modo que Gabaldon escreve. Mesmo assim, preciso afirmar que, devido ao meu encanto com o primeiro livro, tinha expectativas altas para esse segundo volume: expectativas que acabaram inalcançadas. 
    Esse segundo livro já se inicia um tanto confuso, mas leva poucas páginas para entender o contexto geral: Claire voltou no tempo, grávida de Jamie, e retomou sua vida como esposa de Frank Randall, que assumiu a paternidade de Brianne. Isso só já é um choque e confesso que, como leitora, cogitei abandonar o livro. Não gostei nem um pouco do que a autora fez com uma das minhas séries favoritas (e um dos meus casais favoritos!), mas, depois de pensar e repensar, decidi dar uma chance à Gabaldon: afinal, esse livro foi escrito pela mesma pessoa que me deixou encantada pela Escócia do século XVIII e seus personagens.
   Não posso dizer que me arrependo. O livro é extenso, com 944 páginas, e foi divido em sete partes, cada uma narrando um "marco" da história de Claire. A narração de boa parte da obra é em primeira pessoa, pela própria Claire, mas também há partes focadas em Brianne ou Roger que se passam em terceira pessoa. É uma leitura viciante, que consegue prender o leitor; tanto em descrever seus complexos personagens, quanto ao detalhar as belas paisagens da Escócia e da antiga França, e ao narrar os fatos históricos, situando o leitor que não é conhecedor da história.



Livro: A Herdeira das Sombras
Título Original: Heir to the Shadows
Autor (a): Anne Bishop
Editora: Saída de Emergência
ISBN: 9788567296180
Páginas: 480
Sinopse: Há 700 anos, num mundo governado por mulheres e onde os homens são meros súditos, uma profetisa viu na sua teia de sonhos e visões a chegada de uma poderosa Rainha. Jaenelle é essa Rainha. Mas mesmo a proteção dos Senhores da Guerra não impediu que os seus inimigos quase a destruíssem. Agora é necessário protegê-la até as últimas consequências. Três homens estão dispostos a dar a vida por Jaenelle. Mas há quem seja capaz de tudo para controlar ou destruir a Rainha. Conseguirá ela cumprir seu destino como detentora do maior poder que o mundo já conheceu?

TRILOGIA "AS JOIAS NEGRAS"
    1.  A Filha do Sangue
    2.  A Herdeira das Sombras
    3.  A Rainha das Trevas (previsão para 2015)

    O segundo livro da trilogia das Joias Negras se inicia retomando alguns eventos da história de Jaenelle, a poderosa jovem predestinada a se tornar A Feiticeira dos Sangue. Depois dos traumáticos acontecimentos de Briarwood, a menina abandonou seu corpo para não lidar com os sofrimentos pelos quais passou. Dois anos depois – agora com catorze anos –, Jaenelle finalmente reconstrói sua essência e desperta para o mundo dos vivos – mas ela não é mais a criança que já foi, e, em adição a isso, seu poderes parecem ter apenas ficado mais fortes.
   Ao mesmo tempo, o leitor é apresentado a uma complexa teia de poder e ambição, na qual aqueles que querem o controle dos reinos não pouparão esforços para cumprir seus objetivos. A jovem Jaenelle representa esperança para aqueles que vêm sendo explorados, e uma ameaça às ambições dos que desejam o poder – e, sendo assim, necessita ser destruída; ou usada como uma arma a favor dos que a desejam.

   Recomendo fortemente que, se ainda não conhece a série, leia minha resenha de A Filha de Sangue antes de ler a que está a seguir. Essa resenha está livre de spoilers do segundo livro, contudo, por tratar-se de uma série, é quase impossível falar sobre esse livro sem citar importantes acontecimentos de A Filha do Sangue, o que pode revelar alguns fatos dos livros para você.
   Como já disse na resenha do primeiro livro, essa série me surpreendeu e chocou como poucas. Fiquei completamente enredada pela história do universo criado por Anne Bishop, e, depois do bombástico final do livro anterior, extremamente curiosa por uma continuação. Eis que a sequência finalmente chegou às livrarias brasileiras pela Saída de Emergência – e, mais uma vez, Anne Bishop não me decepcionou.
    A narrativa é feita sempre em terceira pessoa, alternando entre diversos pontos de vistas – desde pessoas queridas à Jaenelle a aquelas que a desejam destruir. É importante frisar para quem ainda não leu a série que, em nenhum momento, quem narra os fatos é a própria protagonista. A conhecemos apenas pelos pontos de vistas dos demais e por suas atitudes. Essa maneira de contar a história me chamou atenção desde o começo na série, e ainda é algo tão inovador que se tornou uma de minhas coisas preferidas sobre tais livros.
    Ainda fico abismada com a incrível habilidade de narração da autora. Anne Bishop possui uma linguagem culta, sucinta, mas que, ao mesmo tempo, consegue ser extremamente poética e bonita. A narrativa é ideal para o rumo da história, sendo fluída, rica em detalhes e muito bem arquitetada – fiquei, de fato, impressionada com a maestria da autora ao inserir pequenos detalhes que parecem insignificantes, mas que farão uma enorme diferença no futuro.


    Nesse segundo volume, é possível notar, logo de cara, que algumas mudanças significativas foram feitas pela autora quanto a sua maneira de conduzir o enredo. Primeiramente, a participação de Jaenelle é mais reduzida, algo completamente inovador – afinal, um livro com uma protagonista que não aparece de maneira frequente não é a história mais comumente encontrada. Não que isso seja ruim; na realidade, adorei esse novo ponto de vista, e acredito que essa foi a maneira que Bishop encontrou para dar mais espaço ao desenvolvimento dos homens da história.
   O fato mais significante é que Daemon – que, no primeiro livro, divide o protagonismo com seu pai – tem sua participação reduzida. É possível compreender, ao longo da leitura, o porquê de isso ter acontecido, mas, ainda sim, gostaria de ter visto mais do personagem, que é um de meus favoritos. Ao mesmo tempo que Daemon é um tanto deixado de lado, entretanto, Lucivar – o misterioso eyrieno do qual pouco sabíamos – é finalmente apresentado ao leitor pelo seu próprio ponto de vista, e tem sua história explorada.
   Saetan, todavia, é o ser no qual grande parte do livro está focado. Ele, como Senhor do Inferno, toma todas as importantes decisões e luta com todas suas forças para possuir a guarda de Jaenelle. É interessante observar seus sentimentos para com a menina – que, apesar de terem tido uma conotação amorosa no início, agora são completamente paternalistas –, sendo ele o temido Senhor do Inferno, mas ficando completamente à mercê das vontades de uma adolescente. Tudo isso rende boas risadas ao longo da história, ao mesmo tempo que revela um lado até então desconhecido de Saetan e nos faz simpatizar com ele.
   Chamou-me atenção, desde A Filha do Sangue, a maneira como Bishop constrói seus personagens, e isso apenas de acentua nesse segundo livro. Aqui – assim como no mundo real – não existem pessoas completamente boas, e muito menos completamente más. Vemos os temidos e infames Senhores da Guerra sendo conduzidos e encantados pela bondade e guiados pela vontade de proteger aqueles que amam, assim como, alguns momentos depois, fazendo jus à fama macabra que lhes é dada.


Livro: A Filha do Sangue
Título original: The Daughter of Blood
Autor (a): Anne Bishop
Editora: Saída de Emergência Brasil
Páginas: 432
ISBN: 9788567296104
O Reino Distorcido se prepara para o cumprimento de uma antiga profecia: a chegada de uma nova Rainha, a Feiticeira que tem mais poder que o próprio Senhor do Inferno. Mas ela ainda é jovem, e por isso pode ser influencidade e corrompida. Quem a controlar terá domínio sobre o mundo. Três homens poderosos, inimigos viscerais - sabem disso. Saetan, Lucivar e Daemon logo percebem o poder que se esconde por trás dos olhos azuis daquela menina inocente. Assim começa um jogo cruel, de política e intriga, magia e traição, no qual as armas são o ódio e o amor. E cujo preço pode ser terrível e inimaginável.
TRILOGIA "AS JOIAS NEGRAS"
    1.  A Filha do Sangue
    2.  Heir to the Shadows (ainda sem previsão de lançamento no Brasil)
    3.  Queen of the Darkness (ainda sem previsão de lançamento no Brasil)

    Primeiro de tudo, afirmo que a sinopse do livro não cobre nem a metade do cenário inicial. Vou dizer que não tentarei explicar muito profundamente A Filha do Sangue. Explicar esse livro seria, mais ou menos, como tentar resumir  “As Crônicas de Gelo e Fogo”: é impossível contar a história e abranger tudo o que deveria, já que ela é extremamente complexa. 

    Os Sangue são uma espécie mágica que vive em uma sociedade matriarcal. Inicialmente foram criados para serem protetores do reino e servirem as Trevas, contudo, ao longo dos anos, os mais ambiciosos chegaram ao poder e todos sofreram sob o comando de Rainhas cruéis. A sociedade atual consiste nessas fêmeas tirânicas no poder, quando qualquer macho poderoso, que poderia ter sido uma ameaça ao sistema, é dominado e torna-se um escravo sexual. 
   O poder dos Sangue precede de pedras chamadas Joias – sendo que, quanto mais escura sua joia, mais poderoso você é –, e cada indivíduo possui duas: uma, recebida como um Direito de Progenitura, e outra, que pode ser “evoluída” três níveis acima da sua de direito. A magia desse povo é chamada de Arte. 
   Centenas de anos atrás, uma profecia foi feita. Uma Rainha, A Feiticeira, chegaria, e o seu destino seria governar o povo de Teirelle da maneira correta, destruindo a sociedade corrompida que agora existe. Tal Feiticeira, de fato, chega; contudo, ela ainda não passa de uma menina. Dona de tamanho poder nunca antes visto, Jaenelle é um extramente talentosa, mas ainda é vulnerável, jovem e inocente – estando, assim, sujeita a influências que podem corrompê-la.
    Cabe agora a três homens – príncipes do Sangue, machos muito poderosos –, que estão destinados a servir a Feiticeira de direito, a instruírem para o caminho correto. Cada um deles possui um passado tormentoso e almas desfiguradas. Saetan, o Senhor Supremo do Inferno, e seus dois filhos, Daemon, O Sádico, e Lucivar, precisam lutar contra seus próprios demônios para ajudar Jaenelle: e, ao mesmo tempo, protegê-la do perigo que representa a si mesma.

     Não consigo lembrar do último livro que me empurrou para fora de minha zona de conforto como A Filha de Sangue fez. Anne Bishop escreveu uma obra magistral, possuidora de um mundo extremamente original e fantástico. A autora possui um talento de poucos: ela consegue, em algumas páginas, transportar o leitor a um mundo único, e, de tal modo, totalmente estranho, mas do qual é impossível de duvidar.
    A narração é em terceira pessoa, contudo, o interessante sobre a história é que nada é narrado pela perspectiva da Jeanelle, a protagonista. Os fatos são contados por outros personagens, os encarregados de guiá-la e auxiliá-la nessa iminente jornada, ou, até mesmo, por aqueles que desejam sua destruição. 
   A quantidade de realismo imposto no livro é enorme, e, algumas vezes, chocante. Trata-se de um livro sombrio, que, de modo paradoxal, é também sobre esperança e amor. É cheio de cenas explícitas, tortura, insinuações sexuais, violência, crueldade é até mesmo abuso infantil. Bishop faz seus personagens passarem por situações perversas, que não devem funcionar para todos os leitores. É preciso estômago para ler o livro, e, especialmente, lidar com a ideia de algumas das crueldades presentes.

"– Não. Somos o que somos. Nem mais, nem menos. O bem e o mal existem em todos os povos. Atualmente, quem domina é o mal que existe entre nós."
  Um ponto alto de A Filha do Sangue são seus personagens, e a complexidade que eles carregam – características humanas, é claro, mas que muitas vezes são deixadas de lado na ficção. Ninguém é completamente bom, ninguém é de todo mau. Começando pelos três homens que devem guiar Jeanelle: Saetan é o Senhor Supremo do Inferno, e muito poderoso, tendo um passado turbulento e cruel. O carinho e amor que demonstra por Jeanelle, contudo, mostra outra faceta do homem, que a idolatra. Com Lucivar ocorre o mesmo, contudo, ninguém recebe mais destaque do que Daemon (e ninguém se mostra mais complexo do que ele, também). 
    Daemon é, na realidade, o legítimo anti-herói. Criado como um escravo sexual desde muito jovem, assim como o irmão, pode-se dizer que o homem não recebeu a reputação de Sádico a toa. Ele é agressivo, cruel e violento. Contudo, mesmo nunca deixando de lado tais características, possui um código moral e protege aqueles que ama a qualquer custo, sendo que a única coisa pela qual anseia é a Feiticeira para servir. Quando toma conhecimento de que a Feiticeira é Jaenelle, por sua vez, os sentimentos dele em relação a criança tornam-se tempestuosos – ao mesmo tempo que sabe ser errado ser atraído por uma menina de doze anos, não consegue evitar como se sente, o poder que emana dela.
    Jaenelle, por sua vez, é uma criança, mas possui dentro de si uma sobriedade impressionante. É claro, tamanho poder como o dela não viria sem um preço. A menina é atormentada, tanto pelas coisas que viu em uma idade tão tenra, mas, também, pelo sofrimento imposto por sua família, que a taxa de louca. A personagem passa por maus bocados do começo ao fim do livro, mas está claro que está destinada a algo grande. Ela precisa ser ensinada e orientada, mas vive surpreendendo seus mestres com habilidades nunca vistas e um poder enorme. 
    Chego, aqui, a um dos pontos um tanto quanto incômodos sobre o livro. Primeiramente, explico que os Sangue machos possuem um desejo intrínseco de servir, ser fiel às fêmeas, especialmente se elas forem suas Rainhas. Isso é compreensível, é claro. Contudo, o modo como os Saetan e Daemon são devotos a Jaenelle transparece um pouco mais do que apenas servidão. Saetan nem tanto, contudo, Daemon, mesmo sabendo que ela ainda é uma criança, ainda tem sentimentos amorosos em relação a ela.


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