Livro: Os Três
Título original: The Three
Autor (a): Sarah Lotz
Editora: Arqueiro
Páginas: 400
ISBN: 9788580412697
Sinopse: Quinta-Feira Negra. O dia que nunca será esquecido. O dia em que quatro aviões caem, quase no mesmo instante, em quatro pontos diferentes do mundo. Há apenas quatro sobreviventes. Três são crianças. Elas emergem dos destroços aparentemente ilesas, mas sofreram uma transformação. A quarta pessoa é Pamela May Donald, que só vive tempo suficiente para deixar um alerta em seu celular que mudará completamente o mundo:
"Eles estão aqui.
O menino. O menino, vigiem o menino, vigiem as pessoas mortas, ah, meu Deus, elas são tantas... Estão vindo me pegar agora. Vamos todos embora logo. Todos nós. Pastor Len, avise a eles que o menino, não é para ele..."
Pamela May Donald decide visitar a filha no Japão, contudo, uma complicação misteriosa faz o avião que a transportava cair em uma floresta escura no país oriental. Antes de morrer, Pam vê um curioso menino japonês, que sem qualquer lesão, a avalia, e logo depois inúmeros espíritos saem da floresta em sua direção. Pam sabe que eles estavam vindo para recolher sua alma. Logo, ela faz uma ligação informando sobre esse estranho menino, e então a morte chega rápido demais...
Contudo, o acidente de avião não acontecera somente no Japão. Mais três acidentes em outras partes do mundo fizeram a humanidade parar. Em todos esses desastres, alguma criança havia sobrevivido ilesa, e então as teorias conspiratórias começaram a girar pelo mundo. Alguns afirmavam que essa ocorrência era fruto das forças alienígenas, outros diziam que as crianças tinham ligação com os Quatro Cavaleiros do Apocalipse. Mas quais dessas teorias conspiratórias estavam corretas?
O livro é divido em dez partes ao todo, e não mostra somente como aconteceu os resgates dos três sobreviventes, mas também como as crianças se relacionaram e agiram depois que foram entregues aos seus entes queridos. E é aí que o mistério arrepiante se encontra. As crianças, conforme o tempo passava, tinham atitudes extremamente estranhas... O que mudara nelas? O que acontecera para estarem tão esquisitas?
Os Três foi uma grande aposta da Editora Arqueiro para o primeiro semestre de 2014. O Lançamento foi mundial e a divulgação vasta. A obra foi escrita por Sarah Lotz, uma roteirista, e indicada por Stephen King. Mas será que foi uma aposta bem feita? Confira a resenha a seguir.
Os Três é um livro perfeito para quem gosta de um suspense de tirar o fôlego. Sabia que encontraria um “ar” sombrio nessa leitura e uma narração bem envolvente, mas não sabia que essa obra seria tão perturbadora e roubaria tanto meus pensamentos.
É um livro diferente por vários motivos: seu conteúdo não conta com uma narração do presente – e de modo linear –, mas com um relato do passado. Inúmeros personagens vão relatando suas experiências diante dos desastres. É uma espécie de conjunção de informações – sejam elas publicadas em jornais, em noticiários, ou simples conversas por chats e até mesmo depoimentos sobre ocorrências misteriosas – e por causa dessa diversificação em narração e em personagens que a profundidade do livro foi constituída. Parece, por todo o momento, que a Quinta-Feira Negra – como é chamado o dia que aconteceu os acidentes – realmente existiu.
Infelizmente, alguns relatos desse documentário são inteiramente monótonos e desnecessários para a trama, e isso fez com que a leitura fosse um pouco mais arrastada. Em compensação, os outros capítulos eram muito surpreendentes; faziam-me ter expressões corporais, como arregalar os olhos diante de esclarecimentos, ou segurar o livro de forma mais firme, ansiosa pelo o que seria revelado.
Os poucos capítulos narrados em primeira pessoa foram os melhores. Creio que, se a autora tivesse investido um pouco mais neles, o suspense seria bem maior e o livro seria inteiramente envolvente e conquistador.
Os personagens são extremamente peculiares e complexos, e isso é um dos pontos mais positivos nesta obra. Muitos deles têm problemas com vícios ou problemas psicológicos. Foi interessante lidar com personagens exageradamente religiosos, com perspectivas diferentes e opiniões fora do comum.
A autora, Sarah Lotz, desenvolve bastante os
sentimentos e as ações humanas, até mesmo de forma
crítica, demonstrando com clareza ao leitor as consequências de ambos. É observando por fora que aprendemos com erros dos personagens em questão.
Mas o que faz de Os Três uma aposta ruim? Essa obra não é ruim, somente não me conquistou tanto quanto poderia. Sabe quando você vê um potencial em um enredo e ele não o atinge? Foi isso que aconteceu com Os Três. Simplesmente não sei se compreendi a obra de forma correta em sua totalidade, nem ao menos sei se compreendi a mensagem principal de Sarah Lotz. A autora poderia ter escolhido um caminho mais exato, que desse mais segurança, e, consequentemente, mais êxito em transmitir a essência do livro.
O desfecho dessa obra foi devastador! Esse é um tipo de livro que não cria uma única verdade, mas deixa que o próprio leitor interprete do modo que ache melhor. Gosto desse tipo de conclusão, mas nesse caso, o acréscimo do suspense não resultou numa boa mistura. A impressão que o leitor tem é que não valeu a pena ler um livro extenso para não ter resposta alguma, ou melhor: para ter respostas demais no meio de tanta incerteza.
O designe e a diagramação do livro é de arrasar. A capa é simples, mas apreciável e ainda passa o clima e a impressão correta ao possível leitor. Não encontrei erro de gramática, e achei o material das páginas satisfatório. A Editora Arqueiro quis inovar, fazendo as folhas serem negras, entretanto, por causa dessa tentativa foi necessário excluir as abas do livro, fazendo a capa ser instável e dobrável. Enquanto eu fazia minha leitura, a capa entortou muitas vezes.
Os Três é interessante, curioso, arrebatador e perturbador. Indico a leitura a todos que apreciam esse clima mais sombrio, que gostam de livros que trabalham com temas conspiratórios. Não se trata de um livro de terror, mas de um suspense de arrepiar. Leia Os Três e tire sua própria conclusão!
Primeiro Parágrafo:
“Pam olha a luz indicadora do cinto de segurança, desejando que ela se apague.”
Melhor Quote:
“Nada pode se comparar com o que vimos naquele dia.”