A mãe de Kelsea, a antiga rainha, Elyssa, morreu envenenada (o culpado nunca revelado) e seu irmão,
Thomas, tornou-se regente de Tearling enquanto a sobrinha não estava apta para governar — o que acabou sendo mais que conveniente para ele, que desfrutava de tudo o que a riqueza da Fortaleza poderia lhe oferecer e muito mais que isso. Ganancioso,
Thomas permitiu que Tearling ficasse à mercê de Mortmesne, o reino da tão temida Rainha (e feiticeira) Vermelha. O desejo do regente era que as coisas permanecessem daquela forma: conforto e luxos para ele, sofrimento e miséria para o povo. Por isso, queria impedir de todas as formas que Kelsea assumisse seu lugar no trono. Mas apesar de todos os esforços, mesmo no último segundo na hora da coroação,
nada conseguiu impedir que a legítima herdeira do trono, Kelsea Glynn, fosse coroada.
Assim que põe os pés na cidade
, Kelsea já começa a fazer uma série de mudanças. Dessa forma, conseguiu conquistar o apoio dos governados e desagradou muitos nobres. A partir de então tudo começa a ficar mais perigoso e
torna-se difícil confiar em qualquer pessoa — mesmo nos fiéis guardas que sua mãe designou para buscá-la de seu exílio, escoltá-la até a Fortaleza e cuidar dela como se fosse a própria Elyssa (coisa que Kelsea está bem longe de ser). À medida que Kelsea vai conhecendo as entrelinhas do reino que agora governa, vê que há muito a ser feito e
busca sempre se distanciar ao máximo do reinado fútil e egoísta da mãe que nunca conheceu. Em meio a tudo isso, a jovem rainha — a quem todos chamam de
Rainha Verdadeira — conta com um misterioso e duvidoso aliado, o fora da lei Fetch, que não está apenas na mente, mas também no coração de Kelsea.
Nunca tinha ouvido falar da trilogia
Tearling. Apenas quando busquei saber mais sobre a história a partir da oferta da
Cia das Letras foi que percebi o quanto esse livro poderia ser instigante. Muitos tratavam a série como uma
"versão feminina das histórias de George R.R. Martin", o escritor de
As Crônicas de Gelo e Fogo. Mas, avançando na leitura, percebi que
essa comparação é um grande equívoco. Apesar de a história se passar em um cenário medieval, cheio de histórias de guerras, cavaleiros, foras da lei, reis/rainhas e seus tronos, o universo criado por Erika é bem diferente do de Martin.
Para começar, algo que não fica muito definido durante a narrativa é o tempo em que o enredo se passa, mas logo fica claro que
se trata de uma distopia (porém, não esperem nada do que tem nas comuns distopias contemporâneas, como
Divergente ou
Jogos Vorazes).
O cenário é um mundo criado muitos anos depois do nosso, chamado de
Novo Mundo, onde o grande visionário que faz a tão famosa
Travessia, perde tudo o que leva de mais avançado em tecnologia durante um naufrágio, fazendo com que o Novo Mundo se torne "antigo" e crie sua própria civilização partindo do nada.
O livro é
narrado em terceira pessoa e seu
foco principal é Kelsea. Porém, outros focos são trabalhados em torno de personagens secundários — especialmente daqueles que não têm nada a esconder, como a própria protagonista. A narrativa de Erika é
muito detalhada e se torna
arrastada em alguns momentos por descrever bem tudo o que se passa. Uma grande marca de sua escrita é a
sensitividade com que trata cada um dos personagens, fazendo com que o leitor chegue a sentir praticamente a mesma sensação que eles — isso ajuda a criar uma
proximidade maior com a história como um todo.
"— Você precisa dormir em algum momento.
— Na verdade, não. O mundo é um lugar perigoso demais para dormir" (p. 84).