Título original: Losing Hope
Autor (a): Colleen Hoover
Sinopse: "Sem Esperança - Assombrado pela culpa e pelo remorso por não conseguir salvar Hope nem Less, Holder desenvolveu uma personalidade agressiva. Mas, quando finalmente se depara com Hope depois de tantos anos, não poderia imaginar que o sofrimento seria ainda maior após o reencontro. Em Sem esperança, Holder revela como os acontecimentos da infância de Hope, que agora se chama Sky, afetaram sua vida e sua família, fazendo-o buscar a própria redenção na possibilidade de salvá-la. Mas é apenas amando Sky que ele finalmente será capaz de começar a se reconciliar com si mesmo."
SÉRIE "HOPELESS"
2. Sem Esperanças
3. Em Busca de Cinderela
O livro é o segundo volume da série Hopeless, e, apesar de poder ser lido individualmente, sem o primeiro, é recomendado ler a série na ordem correta, já que não se entenderá completamente muitos fatos.
Dean Holder viu sua vida mudar no dia em que, quando criança, viu sua vizinha e melhor amiga, Hope, ser levada por um desconhecido. Ele e sua irmã gêmea, Less, nunca pararam de procurar por ela desde então. Agora, contudo, Less cometeu suicídio e deixou Holder sozinho — sozinho com a culpa por não ter salvo a irmã no presente, assim como não salvou a melhor amiga no passado. Sentindo-se desolado, incapaz de cuidar das duas pessoas que mais amou na vida, ele se envolve em muitas confusões, e, depois de uma briga especialmente feia, é obrigado a ir morar com seu pai em outra cidade.
Recém chegado na cidade que abandonou um ano atrás, Holder reencontra sua mãe e, por consequência, sua antiga vida. Ele conhece, por acaso, Sky, uma menina que parece lhe atrair de maneira inexplicável — e que, ao mesmo tempo, lhe lembra a doce Hope de seu passado. Ele tenta se aproximar dela, mas parece fazer tudo de maneira errada, gerando uma série de maus entendidos com a menina. Quem será ela, e será que o começo de relacionamento eles estabeleceram será capaz de resistir aos tantos segredos que Holder esconde?
Se há algo que precisa ser dito e é absoluto sobre
Colleen Hoover, é o seguinte: eis uma autora que sabe como
prender um leitor às suas obras. Recentemente, devorei
Um Caso Perdido (o livro anterior da série;
confira a resenha aqui!) em questão de horas, e devo esclarecer que o mesmo ocorreu com Sem Esperança. Depois de ter gostado da primeira história, mas, ao mesmo tempo, não ter conseguido ignorar os defeitos dela, não tinha grandes expectativas para o segundo volume da série — já que a história, afinal, é a mesma —, e, mais uma vez, fui
surpreendida pela habilidade da autora.
Sem Esperanças é um livro que traz como ponto forte sua intensidade. Nada com Holder é simples, isso fica bem claro em Um Caso Perdido, mas só agora entendemos até onde vão os problemas do rapaz: é dessa forma que o livro, tratando de temas leves, ao mesmo tempo ressalta pontos sombrios, como a dor da perda, a culpa e um tipo de sofrimento que pode vir do fundo da alma de uma pessoa.
Algo que me chamou atenção sobre a obra foi justamente isso: a maestria da autora em, ao mesmo tempo que possui um enredo cheio de leveza — com direito a conversar descontraídas entre Holder e Daniel, seu amigo, e cenas hilárias com Sky e Breckin —, conseguir inserir a ele uma quantidade da drama e dor quase palpável. Isso é algo que merece congratulações, pois Hoover conseguiu administrar tais aspectos de uma maneira tão natural que é difícil notá-los até parar para refletir sobre o livro.

Narrado em primeira pessoa pelo próprio Holder, também agora se torna conhecida ao leitor a verdadeira face desse personagem tão controverso. Se no primeiro volume da série tínhamos os flashbacks de Sky para variar o enredo, dessa vez a jogada com Holder são cartas fúnebres a sua irmã, no presente falecida há um ano, Less. É através das cartas que o personagem coloca para fora toda sua dor e abre o jogo sobre seus sentimentos, algo raro para ele, mas que consegue fazer apenas com Less — e, agora, com Sky.
O interessante sobre a narrativa da autora, creio eu, é o fato de ela ir construindo-a aos poucos, sem nos dar tantas informações sobre os personagens e os permeios da história deles. Desse modo, as coisas são reveladas ao leitor com o tempo, deixando uma considerável parte dos detalhes para ele mesmo resolver. Isso é algo muito bem pensado, sim, e que exige certo esforço da autora; mas, ao mesmo tempo, devo dizer que tal detalhe me incomodou em partes do livro. Deixe-me explicar melhor...
Holder é um tipo de personagem quando narrado pelo pronto de vista de Sky, em Um Caso Perdido, é o tipo de cara um pouco briguento, teimoso e estourado, mas que consegue ser realmente doce e amável com a menina pelo qual está se apaixonando. Até o final do primeiro livro (e, não, não contarei spoilers!) entendemos boa parte de seu comportamento e vemos que ele é, na verdade, uma pessoa boa que não soube lidar muito bem com a culpa e o peso da morte da irmã. Até aí, tudo bem.
Foi justamente por isso que, ao entender o que a autora tentou fazer com seu personagem nesse segundo livro, não pude deixar de ficar um tanto chateada. Muita coisa, muitas atitudes do garoto, agora são tidas como mal entendidos, e senti que Hoover acabou criando uma "explicação" para cada vez que Holder conseguiu, em Um Caso Perdido, deixar o leitor com raiva ou receoso por seu comportamento. A impressão que me foi passada foi a de que a autora tentou arrumar todos os defeitos de seu personagem, e isso acaba ficando forçado demais, mas não da maneira usual.
Não é que eu não entenda, nem ache que tais explicações ficaram "manipuladas"; pelo contrário, consegui entender cada coisa muito bem e tudo é eximiamente esclarecido. Mas é aí que mora o problema. Com tanta explicação e justificativa, pareceu, sob um olhar mais crítico, que o personagem não tinha nenhum defeito. Se tudo o que ele fez foi "explicado" pela culpa ou por certo pensamento que passou por sua mente, o garoto que Sky enxerga no primeiro livro, estourado e um tanto violento com os outros, não existe; e, assim, fiquei me perguntando se quem narra Sem Esperança não é alguém completamente diferente de quem é descrito em Um Caso Perdido.
